terça-feira, 6 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

VISTA ALEGRE

Chegados à Fazenda Vista Alegre, a substituir o pelotão ali instalado, local donde partiu a tropa do Tenente-Coronel Maçanita, no ataque final ao bastião dos terroristas da UPA, agrupados na povoação de Nambuangongo, retomada alguns tempos antes.
A troca dera-se de imediato, uma vez que os militares pertencentes ao mesmo Esquadrão, já estavam bastante rodados nos movimentos a efectuar no cenário.
O serviço de escoltas continuou.
A partir daquele destacamento, saia-se muito para o Tari e Muxaluando, os corredores mais vigiados pelos militares daquela posição. Eram visitadas, em reconhecimento as roças vizinhas, onde só se encontrava destruição.
Amoço em Vista Alegre
As muitas visitas que se faziam ao Tari, onde estava instalado o comando do Esquadrão, eram sempre em missão de escolta, a par de trazer a área sempre debaixo de protecção.
Visavam o abastecimento, mas sempre na mente de todos os elementos, o correio e os frescos que a avioneta devia trazer duas vezes por semana, para dar o tão simples como o esperado conforto aos militares.
No entanto, continuava a passagem a ser muitas vezes miragem, tantas quantas as bastantes falhas.
No Domingo 10 de Junho de 1962, numa operação levada a cabo por tropa do Tari, deu-se a primeira baixa do Esquadrão.
A bandeira estava içada a meia haste e reinava a tristeza naquele aquartelamento.
Aconteceu num reconhecimento feito a um local, que a aviação bombardeara na véspera além da baixa, houve ainda quatro feridos, que acabaram por ser evacuados, de avioneta, para o Hospital Militar de Luanda.
O Onofre havia já travado conhecimento com um dos evacuados, numa efémera passagem pelo Hospital Militar de Elvas. A sua baixa à unidade hospitalar, teria o fito de livrar-se da vida militar e consequentemente da ida para o Ultramar, por ser oriundo de família abastada que tudo podia pagar.
Na circunstância pôde ler-se a notícia da sua morte, num jornal luandense. Pensara-se, por via disso, nunca saiu mesmo da cabeça de Onofre que a local poderia objectivamente ser forjada, visto jamais se dar o regresso daquele elemento ao Esquadrão.
A vida nas instalações improvisadas da Fazenda Vista Alegre, com o optimismo do Onofre, era agradável e o jogo de cartas continuava uma constante dos tempos livres.
Tornara-se uma actividade rentável. Pertencendo o Picão também ao pelotão destacado, continuava a ser o providencial parceiro.
Determinado furriel, que também pertencia ao pelotão e era civilmente bastante rico, logo de manhã fazia a sua abordagem para o jogo da sueca.
Como era evidente, perdia todos os dias.
Naquele aquartelamento fora passada a primeira quadra dos Santos Populares em Angola. Foi comemorada ali, com as tradicionais e festivas fogueiras.
No destacamento, além dos serviços de escoltas, inevitavelmente, estava presente a vigilância, dela dependia a relativa tranquilidade que se ia usufruindo.
Grupo descasca batatas a cozinhar para a refeição
Foi mesmo nesse dia, já em nova missão no corredor Tari - Vista Alegre, no célebre "bate e foge" daqueles tempos, que o Onofre e companheiros, sentiram a flagelação de uns tiros sem importância, mais para lembrar o estar-se ali a enfrentar uma guerra.
Estava a entrar-se numa fase de mais maturidade e muita actividade, naquela zona caracterizada por densa vegetação, grandes árvores e muitas plantações de cafeeiros.
Bananeiras, uma planta a poder ser considerada endémica, havia-as de várias qualidades e toda a gente tinha o seu próprio fornecimento dessa fruta, colhida numa das inúmeras sanzalas e roças abandonadas.
Abastecimento de bananas

Ao contrário os ananases, frutos que por vezes se encontravam nas mesmas circunstâncias, tornavam-se mais apetecíveis, mas não se reproduziam espontaneamente, como a bananeira, impossível de aprovisionar assim individualmente.

Daniel Costa

1 comentário:

  1. Olá Daniel,
    Estou aqui no seu blog,já dê uma vista de olhos nos seus outros blogs,mas visto que sou um ex-combatente, vou seguir este, tem aqui bastas coisas que eu gosto de saber.

    Um abraço,
    José,

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