quinta-feira, 1 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

LIBERTAÇÕES

Ainda nesse mês de Março, logo no dia doze houve o primeiro ferido, com pouca importância, calhou ao Alferes Faria.
Em quatro de Abril desse ano, de mil novecentos e sessenta e dois, numa das constantes operações (batidas), o Esquadrão fez os primeiros prisioneiros, dois miúdos que não terão tido a ligeireza e a sagacidade suficientes para fugirem com os progenitores.
Pensa-se que, pelo menos, uma morte aconteceu do lado inimigo, que foi assim o primeiro a ser contabilizado.
Primeira morte em combate no Esquadrão 297
Após as escoltas já entradas nos serviços de rotina, fazendo parte da vida do aquartelamento, que terá sido de facto a mais aventurosa do Onofre, este muito dado à nostalgia, que erroneamente poderia parecer tristeza, pois o nosso homem acatara aquela fase da existência, como um pensador.
Sendo um modo de a conduzir, como se descesse a rua assobiando uma ária, a mente conduzia-o, no entanto, a estados de alma, que lhe traziam recentes memórias de juventude presente.
Um dia concluiu que, afinal aquele tipo de ocupação involuntária, estava a tornar-se a aventura, que a ainda curta existência não lhe proporcionara.
Estava sendo também sua actividade militar a tarefa mais bem remunerada até então, jornadeando, aqui e além ainda que tendo em conta épocas, do ano mais promissoras, devido à performance atingida na execução de qualquer tarefa do campo.
Primeiro morto em combate
Aquela era a mais conseguida, monetariamente, sem contar com o sustento e a farda.
Falar do Onofre trabalhador é mencionar, quase de certeza um dos últimos grandes jornaleiros do campo, que o Oeste possuía.
Era assim, que muita tropa sustentava a possessão, após a Segunda Guerra Mundial, em que se estavam a tornar independentes vários territórios ultramarinos.
Escolta a trabalhadores na apanha do café
A Pátria Lusitana, do Minho a Timor, a partir de um pedaço de terra chamado Portugal estava a desmoronar-se.
De qualquer modo, os militares habituavam-se, por influência nativa, sem qualquer sombra de maldade, a apelidar de "Puto" a parte da grande Nação, que se encontrava mais a norte da Europa.
Não havia dúvida, aquela guerra ainda em princípio, seria a grande semente, para tornar Portugal num verdadeiro País europeu, onde ia deixar de haver grandes homens, apenas a servir para alimentar guerras.
Naquele acantonamento, era suposto duas vezes por semana aterrar uma avioneta, transportando produtos comestíveis frescos, para alternar com os abastecimentos chegados em coluna militar, na confecção da alimentos, como também o pacote com o correio, enviado por familiares, amigos ou Madrinhas de Guerra.
Porém chegava a haver falhas de quinze dias e mais, sem dúvida desmoralizante.
Isto revelava-se uma grande lacuna, que se podia apontar, ao que se poderia considerar uma razoável organização estratégica de serviços de retaguarda.
De uma maneira geral, todo o pessoal possuía a modéstia suficiente para sofrer, mas a falta de correio trazia grande desânimo ao grupo.
De notar que a cerca de três quilómetros do aquartelamento, já havia uma pista de terra batida, para pequenos aviões, havendo nos dias convencionados da chegada destes, um pelotão de serviço, com o fim de tomar posição de guerra, para os receber com a devida protecção anti-terrorista.
Por vezes, um sargento piloto, amigo sobretudo do Primeiro-Sargento residente, que respondia pelo Esquadrão, passava por ali e obviava a falha, rasando o aquartelamento, com o lançar do saco de correio para terra, donde era apanhava com sofreguidão.
Chegado o primeiro dia de Páscoa, naquela zona de guerra, houve uma confraternização mais alargada, com militares artistas ali estacionados, onde se contavam dois acordeonistas.
A vinte e três de Abril o pelotão de que fazia parte o pelotão a que Onofre pertencia foi destacado para a Fazenda Vista Alegre, em substituição da guarnição que o Esquadrão ali mantinha destaca e vigilante, como parte integrada.

Daniel


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