terça-feira, 13 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

A MAGIA DO RIO LIFUNE

O Rio Lifune está implantado na região onde principiou a rebelião da grande Colónia de Angola, uma das que Portugal ia administrando em África, destinada a subverter a situação que os naturais, assim como a opinião pública mundial consideravam injusta.
Na antiga Região dos Dembos, banhada pelo Lifune, onde o Onofre se movimentava, vivendo uma aventura, que não era mais do que o grande desejo de liberdade, de conhecer novos horizontes, em resumoa mobilização para a guerra estava ali a conferir-lhe a grande oportunidade desejada.
Assim aquele Rio era a magia com que convivia diariamente, sustentava a ponte de alvenaria por onde tinha passado toda a estrutura militar, que retomara à ainda rudimentar organização da UPA, a "fortaleza" que esta fizera da célebre povoação de Nambuangongo.
Penhasco sob a ponte do rio Lifune
Não sem antes os terroristas terem tentado destruí-la, com o sentido de cortar o avanço à coluna militar que por aí se deslocava.
Por a posição da tropa no terreno, no encaminhamento do objectivo não o permitir, só foram destruídas a maior parte das guardas laterais, bem como alguns locais onde estavam colocados os pilares dessa.
Dois solados posam junto a um carro destruído,
os pneus aproveitados para improsisar cançado

O rio Lifune percorria a calma região entre a Fazenda Tari, que assim ganhara o prefixo do Rio e a Fazenda que ostentava a designação da mesma corrente aquífera, de seu nome próprio Lifune, tudo por uma questão de proximidade e referência.
Todo este corredor feito picada era o mais percorrido, em viaturas, pelo Esquadrão sedeado no Tari, bem como a parte destacada na Vista Alegre a constituir também um ponto da importante rota.
Barbeiro improvisdo
Torna-se claro que o Grande Esquadrão a ocupar uma vasta zona, estava sempre em movimento, por tudo o que era picada, mesmo secundária, mas aquela era a mais directa ao Comando do Batalhão sito em Muxaluando.
Nas roças abandonadas, em virtude do terrorismo, de designações como Portugália, Quincuso e outras. As visitas só tinham a ver com a manutenção da soberania nacional, ao tempo tão propalada em todo o território.
Como um militar, fazendo parte de um grupo está sempre em guerra, nas quase diárias surtidas naquele corredor, sempre se passava pelo Lifune (Fazenda).
O Lifune fica logo no fim da descida, do que fora a grande povoação de Muxaluando e ao mesmo tempo centro comercial de certa importância, antes da actuação guerrilheira, do grupo denominado UPA, pelo que o Onofre e a estrutura do pelotão a que pertencia, estavam muito em acção e sempre a passar por ali, onde se cultivava um enorme palmeiral.
Imagem da Senhora de Fáttima recapturada
e colocado num nicho feito a propósito
A grande plantação originava uma fábrica em laboração quase contínua, na produção de óleo de palma. A única que se podia encontrar naquelas latitudes.
Porém, o que mais entusiasmos atraía nos militares, era a Dolores, uma preta nova e bonita, que sempre se deixava ver.
Refira-se a circunstância da raridade que representava, naquelas paragens, uma visão feminina. No entanto sabia-se da sua união conjugal ao chefe da laboração da fazenda.
Uma das atribuições que cabia aos militares, era o de também escoltar trabalhadores na safra do café, abundante e de grande qualidade na região, em fazendas que iam laborando, mesmo que os fazendeiros tivessem tido de abandonar as roças e procurar refúgio junto dos aquartelamentos, improvisados para efectivar a defesa de todos os bens da comunidade.
O rio Lifune também tinha a sua utilidade para a pesca dos lagostins. Ali se ia colocando armadilhas para os captar, só Oficiais e Sargentos eram beneficiários do produto.
Para essa actividade, como para todas as efectuadas fora do arame farpado a rodear as instalações, sempre tinha de haver um serviço de escolta.
No Lifune Tari, além de existir um rebanho de cabras, que se possuía por compra à tropa substituída, foi criada uma exploração agrícola, cujos produtos produzidos serviam para abastecer o rancho.
Os soldados a colaborar na agricultura, faziam-no sempre devidamente armados. O Sargento que se encarregava do comando da exploração, depressa tomou o cognome de "Lavrador".
Coisas que também os rapazes, mesmo em guerra não se cansavam de inventar. No caso partindo do atribuído ao rei D. Dinis, monarca da primeira dinastia.
A vinte e nove de Julho, foi dia de outra integração:
- Pelas três da manhã, em escolta de protecção a um outro pelotão do Esquadrão a participar numa das muitas operações militares, incluindo incursões no denso matagal, com o objectivo de reduzir o terreno desfrutado a belo prazer pelos bandidos da mata.
Consumada a operação terrestre, enquanto os elementos de serviço, em grupo motorizado deixando, como acontecia regra geral, em sentido contrário.
Os soldados atacantes foram recolhidos a meio da manhã pela mesma força, numa via transversal situada num ponto pré-determinado.
Veio a saber-se terem sido feitas várias baixas.

Daniel Costa

1 comentário:

  1. Daniel,
    Não consegui entrar no outro bloguuer,

    Querida amiga,

    eu comungo nesta partilha. Um verdadeiro banquete espiritual. Um alimento para a alma! Que mais e mais pessoas possam desfrutar desta partilha que é luz e amor! Obrigada!


    Um beijo estalado de bom!


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