quinta-feira, 10 de junho de 2010

AMOR NA GUERRA

CULTURA DO ALAMBAMENTO

Como aventuras para reter, mais algumas observações:
- Uma prende-se com o facto de numa ocasião, momento único, ter encontrado uma linda mulher quioca, toda pintada de branco. Questionando porquê, veio a sabê-lo:
- As mulheres nativas festejavam o facto em público, mostravando assim ao mundo, que já tinham perdido o cabaço (virgindade).
Naturalmente com o amado que, gostosamente, contavam passar o resto da vida.
Da seguida contam-se passagens, como a do nosso homem que arranjava contactos femininos, através de um servente local. Com mais experiência de vida, cismaria ter tido à mão um elemento a expiar, ao serviço da informação do movimento pró-libertação.
Foi assim que, na sanzala de uma das mulheres passou uma noite de verdadeira orgia.
Tinha sido uma aventura morta à nascença. Mais tarde veio a saber, por ouvir em forma de queixume, não ter havido dinheiro, nem o militar ficara ao menos conhecido. Já então Onofre havia passado, algumas vezes pela mulher, ficando a estranheza pela ausência de qualquer temível manifestação.
Onofre sem se denunciar, soubera disso ao protagonizar outra aventura amorosa numa casa, mesmo em frente.
Mais uma vez, talvez por ausência de disponibilidade temporal, utilizara o servente. Desta vez o "affaire" correu mal, dado que sofreu um ferimento, do que resultou uma hemorragia.
Dali, foi logo procurar apoio no posto de socorros, mesmo correndo a versão de que, o alferes médico titular, apenas receitava aspirina para qualquer maleita.
Foi tratado pelo enfermeiro, cabo Simões, também oriundo da Gabela, que desaconselhou contactos com o clínico, Taxativamente, recorreria à circuncisão.
Já lhe ocorrera a seguinte questão, em pensamento:
- Pelo perfil, o alferes médico não seria de origem judaica?
Militar mirando do alto o horizonte visiual

Com a indispensável mediação do servente, o Onofre obteve também a experiência de um pequeno, mas inesquecível serão. Num terreiro, apenas com a luz do luar, a em todo o redor vários anciãos conselheiros reunidos, tratava-se da compra por alambamento de uma rapariga para casar.
Seria mais uma maneira de conhecer, como se processava a união e a resultante actividade sexual amorosa.
Tratava-se da forma usada pelo povo da Lunda, para a consumar uma união. A mesma consistia na introdução de um valimento, a pagar ao pai da pretendida.
Na questão, punha-se o problema do futuro noivo não possuir gado ou qualquer produto da terra para o "negócio".
Afinal, tudo poderia ser ultrapassado com dinheiro.
À rapariga, porque era bonita e tinha cabaço, era atribuído um valor de vinte e três mil escudos, um custo importante em 1963!...
A partir dessa interessante "encenação", o Onofre ficou a saber efectivamente, como era a prática do alambamento, dos quiocos.
O facto não passou, obviamente, de uma memorável recordação!...

Daniel Costa

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