sexta-feira, 30 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

DESASTRE EVITA ATAQUE

Como ainda se estava em tempo de tempestades tropicais, assistiu-se a várias, era a África!...
Onofre não podia deixar de observar também esse aspecto, de que guardou recordações.
A nove de Novembro 1962, pôde ficar anotada uma dessas memórias do tempo.
Na pista de aterragem do Tari, onde se estava de guarda a uma avioneta ali estacionada, havendo um calor desmedido.
Face ao mesmo foi erguida uma tenda, para protecção dos raios solares.
A mesma veio a servir de abrigo de uma chuvada extremamente intensa de seguida.
Era assim o clima tropical daquela parte de África!....
Tinha-se iniciado a cobertura defensiva da citada avioneta, que no caso de emergência serviria de apoio a um grupo de pára-quedistas em actuação de "limpeza" na zona.
Os soldados aproveitavam a avioneta  para sevir de fundo as suas fotos

A operação durou até dia catorze, naturalmente com várias rendições da guarda.
Depois de passada a tempestade tropical, o tempo e o serviço até se tornavam agradáveis, mesmo o dormir ao luar, fora dos necessários tempos de alerta, que cada um tinha de cumprir.
Até que, precisamente nessa tarde, se ouviu uma grande explosão, logo pareceu na cozinha do aquartelamento do Tari.
Pensou-se em muitas hipóteses, mas foi numa das casernas, pois não tardou a resposta, visto que se estava apenas a três quilómetros.
Começaram de imediato a chegar feridos em transportes terrestres, do ar avionetas e helicópteros, para os transportar Hospital Militar de Luanda.
Todo o contingente de serviço na pista, actuou a ajudar na instalação nos veículos aéreos, acarinhando os camaradas feridos, a evacuar, para breve serem ser assistidos em Luanda.
O lance causou elevado constrangimento, marcado também por um dos helicópteros transportar dois feridos na parte de fora, numa espécie de caixas, dando a ideia de se tratar de caixões fúnebres.
Do acidente, resultaram duas baixas e oito feridos.
Resultou grande destruição, como por exemplo, um soldado tendo o fardamento guardado no seu saco de campanha, este ficou reduzido ao metal que servia de fecho.
Na sala de oficias, com uma parede a dividir, um oficial que descansava foi atingido com gases na cara, ficando esta chamuscada.
Aconteceu que, talvez por descuido:
- Tendo regressado um pelotão de uma batida, como era usual a Bazooca ficou ligada, com a respectiva granada. Alguém brincou com a arma e deu-se a explosão.
Alguém, desconhecendo o facto, terá "brincado" com a mesma, provocando o seu rebentamento.
Em termos operacionais, não se pode saber, o que teria ter acontecido de pior: se o grave acidente bélico, se o ataque terrorista previsto à tropa em vigilância, pois de seguida ao rebentamento, ouviu-se o característico alerta, denunciando por uma batucada.
Era o sinal do adversário para o abortamento do ataque terrorista que estava em movimento.
Os guerrilheiros da UPA também ouviram o estrondo, pensando terem sido descobertos, alertavam para a abortarem com a consequente retirada.
A operação terrorista, se levada a cabo teria sido desastrosa, uma vez que o contingente, em serviço ao campo de aterragem, se encontrava muito descontraído e o factor surpresa é importante em todas as guerras!
Uns jogavam as cartas, outros comentavam sobre as performances de mulheres das suas Madrinhas de Guerra, mostrando as respectivas fotos.
Ainda outros, do tempo que ainda faltava para irem ao encontro das namoradas.
Dos seus projectos a dois, etc.

Daniel Costa

1 comentário:

  1. Daniel,
    cONFESSO que não li.
    Quero estar pertinho em qualquer estação.

    Beijos e um um fds de muita paz e alegrias
    Não tem masi o blog de poesias?

    Beijos

    ResponderEliminar