sexta-feira, 26 de maio de 2017

FORTE DE SANTA CATARINA DO CABEDELO


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FORTE DE SANTA CATARINA DE CABEDELO

Primitivamente construída em taipa, a estrutura foi arrasada durante a governação de André de Albuquerque, por um ataque combinado, em 1591, de corsários franceses e indígenas.
Reconstruído a partir do ano seguinte, em alvenaria. Foi concluído em 1597 com a invocação de Santa Catarina de Alexandria, padroeira da capela do forte, e como homenagem a Dona Catarina de Portugal, Duquesa de Bragança.
Teodósio de Mello de já adoptara a cidade de João Pessoa, como sua, pela consabida urbanidade, pelo clima tropical-ameno, pelo seu verde, pelos seus quilómetros de costa e sobretudo, por ser a cidade da sua amada Samira, a sua romântica paixão.
Ainda por se situar no ponto das Américas, onde o sol nasce mais cedo, propício, portanto para os seus estudos sobre a descoberta do País e dos muitos navegadores, que por ali terão passado, deslumbrando-se.
Tal com os habitantes da cidade, capital da Paraíba já se achava bem integrado no ambiente, tanto mais que vivia à vista daquele mar que há séculos fascinara inúmeros navegadores.
Entre os frades que sempre acompanharam as expedições, alguns já aplicariam a sociologia, criada séculos depois, como ciência, por Augusto Comte, já citado.
Este viria a ser seguido por Émile Durkheim, que criou a disciplina académica da sociologia, muito poderia estudar as motivações da colonização do Brasil, ao longo de séculos, por portugueses.
É que teve de haver algo de místico motivador, devido a bastantes guerras e perigos eminentes a enfrentar, que só a sociologia, tal como a conhecemos hoje, pode explicar.
No mesmo ano, de 1597, uma esquadra francesa, de treze navios, com uma força de 350 homens, atacaram o forte por terra, do que resultou a morte do seu comandante, durante a resistência ao assalto.
O Capitão João de Matos Cardoso reassumiu então comando.
Em 1601, a guarnição era de um comandante Capitão, um alferes, um sargento, um tambor e vinte soldados armados com mosquetes; artilhado com três peças de bronze e nove de ferro.
Em 1611 as peças de bronze foram refundidas em Pernambuco e no ano seguinte, trezentos soldados com arcabuzes, faziam parte do seu efectivo. Da sua artilharia constavam onze peças.
Em 1618, reconstruido pelo Engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil, Francisco de Frias Mesquita.
Em 1603 a 1634 auxiliou a defesa de terra, contra um desembarque holandês sob o comando do Almirante Boudewign Hendrickszoon por alturas da baia da Traição.
Em 1631, ainda no comando do Capitão João de Matos Cardoso, já com a progressiva invasão holandesa, o forte teve as suas defesas reforçadas, com a guarnição de duzentos homens e artilhado com dezoito peças, resistindo ao ataque de Dezembro.
Depois 16 navios, 1300 homens no comando do Coronel Hartman Gottfred von Stein Callenfels atacaram, perecendo Jerónimo de Albuquerque Maranhão. As baixas holandesas ascenderam a duzentos mortos e cento e cinquenta feridos.
O forte, na ocasião, estaria artilhado com catorze peças de bronze e quarenta e duas de ferro.
Rechaçado o ataque holandês, de 25 a 28 de Fevereiro de 1634, 24 navios e 1200 homens, comandados por Sigismundo van Schkoppe, o forte sofreu melhorias na direcção do Diogo Pais, tendo passado a ser artilhado com seis peças de bronze e doze de ferro.
No entanto os holandeses irredutíveis, voltaram a atacar, desta vez com 29 navios e 2350 homens, comandados por Schkoppe, que chegou à Paraíba a 3 de Dezembro de 1634. No ataque iniciado no dia seguinte, veio a perecer o Capitão Matos. Substituído pelo Capitão Jerónimo Pereira, em 12 de Dezembro de 1634, que por seu turno, veio a cair, sendo substituído, no comando, por Francisco Gregório Guedes de Souto Maior.
Em 19 de Dezembro, nova frota holandesa, vinda do Recife bloqueou a barra do rio Paraíba, alvejando o Forte de Santa Catarina, em seguida sitiado por tropas de terra.
Ao mesmo tempo, a 23 de Dezembro, caia o Forte de Santo António, que o apoiara, cruzando fogo na margem oposta a norte da foz do rio Paraíba.
Ainda resistiu a Praça por quinze dias, porém com as muralhas arrasadas, sem munições, a artilharia danificada, a capitania rendeu-se.
A cidade de Filipeia e a capitania da Paraíba foi entregue aos holandeses.
A luta custou à defesa, oitenta e dois mortos e cento e três feridos.
Os holandeses, vieram a perder o controlo de Frederica… Filipeia de Nossa Senhora das Neves em 1645, ficando limitados e restritos à ocupação deste forte e do de Santo António.
Aquando da sua capitulação, no Recife em 1645 abandonaram estes, que foram reocupados por forças portuguesas, comandadas pelo Coronel Francisco Figueiroa.
Ao longo dos tempos, o forte foi-se degradando e pelas cartas régias de 28 de Novembro de 1689 e de 29 de Agosto de 1697, reiteradas por ordens datadas de 28 de Agosto de 1699, deu-se a reconstrução com a planta, inicialmente, traçada pelo Sargento-mor Pedro Correia Rebello, mais tarde revista e ampliada pelo Engenheiro Luiz Francisco Pimentel.
O forte… Fortaleza, como Teodósio de Mello, já teve ocasião de visitar, fica apenas a 18 quilómetros da cidade de João Pessoa, na embocadura do da foz do rio Paraíba, já na cidade portuária do Cabedelo.
Mais uma testemunha, da presença portuguesa no Brasil colonial, que os roteiros turísticos assinalam.
Teodósio de Mello, também comtemplou, demoradamente todo o complexo, defensivo e verificou ser muito visitado por grande afluxo turístico.

Daniel Costa


domingo, 14 de maio de 2017

COLONIZAÇÃO DO BRASIL - GUERRAS INTERNAS - CONFLITUALIDADE GERALCIONAL

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COLONIZAÇÃO DO BRASIL – GUERRAS INTERNAS – CONFLITUALIDE  GERACIONAL (?)

Teodósio de Mello, com o seu grande empenhamento em se debruçar sobre a história pós descoberta e consequente colonização do Brasil, não deixava de ter a mente sempre em actividade, virada para o grande empreendimento de gerações, de séculos.
Definitivamente expulsos os usurpadores, como espanhóis, Ingleses, franceses e holandeses, passou a haver “guerrinhas” entre grupos de colonizadores portugueses, as chamadas guerras nativistas.
Estão neste caso, as guerras dos “Emboadas”, de 1707 – 1709, ou outras que se vieram a travar entre bandeirantes e portugueses, e outros emigrantes do Brasil.
A dos Mascates, 1710 – 1711, que opôs os senhores de terras e engenhos pernambucanos, concentrados na cidade de Olinda, e os comerciantes portugueses da metrópole, de mais recente emigração para a colónia.
Dir-se-á ter havido falta de solidariedade, porém já uma nova cultura, de cerca de dois séculos, se podia verificar na grande colónia de Portugal. Já se podia augurar a futura independência, à distância de um século, como veio a verificar-se.
Ou ainda a Revolta de Filipe Santos, também conhecida por revolta de Vila Rica, 1720, uma das primeiras reacções de descendentes portugueses, contra a metrópole.
Aconteceu na então Vila Rica, Ouro Preto, do Estado de Minas Gerais. Tendo culminado com enérgica reacção do governador João de Almeida Portugal, Conde de Assumar, motivando a morte, por execução, do líder Filipe dos Santos.
Esta Revolta é considerada percursora da designada por Inconfidência, também referida como Conjuração Mineira, tendo sido de natureza separatista, contra a execução da derrama e do domínio português, motivo porque foi reprimida pela Coroa portuguesa em 1798.
Fica todo um campo de fértil estudo, para os especialistas em ciências sociológicas, de que o francês Augusto Comte terá sido iniciador.
Os sociólogos portugueses e brasileiros, cujo que seria fastidioso citar neste estudo histórico, decerto não deixarão de se debruçar, já que diz respeito aos povos hora também designados por de países irmãos.
Teodósio de Mello, pelo presente estudo e por outras vias, que vai cruzando, formou a sua opinião, a sua real ideia das motivações, da grande odisseia da gesta portuguesa de há cerca de 500 anos.
De muitas gerações subsequentes.

Daniel Costa





sexta-feira, 5 de maio de 2017

ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA

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ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA

A 360 km a nordeste da cidade de Natal, no Rio Grande do Sul, fica o arquipélago de Fernando de Noronha, formado 21 ilhas e ilhéus, de origem vulcânica.
A sua descoberta aconteceu logo, entre 1500 e 1502 e é atribuída a uma expedição comandada pelo explorador Fernando de “Loronha” sendo certo, porém, que o primeiro a descrevê-lo foi Américo Vespúcio, a partir de expedição entre 1503 a 1504.
Primeira capitania hereditária do Brasil, Ingleses, franceses e holandeses, entre os séculos XVI e XVIII, o foram invadindo.
Por carta régia, Fernando de Noronha, em 1700, tornou-se dependência de Pernambuco, capitania a que já tinha ligação histórica.
A Companhia Francesa das Índias Orientais, em 1736, invadiu-o e passou a lhe atribuir a de designação de Isle Daufine.
No ano seguinte uma expedição enviada do Recife expulsou os franceses.
Fernando de Noronha segundo registos escritos, foi descoberta em 10 de Agosto de 1503, por uma expedição portuguesa organizada e financiada por um consócio privado, liderado pelo comerciante de Lisboa, Fernão de Noronha.
Gonçalo Coelho era o capitão, que também levava o aventureiro italiano, Américo Vespúcio. A nau que capitaneava a expedição, embateu num recife e naufragou já perto da ilha, tripulação e carga tiveram de ser resgatados.
Sob as ordens de Gonçalo Coelho, Vespúcio ancorou na ilha e lá passou uma semana, enquanto o resto da frota, ficou ao sul.
Vespúcio descreve a ilha, em carta a Pedro Sodeneri, como desabitada.
O diário de bordo de Martim Afonso de Sousa, na década de 1530 referia-se ao arquipélago, como ilha de Fernando de Noronha (Loronha era erro ortográfico, então muito comum).
Fernão de Noronha, não só tornou a ilha capitania hereditária, como estabeleceu um monopólio comercial sobre o comércio do Brasil.
Entre 1503 e 1512, os agentes de Fernando de Noronha estabeleceram uma série de feitorias, ao longo da costa brasileira, envolvendo-se no comércio de pau-brasil, madeira nativa, com os índios locais, altamente valorizada, pelos costureiros europeus visto, que servia como corante vermelho.
A ilha era o ponto central da rede.
O pau-brasil colhido, em continuidade, pelos índios da costa e entregue aos vários armazéns do litoral era enviado para o armazém central do arquipélago.
Entretanto visitados por navio de transporte maior, que levava o produto para a Europa.
Logo após caducidade, em 1512, a organização foi assumida pela coroa portuguesa. No entanto, Fernão de Noronha e os seus descendentes mantiveram a posse da ilha e a capitania hereditária, pelo menos até à década de 1560.
A UNESCO, em 2001, declarou o arquipélago de Fernando de Noronha, como Património Natural da Humanidade, citando os seguintes motivos: 
- A importância da ilha como área de alimentação de várias espécies, como atum, peixe-agulha, cetáceos, tubarões e tartarugas marinhas.
-  Elevada população de golfinhos residentes.
- Protecção de espécies ameaçadas de extinção, como a tartaruga-de-pente e diversas aves.

Daniel Costa




sexta-feira, 28 de abril de 2017

ITANHAÉM E O PADRE JOSÉ DE ANCHIETA

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ITANHAÉM E O PADRE JOSÉ DE ANCHIETA

Itanhaém município da Baixada Santista, no estado de São Paulo, é a segunda cidade mais antiga do Brasil.
Nome de origem no antigo tupi significará “prato de pedra”: itá “pedra” e nha-em “prato” = Itanhaém.
O rei de Portugal, em 1532, enviou uma expedição a terras do Continente Americano, objectivando a colonização, assim como a fundação dos primeiros núcleos de população europeia ali.
Na tradição, a hipótese mais provável, é de que Martim Afonso de Sousa, comandante dessa expedição, durante dois anos, de estadia na região de São Vicente, terá fundado o núcleo original da cidade de Conceição de Itanhaém, em 22 de Abril de 1532, na margem oriental da foz do Rio Itanhaém, no vale do Morro Itaguaçu.
Aparecem outras teorias a afirmar que Itanhaém terá sido fundada depois.
Certo é, porém, que a povoação já existia em 1561, quando a documentação oficial histórica, indica a sua elevação à categoria de Vila.
O povoado surgiu junto do Convento de Nossa Senhora da Conceição, Estrategicamente, construído no alto do Morro. A Vila ficava cerca de onde está hoje a Praça Doutor Carlos Botelho, à época nas margens do antigo leito de Rio Itanhaém.
A original localização era estratégica, em caso de ataque de índios, os moradores se pudessem refugiar no alto do morro e aí se defenderem.
Como já foi escrito, a povoação foi elevada à categoria de vila em Abril de 1561, pelo capitão-mor Francisco de Morais, nomeada então Vila Conceição de Itanhaém.
A Vila passou a ter a sua própria Câmara Legislativa e seu primeiro núcleo político.
De notar que, uma das primeiras igrejas do Brasil foi construída, na época, em terras de Itanhaém, de que existem apenas as ruínas chamadas “Abarebebê”, que traduzido do tupi, significa “padre voador”, actualmente município de Peruíbe.
Em 1500, aquando do descobrimento do Brasil, já havia na região a aldeia dos Índios Peruíbe.
Porém, a história da povoação está, intimamente ligada ao estabelecimento dos jesuítas, pelo litoral de São Paulo.
Em 1563 o navegador alemão Hans Staden naufragou no alto mar, tendo nadado para a vila de Itanhaém, partindo depois para o litoral norte.
Uma outra figura da cidade foi o padre José de Anchieta, que peregrinou pela região durante o século XVI, na catequese dos índios locais.
O auge da sua importância, deu-se de 1624 até 1753, quando esta foi elevada a Cabeça da Capitania de Itanhaém, governada pela Condessa do Vimieiro e por seus descendentes.
Na época cabeça de capitania, equivaleria a ser o que é hoje capital estadual.
De notar que, a condessa era neta de Martim Afonso de Sousa e através de herança, governaria a Capitania de São Vicente, de que fazia pate Itanhaém.
Após pleito judicial, a Condessa foi destituída do cargo de donatária e por conta própria criou a capitania de Conceição de Itanhém, decisiva para a história do Brasil, já que dela saíram as primeiras Bandeiras, desbravando o interior do continente.
Em 1654, foi ali construído um novo Convento de Nossa Senhora da Conceição, popularmente, conhecido como Convento dos Franciscanos e em 1761 foi inaugurada a Igreja Matriz de San’Anna.

Daniel Costa

sexta-feira, 21 de abril de 2017

CABO FRIO E ARMAÇÃO DE BÚZIOS

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CABO FRIO E ARMAÇÃO DE BÚZIOS

Desmontou-se a Fortaleza de Santo Inácio e em simultâneo a construção do Forte de São Mateus, com o término em 1620.
Estêvão Gomes, velozmente, deu início à distribuição de terras a amigos apadrinhados e influentes, em favorecimento da formação de latifúndios.
Já em 1617, Estêvão Gomes, apoiara a criação da Aldeia de Índios de São Pedro do Cabo Frio, pelos jesuítas, que abrigou quinhentos tupiniquins catequizados, objectivamente, para evitar desembarques inimigos europeus.
Em 1617, 1618 e 1630 a guarnição de fortaleza, integradas pela infantaria indígena derrotam tentativas de desembarque Inglês e holandês, abrindo portas à elevação, em 1619, da cidade à sede da Capitania Real do Cabo Frio, com a conquista do norte fluminense e a submissão, em 1631, dos índios goitacazes.
Jesuítas e beneditinos, estabeleceram fazendas de gado, onde africanos e índios catequisados trabalhavam e se dedicavam à agricultura e pesca.
O jesuíta João Lobato, cerca de 1617, manda vir assentar quinhentos índios tupinambás do Espirito Santo, na ponta de Jacuruna, onde fundou a aldeia de São Pedro.
O governo da Metrópole, em 1619, criou a Capitania Real de Cabo Frio, ficando esta, directamente dependente da autoridade colonial da Bahia, independente da do Rio de Janeiro.
Entretanto os índios tupinambás, de São Pedro, destruíram algumas aldeias goitacazes. Então os portugueses, do Espírito Santo, aniquilaram-nos de forma cruel.
Como os jesuítas, com a região desimpedida, com a sua visão aguçada e apurada, passaram a exigir duas sesmarias à capitania do Rio de Janeiro e logo atendidos. Sendo estas localizadas entre os rios Ostras e o Macaé.
Visavam assim, mais uma vez, a criação do gado e a agricultura. O relativo sucesso da, colonização rural, da capitania, contrastava com o urbano que impedia novos investimentos em Cabo Frio.
Os primeiros pescadores que se radicaram na região, entre 1620 e 1630, retiraram-se e procuraram melhor vida nas barras dos rios Macaé e Paraíba do Sul.
Inviabiliza-se a cidade de Cabo Frio, em virtude da barra de navegação estar semi – entupida e a fortaleza sem armamento e sem guarnição.
A crise do sal português, entre 1560 e 1660, que estava a faltar no Brasil, chamou a atenção da metrópole, para a sua cristalização natural, a fazer na Lagoa de Araruana.
Com essa, foi dado impulso à economia e um novo centro urbano foi erguido junto a actual Praça Porto Rocha, tendo-se rasgado a rua Direita (Érico Coelho).
A Igreja de Nossa Senhora da Assunção e o da Câmara e da cadeia, que formavam o Largo da Matriz, onde ficou o pelourinho.
Cerca de 1660, as condições geo – políticas ajudaram a facilitar o retorno de investimentos à cidade de Cabo Frio.
José Varella em 1663 foi reconduzido capitão – mor de Cabo Frio. A seguir, os frades beneditinos receberam uma sesmaria urbana, dando origem ao bairro de São Bento.
Procurando avivar os marcos da sesmaria recebida na cidade de Cabo Frio, para a construção de um convento em 1620, dentro da área encontraram um forno de para fabrico de cal entre outras benfeitorias.
Um ano depois, em 1664, pedem mais terras para levantar as casas para os frades que vêm povoar a cidade.
Em 1666 Bento de Figueiredo assumiu as suas funções de vigário de Nossa Senhora da Assunção.
Trinta anos depois, em 1696, os religiosos franciscanos inauguraram o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, próximo à Fonte de Itajuru, consolidando o perímetro histórico do novo centro administrativo Colonial.
Chegados ao século XVII, o desenvolvimento urbano estancou novamente. Aponte-se dois motivos; a aldeia de índios de São Pedro, de jurisdição dos jesuítas, de dois mil habitantes, deixou de impedir o desembarque de inimigos em Búzios e por isso, a maior riqueza dos colonizadores, a exploração das salinas naturais, foi proibida terminantemente, embora a ordem não fosse cumprida.
O Forte de São Mateus, já no início do século XVIII, foi guarnecido e rearmado, tendo a defesa da capitania passado a contar com um terço de infantaria, além de um regimento de cavalaria. A cidade de Cabo Frio expandiu-se.
A igreja de Nossa Senhora da Assunção foi aumentada e construída a capela de Nossa Senhora da Guia no Morro do Itajuru e a Igreja de São Benedito no Largo da Passagem.
Na cidade, viviam cerca de mil e quinhentos habitantes em trezentas e cinquenta casas; cerca de dez mil habitantes espalhavam-se pela capitania, metade era constituída por escravos negros.
A expansão urbana advinha de várias actividades económicas, exportadas para o Rio de Janeiro, pela barra do Araruama.
Em Armação de Búzios entre 1720 e 1770, caçavam baleias e manufactura-se o óleo.
Nas pescarias de alto mar e no interior na lagoa capturava-se o peixe e o camarão.
Os Barreiros e olarias eram produzidos tijolos e telhas, enquanto nas florestas se derrubavam madeiras nobres.

Teodósio de Mello, sempre pesquisando apenas o Brasil Colonial, por interessante, não deixou de reparar num facto bem interessante, do século XX. É o facto de, em 1964 a Vedeta de “E Deus Criou a Mulher”, Brigitte Bardod, que então, namorava o marroquino Bob Zagori, a viver no Brasil. Ambos se reuniram em férias em Armação de Búzios.
A impressa mundial fez-se representar em força, para reportar o facto da famosa vedeta estar ali presente.
O grande aparato, de toda esta presença, foi causa da enorme promoção do turismo da zona, que as autoridades locais assinalam, erigindo uma estátua de homenagem à artista.

Daniel Costa



sexta-feira, 14 de abril de 2017

MUNICÍPIO DE CABO FRIO

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MUNICIPIO DE CABO FRIO
Data de há cerca de seis mil anos, quando um grupo nómada chegou,  à costa, em canoas, acampando no Morro dos Índios, pequena ilha rochosa na actual barra da Lagoa de Araruma.
Evidências arqueológicas encontrada em “sambaqui” (concheiras), mais tarde abandonado, devido ao possível esgotamento de recursos de sobrevivência, baseados na pesca e na caça.
Há cerca de mil e quinhentos anos os guerrilheiros indígenas tupinambás iniciaram a conquista do litoral da região, evidenciando adaptação mais eficaz que os nómadas pioneiros.
Em 1503, deu-se a terceira expedição portuguesa, que sofreu um naufrágio no arquipélago Fernando Noronha, tendo-se dispersado a frota remanescente.
Dois navios comandados por Américo Vespúcio seguiram até à Bahia e daí para Cabo Frio.
Na barra de Araruama, construíram e guarneceram uma fortaleza- feitoria, para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.
Este estabelecimento comercial-militar pioneiro, em 1512 efectivou a posse portuguesa da nova terra descoberta, começando a conquista do que foi destruído pelos tupinambás, devido às muitas desordens e desavenças, havidas entre eles, em 1526.
Desde 1504 os franceses traficavam o pau-brasil, na costa brasileira com os índios. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente a sua acção se restringiu ao litoral da região nordeste.
Devido ao policiamento naval português, a partir de 1540, os franceses em 1556, viriam também a construir uma fortaleza-feitoria para continuarem a exploração do pau-brasil, no mesmo ilhéu, anteriormente construído pelos portugueses, junto à barra do porto do Araruama. 
Esta fortaleza cabofriense consolidou e ampliou o domínio francês iniciado com a fortaleza de Villegaignon, um ano antes, no Rio de Janeiro.  
Depois em 1575 aconteceu a chamada Guerra de Cabo Frio, António Salema, o governador do Rio de Janeiro, com um poderoso exército, com homens da Guanabara, São Vicente e Espirito Santo, com o apoio de tropa, catequizadas, tupininquim.
Por terra e mar, oficiais e soldados, com o objectivo de acabar com o último bastião da Confederação dos Tamoios e acabar com domínio francês, de duas décadas, em Cabo Frio.           
Depois do cerco e rendição da fortaleza, franco - tamoia, dois franceses, um Inglês e o pajé (na antropologia brasileira – o especialista ritual)  tupinambá foram enforcados. Quinhentos guerreiros assassinados a sangue frio e cerca de mil e quinhentos índios escravizados. Os vencedores, de seguida entraram pelo sertão, queimando aldeias, mataram mais de dez mil índios, aprisionando outros tantos.
Os sobreviventes refugiaram-se na Serra do Mar.
De Macaé a Saquarema, em virtude do massacre, transformou-se num deserto humano, servindo esporadicamente, de passagem para os índios goitacases, na procura de caça e pesca.
Depois do abandono dos portugueses, estes com base na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, estabeleceram um eficiente bloqueio naval.
Com a perda da independência de Portugal, de 1576 a 1615, o porto de Araruama voltou a ser frequentado por navios franceses, Ingleses e holandeses, sempre em busca do pau-brasil e tornando-se também a base da pirataria, contra embarcações portuguesas.
Depois de 1580, redobrou a presença destes, arvorando bandeiras inimigas dos espanhóis.
O então governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, finalmente, recebeu do rei Filipe II, para mais uma vez regressar à região.
A 13 de Novembro de 1615, com a ajuda de quatrocentos homens brancos e índios catequizados, junto à barra de Araruama, levantou a Fortaleza de Santo Inácio e fundando a Cidade de Santa Helena de Cabo Frio.
Em 1616, Estêvão Gomes, fazendeiro e comerciante de escravos africanos no Rio de Janeiro, foi nomeado capitão-mor de Cabo Frio, transferindo o sítio da povoação colonial para o actual bairro da Passagem, que rebaptizou de cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio.

Daniel Costa

sábado, 8 de abril de 2017

SERGIPE E AS UNIDADES FEDERATIVAS DO BASIL

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SERGIPE E AS MAIS UNIDADES  FEDERATIVAS DO BRASIL

Teodósio de Mello, no seu dedicado estudo sobre a colonização do Brasil, por pesquisas várias, foi recolhendo dados sobre o feito dos portugueses, a partir de 1500, no Brasil.
Este país sul-americano é composto por vinte e sete estados (dependências federativas), alguns já constituídos depois da sua independência, pela governação, por desmembramento de outros.
Além do Distrito Federal Brasil, já apresentado, ficam aqui registados os restantes pesquisados por Teodósio de Melo.

SERGIPE:

Politicamente emancipada de Bahia em 8 de Julho de 1820, como capitania de Sergipe D’El-Rei viria, a ser elevada a província, quatro anos depois e a estado depois 69 anos.
A sua colonização, teve início na segunda metade do século XVI, aquando da chegada de navios franceses, em que os seus tripulantes iam trocando diversos objectos por produtos da terra, como pau-brasil, algodão ou pimenta-da-terra.
Entre os finais do século XVI e as primeiras décadas do XVII, a presença dos missionários e várias expedições militares portugueses, afasta os franceses e vence a resistência indígena.
A partir daí, deu-se grande miscigenação entre portugueses e índios.
Entrementes, Garcia d’Ávila, proprietário de terras da região, iniciou a conquista do território, contando com a ajuda dos padres jesuítas para catequizar os nativos.
Na verdade a conquista deste território e a sua subsequente colonização, vieram a facilitar as comunicações entre a Bahia e Pernambuco e impediram ainda as invasões de franceses.
Surgem as primeiras povoações, como o arraial de São Cristóvão.
A capitania de Sergipe D’El-Rey, foi colonizada em 1590, após a destruição de indígenas hostis e começa a exploração do açúcar.
A existência de áreas inadequadas à plantação de Cana-de-açúcar, no litoral, favorece o surgimento das primeiras criações de gado.
Além da produção, de carne e couro, Sergipe tornou-se fornecedor de animais de tracção para as fazendas da Bahia e Pernambuco.
Aquando das invasões holandesas, nas primeiras décadas do século XVII, a economia foi prejudicada. Expulsos estes e retomada a região, pelos portugueses em 1645, o território, na época fazendo parte da Bahia, em 1723 foi responsável por um terço de açúcar.
Como capital deste estado, temos Aracaju, que sucedeu a São Cristóvão, a antiga capital da capitania de Sergipe.

RONDÓNIA:

Os portugueses começaram a percorrer o território do actual estado da Rondónia no século XVI, porém só no seguinte, com a descoberta do ouro aumentou o interesse pelas terras da região.
Em 1776 a construção a construção do Forte Príncipe de Beira, na margem do rio Guaporé veio a estimular a implantação dos primeiros núcleos coloniais.
A Rondónia só bastante mais tarde, por desmembramento de parte do Mato Grosso e do Amazonas, veio a ser estado, com a capital em Porto Velho.

TOCANTINS:

O estado de Tocantins só foi criado no fim de século XX, por desmembramento de parte de Goiás, ficando com a capital na cidade de Palmas, para o efeito, criada de raiz.  

ACRE:

Rio Branco é a capital do Acre, unidade federativa do Brasil, cujo território ocupou militarmente, vindo a incorporar, por negociação com a Bolívia, até então sua detentora.

PIAUI:

No princípio do século XXI, os fazendeiros da região do rio São Francisco, procuravam expandir, as suas criações de gado. Os vaqueiros vindos, principalmente da Bahia, chegaram procurando pastos e passaram a ocupar as terras ao lado do rio Gurgueia.
Em 1718 o território até então na jurisdição da Bahia, passou para a do Maranhão.
Em 1811. O príncipe D. João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal elevou Piauí a capitania independente.
Mais tarde, a sua capital, passou a ser sediada em Teresina, centro-norte do Território, a única capital nordestina, que não se localiza, nas margens do oceano atlântico.

Daniel Costa







quinta-feira, 6 de abril de 2017

AMAPÁ

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AMAPÁ:

Todo o litoral atlântico, a norte da desembocadura do rio Amazonas, segundo o célebre Tratado de Tordesilhas, em 1494, ficou enquadrado no direito de ocupação de Espanha. Acontece que Portugal e Espanha só viriam a explorar a região de Amapá entre 1580 a 1640, quando os reis de Espanha governaram Portugal.
Também franceses, Ingleses e holandeses se interessaram pelo território, na época chamado Costa do Cabo Norte.
Deles extraíram madeira, resinas, frutos corantes como o urucum (açafroa – colorau) e óleos vegetais, ainda produtos de pesca, designadamente, o peixe-boi, guarabá ou manati, (mamífero aquático, que pode pesar 300 quilos) que salgado era vendido na Europa.
No século XVI, a região da chamada Guiana, estendia-se da foz do rio Amazonas à foz do rio Orinoco, onde as tribos caribes e aruaques dominavam.
O termo guiana significa “terra de muitas águas”, na língua aruaque.
No século XVI, Os territórios das Guianas, foram colonizados pela Inglaterra, Holanda, França, Portugal e Espanha.
O estado de Amapá, até meados do século XX, foi chamado Guiana Portuguesa, Guiana Brasileira, depois da independência.
Os portugueses, ao iniciarem a penetração da Amazónia, inquietavam-se com a competição estrangeira.
Bento Maciel Parente, em 1637, obteve de Filipe II a concessão do Cabo Norte, como capitania hereditária, tal como o rei D. João III criara cem anos antes.
Título reconhecido, depois da Restauração, pelo rei D. João IV, nem por isso as incursões estrangeiras, sobretudo de franceses a basear as suas pretensões em cartas-patentes, que o rei Henrique IV fizera em 1605 a Daniel de la Touche, sire de La Ravardière.
Em 1713, o primeiro tratado de Utrecht, dispôs que o limite entre as possessões portuguesas e francesas no norte do Brasil, seria o rio Oiapoque ou de Vicente Pinzón, enquanto consagrou a desistência francesa de usar o rio Amazonas, garantindo a Portugal a posse exclusiva de ambas as margens.
Entretanto, os portugueses prosseguiram com o desbravamento de terras e a catequese de índios, fundando-se missões franciscanas e jesuíticas.
Depois o Marquês de Pombal, que bastante se ocupou da Amazónia, em 1764, ordenou a construção da maior fortaleza da colónia, em Macapá, capital de Amapá, a Fortaleza São José de Macapá.
Para Macapá e Nova Mazagão foram levadas 340 famílias de Mazagão (Marrocos) e açorianos, como colonos.
A fortaleza de São José de Macapá, que os portugueses construíram, constitui por hoje, uma das sete maravilhas do Brasil.

Daniel Costa




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quinta-feira, 30 de março de 2017

RORAIMA E A SUA CAPITAL BELA VISTA

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RORAIMA E A SUA CAPITAL BELA VISTA

Os primeiros portugueses chegaram à região de Roraima através do Rio Branco. Antes já eram atraídos Ingleses e holandeses, com a finalidade de explorar o Vale do Rio Branco através das Guianas.
A soberania de Portugal, sobre essa região só veio ser estabelecida, após os espanhóis invadirem a parte norte, do Rio Branco, juntamente com o rio Uraricoera, a partir de 1725.
Entretanto missionários Carmelitas iniciavam a tarefa de converter os indígenas da região.
Por meados do século XVIII, a Coroa portuguesa passou a preocupar-se com as expedições espanholas à região ocidental da Amazónia, pelo que foi ideada a criação da Capitania Real de São José do Rio Negro.
Isto ocorreu através de Carta-régia de 3 de Março de 1755.
O principal motivo foi a ameaça dos espanhóis do Vice-reino do Perú, mas porque também havia o medo das sortidas dos holandeses do Suriname, com fins de comércio e apresamento de indígenas.
As demarcações previstas no Tratado de Madrid, também influenciaram a medida da criação de nova unidade administrativa na região.
Pretendia-se implementar, a colonização do Alfo do Rio Negro, com a criação do encontro e aos trabalhos das comissões de demarcação portuguesa e espanhola.
Aconteceu esse encontro jamais ter ocorrido, tendo as forças, nesse ínterim, ocupado provisoriamente o curso do baixo rio Branco procedendo à plantação de mandioca e outros produtos, para o aprovisionamento da Comissão.
O forte de São Joaquim, por hoje destruído, construído em 1755 na confluência do rio Uraricoiera com o rio Tacutu, foi determinante na conquista Rio Branco pelos portugueses.
O forte tinha a finalidade de proporcionar a soberania total de Portugal, das terras do Vale do Rio Branco, que despertava a cobiça internacional, devido à sua pouca exploração.
Os colonizadores portugueses, depois de assumirem a soberania e o controle total da região, criaram diversos povoados e vilas, em conjunto com os nativos.
Entretanto, devido aos conflitos entre indígenas e colonizadores, em virtude daqueles não aceitarem submeter-se às condições impostas pelos portugueses, os povoados não se desenvolveram.
Para garantir a presença do homem português, nas terras do Rio Branco, o comandante Manuel da Gama d’Almada iniciou a criação de gado bovino e equino no território.
Entre 1810 e 1811, militares Ingleses penetram no Vale, porém foram expulsos pelo comandante do Forte de São Joaquim.
A fronteira entre Brasil e Guiana precisou de ser remarcada, devido às grandes às grandes invasões Inglesas deste período.
A capital de Roraima é a cidade de Bela Vista, concentrando cerca de dois terços da população do estado.
Bela Vista, além de ser a capital estadual mais setentrional do Brasil, é a única totalmente localizada a norte do Equador.

Daniel Costa