sexta-feira, 21 de abril de 2017

CABO FRIO E ARMAÇÃO DE BÚZIOS

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CABO FRIO E ARMAÇÃO DE BÚZIOS

Desmontou-se a Fortaleza de Santo Inácio e em simultâneo a construção do Forte de São Mateus, com o término em 1620.
Estêvão Gomes, velozmente, deu início à distribuição de terras a amigos apadrinhados e influentes, em favorecimento da formação de latifúndios.
Já em 1617, Estêvão Gomes, apoiara a criação da Aldeia de Índios de São Pedro do Cabo Frio, pelos jesuítas, que abrigou quinhentos tupiniquins catequizados, objectivamente, para evitar desembarques inimigos europeus.
Em 1617, 1618 e 1630 a guarnição de fortaleza, integradas pela infantaria indígena derrotam tentativas de desembarque Inglês e holandês, abrindo portas à elevação, em 1619, da cidade à sede da Capitania Real do Cabo Frio, com a conquista do norte fluminense e a submissão, em 1631, dos índios goitacazes.
Jesuítas e beneditinos, estabeleceram fazendas de gado, onde africanos e índios catequisados trabalhavam e se dedicavam à agricultura e pesca.
O jesuíta João Lobato, cerca de 1617, manda vir assentar quinhentos índios tupinambás do Espirito Santo, na ponta de Jacuruna, onde fundou a aldeia de São Pedro.
O governo da Metrópole, em 1619, criou a Capitania Real de Cabo Frio, ficando esta, directamente dependente da autoridade colonial da Bahia, independente da do Rio de Janeiro.
Entretanto os índios tupinambás, de São Pedro, destruíram algumas aldeias goitacazes. Então os portugueses, do Espírito Santo, aniquilaram-nos de forma cruel.
Como os jesuítas, com a região desimpedida, com a sua visão aguçada e apurada, passaram a exigir duas sesmarias à capitania do Rio de Janeiro e logo atendidos. Sendo estas localizadas entre os rios Ostras e o Macaé.
Visavam assim, mais uma vez, a criação do gado e a agricultura. O relativo sucesso da, colonização rural, da capitania, contrastava com o urbano que impedia novos investimentos em Cabo Frio.
Os primeiros pescadores que se radicaram na região, entre 1620 e 1630, retiraram-se e procuraram melhor vida nas barras dos rios Macaé e Paraíba do Sul.
Inviabiliza-se a cidade de Cabo Frio, em virtude da barra de navegação estar semi – entupida e a fortaleza sem armamento e sem guarnição.
A crise do sal português, entre 1560 e 1660, que estava a faltar no Brasil, chamou a atenção da metrópole, para a sua cristalização natural, a fazer na Lagoa de Araruana.
Com essa, foi dado impulso à economia e um novo centro urbano foi erguido junto a actual Praça Porto Rocha, tendo-se rasgado a rua Direita (Érico Coelho).
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção e o da Câmara e da cadeia, que formavam o Largo da Matriz, onde ficou o pelourinho.
Cerca de 1660, as condições geo – políticas ajudaram a facilitar o retorno de investimentos à cidade de Cabo Frio.
José Varella em 1663 foi reconduzido capitão – mor de Cabo Frio. A seguir, os frades beneditinos receberam uma sesmaria urbana, dando origem ao bairro de São Bento.
Procurando avivar os marcos da sesmaria recebida na cidade de Cabo Frio, para a construção de um convento em 1620, dentro da área encontraram um forno de para fabrico de cal entre outras benfeitorias.
Um ano depois, em 1664, pedem mais terras para levantar as casas para os frades que vêm povoar a cidade.
Em 1666 Bento de Figueiredo assumiu as suas funções de vigário de Nossa Senhora da Assunção.
Trinta anos depois, em 1696, os religiosos franciscanos inauguraram o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, próximo à Fonte de Itajuru, consolidando o perímetro histórico do novo centro administrativo Colonial.
Chegados ao século XVII, o desenvolvimento urbano estancou novamente. Aponte-se dois motivos; a aldeia de índios de São Pedro, de jurisdição dos jesuítas, de dois mil habitantes, deixou de impedir o desembarque de inimigos em Búzios e por isso, a maior riqueza dos colonizadores, a exploração das salinas naturais, foi proibida terminantemente, embora a ordem não fosse cumprida.
O Forte de São Mateus, já no início do século XVIII, foi guarnecido e rearmado, tendo a defesa da capitania passado a contar com um terço de infantaria, além de um regimento de cavalaria. A cidade de Cabo Frio expandiu-se.
A igreja de Nossa Senhora da Assunção foi aumentada e construída a capela de Nossa Senhora da Guia no Morro do Itajuru e a Igreja de São Benedito no Largo da Passagem.
Na cidade, viviam cerca de mil e quinhentos habitantes em trezentas e cinquenta casas; cerca de dez mil habitantes espalhavam-se pela capitania, metade era constituída por escravos negros.
A expansão urbana advinha de várias actividades económicas, exportadas para o Rio de Janeiro, pela barra do Araruama.
Em Armação de Búzios entre 1720 e 1770, caçavam baleias e manufactura-se o óleo.
Nas pescarias de alto mar e no interior na lagoa capturava-se o peixe e o camarão.
Os Barreiros e olarias eram produzidos tijolos e telhas, enquanto nas florestas se derrubavam madeiras nobres.

Teodósio de Mello, sempre pesquisando apenas o Brasil Colonial, por interessante, não deixou de reparar num facto bem interessante, do século XX. É o facto de, em 1964 a Vedeta de “E Deus Criou a Mulher”, Brigitte Bardod, que então, namorava o marroquino Bob Zagori, a viver no Brasil. Ambos se reuniram em férias em Armação de Búzios.
A impressa mundial fez-se representar em força, para reportar o facto da famosa vedeta estar ali presente.
O grande aparato, de toda esta presença, foi causa da enorme promoção do turismo da zona, que as autoridades locais assinalam, erigindo uma estátua de homenagem à artista.

Daniel Costa



sexta-feira, 14 de abril de 2017

MUNICÍPIO DE CABO FRIO

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MUNICIPIO DE CABO FRIO
Data de há cerca de seis mil anos, quando um grupo nómada chegou,  à costa, em canoas, acampando no Morro dos Índios, pequena ilha rochosa na actual barra da Lagoa de Araruma.
Evidências arqueológicas encontrada em “sambaqui” (concheiras), mais tarde abandonado, devido ao possível esgotamento de recursos de sobrevivência, baseados na pesca e na caça.
Há cerca de mil e quinhentos anos os guerrilheiros indígenas tupinambás iniciaram a conquista do litoral da região, evidenciando adaptação mais eficaz que os nómadas pioneiros.
Em 1503, deu-se a terceira expedição portuguesa, que sofreu um naufrágio no arquipélago Fernando Noronha, tendo-se dispersado a frota remanescente.
Dois navios comandados por Américo Vespúcio seguiram até à Bahia e daí para Cabo Frio.
Na barra de Araruama, construíram e guarneceram uma fortaleza- feitoria, para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.
Este estabelecimento comercial-militar pioneiro, em 1512 efectivou a posse portuguesa da nova terra descoberta, começando a conquista do que foi destruído pelos tupinambás, devido às muitas desordens e desavenças, havidas entre eles, em 1526.
Desde 1504 os franceses traficavam o pau-brasil, na costa brasileira com os índios. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente a sua acção se restringiu ao litoral da região nordeste.
Devido ao policiamento naval português, a partir de 1540, os franceses em 1556, viriam também a construir uma fortaleza-feitoria para continuarem a exploração do pau-brasil, no mesmo ilhéu, anteriormente construído pelos portugueses, junto à barra do porto do Araruama. 
Esta fortaleza cabofriense consolidou e ampliou o domínio francês iniciado com a fortaleza de Villegaignon, um ano antes, no Rio de Janeiro.  
Depois em 1575 aconteceu a chamada Guerra de Cabo Frio, António Salema, o governador do Rio de Janeiro, com um poderoso exército, com homens da Guanabara, São Vicente e Espirito Santo, com o apoio de tropa, catequizadas, tupininquim.
Por terra e mar, oficiais e soldados, com o objectivo de acabar com o último bastião da Confederação dos Tamoios e acabar com domínio francês, de duas décadas, em Cabo Frio.           
Depois do cerco e rendição da fortaleza, franco - tamoia, dois franceses, um Inglês e o pajé (na antropologia brasileira – o especialista ritual)  tupinambá foram enforcados. Quinhentos guerreiros assassinados a sangue frio e cerca de mil e quinhentos índios escravizados. Os vencedores, de seguida entraram pelo sertão, queimando aldeias, mataram mais de dez mil índios, aprisionando outros tantos.
Os sobreviventes refugiaram-se na Serra do Mar.
De Macaé a Saquarema, em virtude do massacre, transformou-se num deserto humano, servindo esporadicamente, de passagem para os índios goitacases, na procura de caça e pesca.
Depois do abandono dos portugueses, estes com base na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, estabeleceram um eficiente bloqueio naval.
Com a perda da independência de Portugal, de 1576 a 1615, o porto de Araruama voltou a ser frequentado por navios franceses, Ingleses e holandeses, sempre em busca do pau-brasil e tornando-se também a base da pirataria, contra embarcações portuguesas.
Depois de 1580, redobrou a presença destes, arvorando bandeiras inimigas dos espanhóis.
O então governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, finalmente, recebeu do rei Filipe II, para mais uma vez regressar à região.
A 13 de Novembro de 1615, com a ajuda de quatrocentos homens brancos e índios catequizados, junto à barra de Araruama, levantou a Fortaleza de Santo Inácio e fundando a Cidade de Santa Helena de Cabo Frio.
Em 1616, Estêvão Gomes, fazendeiro e comerciante de escravos africanos no Rio de Janeiro, foi nomeado capitão-mor de Cabo Frio, transferindo o sítio da povoação colonial para o actual bairro da Passagem, que rebaptizou de cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio.

Daniel Costa

sábado, 8 de abril de 2017

SERGIPE E AS UNIDADES FEDERATIVAS DO BASIL

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SERGIPE E AS MAIS UNIDADES  FEDERATIVAS DO BRASIL

Teodósio de Mello, no seu dedicado estudo sobre a colonização do Brasil, por pesquisas várias, foi recolhendo dados sobre o feito dos portugueses, a partir de 1500, no Brasil.
Este país sul-americano é composto por vinte e sete estados (dependências federativas), alguns já constituídos depois da sua independência, pela governação, por desmembramento de outros.
Além do Distrito Federal Brasil, já apresentado, ficam aqui registados os restantes pesquisados por Teodósio de Melo.

SERGIPE:

Politicamente emancipada de Bahia em 8 de Julho de 1820, como capitania de Sergipe D’El-Rei viria, a ser elevada a província, quatro anos depois e a estado depois 69 anos.
A sua colonização, teve início na segunda metade do século XVI, aquando da chegada de navios franceses, em que os seus tripulantes iam trocando diversos objectos por produtos da terra, como pau-brasil, algodão ou pimenta-da-terra.
Entre os finais do século XVI e as primeiras décadas do XVII, a presença dos missionários e várias expedições militares portugueses, afasta os franceses e vence a resistência indígena.
A partir daí, deu-se grande miscigenação entre portugueses e índios.
Entrementes, Garcia d’Ávila, proprietário de terras da região, iniciou a conquista do território, contando com a ajuda dos padres jesuítas para catequizar os nativos.
Na verdade a conquista deste território e a sua subsequente colonização, vieram a facilitar as comunicações entre a Bahia e Pernambuco e impediram ainda as invasões de franceses.
Surgem as primeiras povoações, como o arraial de São Cristóvão.
A capitania de Sergipe D’El-Rey, foi colonizada em 1590, após a destruição de indígenas hostis e começa a exploração do açúcar.
A existência de áreas inadequadas à plantação de Cana-de-açúcar, no litoral, favorece o surgimento das primeiras criações de gado.
Além da produção, de carne e couro, Sergipe tornou-se fornecedor de animais de tracção para as fazendas da Bahia e Pernambuco.
Aquando das invasões holandesas, nas primeiras décadas do século XVII, a economia foi prejudicada. Expulsos estes e retomada a região, pelos portugueses em 1645, o território, na época fazendo parte da Bahia, em 1723 foi responsável por um terço de açúcar.
Como capital deste estado, temos Aracaju, que sucedeu a São Cristóvão, a antiga capital da capitania de Sergipe.

RONDÓNIA:

Os portugueses começaram a percorrer o território do actual estado da Rondónia no século XVI, porém só no seguinte, com a descoberta do ouro aumentou o interesse pelas terras da região.
Em 1776 a construção a construção do Forte Príncipe de Beira, na margem do rio Guaporé veio a estimular a implantação dos primeiros núcleos coloniais.
A Rondónia só bastante mais tarde, por desmembramento de parte do Mato Grosso e do Amazonas, veio a ser estado, com a capital em Porto Velho.

TOCANTINS:

O estado de Tocantins só foi criado no fim de século XX, por desmembramento de parte de Goiás, ficando com a capital na cidade de Palmas, para o efeito, criada de raiz.  

ACRE:

Rio Branco é a capital do Acre, unidade federativa do Brasil, cujo território ocupou militarmente, vindo a incorporar, por negociação com a Bolívia, até então sua detentora.

PIAUI:

No princípio do século XXI, os fazendeiros da região do rio São Francisco, procuravam expandir, as suas criações de gado. Os vaqueiros vindos, principalmente da Bahia, chegaram procurando pastos e passaram a ocupar as terras ao lado do rio Gurgueia.
Em 1718 o território até então na jurisdição da Bahia, passou para a do Maranhão.
Em 1811. O príncipe D. João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal elevou Piauí a capitania independente.
Mais tarde, a sua capital, passou a ser sediada em Teresina, centro-norte do Território, a única capital nordestina, que não se localiza, nas margens do oceano atlântico.

Daniel Costa







quinta-feira, 6 de abril de 2017

AMAPÁ

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AMAPÁ:

Todo o litoral atlântico, a norte da desembocadura do rio Amazonas, segundo o célebre Tratado de Tordesilhas, em 1494, ficou enquadrado no direito de ocupação de Espanha. Acontece que Portugal e Espanha só viriam a explorar a região de Amapá entre 1580 a 1640, quando os reis de Espanha governaram Portugal.
Também franceses, Ingleses e holandeses se interessaram pelo território, na época chamado Costa do Cabo Norte.
Deles extraíram madeira, resinas, frutos corantes como o urucum (açafroa – colorau) e óleos vegetais, ainda produtos de pesca, designadamente, o peixe-boi, guarabá ou manati, (mamífero aquático, que pode pesar 300 quilos) que salgado era vendido na Europa.
No século XVI, a região da chamada Guiana, estendia-se da foz do rio Amazonas à foz do rio Orinoco, onde as tribos caribes e aruaques dominavam.
O termo guiana significa “terra de muitas águas”, na língua aruaque.
No século XVI, Os territórios das Guianas, foram colonizados pela Inglaterra, Holanda, França, Portugal e Espanha.
O estado de Amapá, até meados do século XX, foi chamado Guiana Portuguesa, Guiana Brasileira, depois da independência.
Os portugueses, ao iniciarem a penetração da Amazónia, inquietavam-se com a competição estrangeira.
Bento Maciel Parente, em 1637, obteve de Filipe II a concessão do Cabo Norte, como capitania hereditária, tal como o rei D. João III criara cem anos antes.
Título reconhecido, depois da Restauração, pelo rei D. João IV, nem por isso as incursões estrangeiras, sobretudo de franceses a basear as suas pretensões em cartas-patentes, que o rei Henrique IV fizera em 1605 a Daniel de la Touche, sire de La Ravardière.
Em 1713, o primeiro tratado de Utrecht, dispôs que o limite entre as possessões portuguesas e francesas no norte do Brasil, seria o rio Oiapoque ou de Vicente Pinzón, enquanto consagrou a desistência francesa de usar o rio Amazonas, garantindo a Portugal a posse exclusiva de ambas as margens.
Entretanto, os portugueses prosseguiram com o desbravamento de terras e a catequese de índios, fundando-se missões franciscanas e jesuíticas.
Depois o Marquês de Pombal, que bastante se ocupou da Amazónia, em 1764, ordenou a construção da maior fortaleza da colónia, em Macapá, capital de Amapá, a Fortaleza São José de Macapá.
Para Macapá e Nova Mazagão foram levadas 340 famílias de Mazagão (Marrocos) e açorianos, como colonos.
A fortaleza de São José de Macapá, que os portugueses construíram, constitui por hoje, uma das sete maravilhas do Brasil.

Daniel Costa




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