sexta-feira, 28 de maio de 2010

AMOR NA GUERRA

DUNDO E PORTUGÁLIA

Depois da instalação do esquadrão eventual 350, junto ao Dundo, cidade onde a actividade era genericamente relacionada com a extracção de diamantes, a função da tropa exactamente o controlo da possível infiltração de actividades terroristas que ali se viessem a verificar.
A classe de praças limitava-se a ver a paisagem e mostrar o seu valor a cumprir ordens, aparentemente só restava viver com alegria e evitar complicações.
Vivendo em regime provisório nos pré-fabricados do Dundo, no dia trinta de Julho de 1963, o Onofre com alguns colegas fez-se a uma passeata pela cidade, apenas vislumbrando o panorama local, muito diferente do que conhecera até ali, o que alimentava o seu sonho de aventura, algo de muito pessoal, talvez importante para lhe assegurar a permanente alegria de viver.
No dia seguinte, com o mesmo roteiro, foi percebendo pelas observações sempre lúdicas, com a componente da tomada de conhecimentos locais, ia concluindo que ali era outro Portugal.
Havia um modo de vida, de estar e de agir algo diferente.
Observavam-se o facto de as habitações dos colonos contratados da Companhia, serem todas vivendas de rés-do-chão, rodeava-as bonitos ajardinamentos com longos espaços arrelvados e um poste com estrutura própria para exercícios de bola ao cesto.
Vivenda para colonos na cidade do Dundo

Sabendo-se estar numa cidade ainda nova, da Região dos Quiocos, cuja vasta etnia que a habitava, denominava-se com o mesmo nome.
Verificar-se estar ali a ser preservada a riquíssima e famosa arte daquele povo, que se estendia para além fronteiras de Angola.
Podia reparar-se numa falha, muito cara a um rapaz novo e militar, pelo menos da época. Deambulava-se por toda a urbe e não era possível ver uma miúda, que contasse mais de dez anos.
A explicação veio a tornar-se simples:
- Toda a população branca era, de uma maneira geral, flutuante proveniente de contratos temporários com a Diamang, concessionária da exploração daquele abundante e precioso minério, existente em grande parte da Lunda, Distrito maior do que Portugal Continental.
Militar posando junto dos pré-fabricados
onde primitivamente a tropa se instalou

Funcionando com capitais de maioria estrangeira, logicamente valorizavam-se modernas tecnologias, que tinham forçosamente de reflectir o modo de vida da própria população local, habitantes apenas da periferia da pequena cidade diamantífera.
Ao passar-se por Saurimo (Henrique de Carvalho), a capital daquele outro "Estado", sentia-se logo o pulsar estrangeiro.
Era assim que o Onofre passou a sentir aquela posição que, efectivamente, iria deixar marcas na sua existência.
Valorizava-se muito as visitas de grandes figuras, mesmo militares, que por sua vez tinham apetência para aportar o Dundo.
Aconteceu cinco dias depois do esquadrão eventual 350 ter chegado, estando o Onofre de plantão ao aquartelamento, deu-se a passagem do Comandante do Sector, um Brigadeiro vindo da cidade de Henrique de Carvalho, transformada em bastião militar.
Naturalmente o Oficial Superior, passou por todos os aquartelamentos, instados na região, eram de todas as armas, conforme se pôde apurar com o decorrer com o tempo.
Refira-se que a localização era a poucos quilómetros do Congo, que recentemente a Bélgica havia descolonizado.
Muitos brancos tinham vindo, fugidos de avião para o aeroporto da Diamang, situado perto da Portugália.

Daniel Costa

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