quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CIDADE DE NATAL - OCUPAÇÃO HOLANDESA

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CIDADE DE NATAL - OCUPAÇÃO HOLANDESA

Data de 21 de Dezembro de 1631 que, uma frota de 14 navios, com dez companhias de combatentes veteranos, comandada por Hartman Godefrid Van Steyn-Gallefels, partiram de Recife, rumo à cidade de Natal, desembarcando em Ponta Negra, depois em Genipabu.
Cerca de dois anos depois, em cinco de Dezembro de 1633, outra esquadra comandada por Jean Cornelis Sem Lichtard, com tropas que Baltazar Bim comandava, vieram a partir de novo do Recife para a capitania de Rio Grande do Norte.
Ferindo Pero Mendes Gouveia, capitão-mor, tomaram a Fortaleza da Barra do Rio Grande do Norte, que se passou a chamar Castelo de Keulen, dando assim início ao domínio holandês da capitania.
Durante o domínio holandês, a Holanda apenas se preocupava em explorar a região, pondo cobro a qualquer tipo de resistência.
De notar, o que se deu em 1645, quando o fanatismo religioso conduziu aos massacres de Cunhaú e Uruaçú, numa chacina no contexto das invasões holandesas, nos Engenhos de Canguaretana e São Gonçalo de Amarante.
Conta-se que Jacob Rabbi, judeu alemão, conhecido dos moradores por já ter passado, anteriormente, escoltado pelas tropas dos índios Tapuías, deixando ódio e destruição. Veio então com mais forças, além dos Tapuias, vinha com alguns potiguares e soldados holandeses.
Como de costume, sendo Domingo, 16 de Julho de 1645, na Igreja de Nossa Senhora das Candeias, o pároco André de Soveral, começou a celebração da missa e depois da elevação do Corpo e Sangue de Cristo, as portas da Capela foram fechadas, foi então que as cenas de atrocidades tiveram lugar.
Depois, em 3 de Outubro do mesmo ano de 1945, a mesma cena em Uruaçu, também a mando de Jacob Rabbi.
Finalmente, depois de 21 anos, em 1654, o domínio holandês terminou no Rio Grande do Norte.
Contudo, os batavos (holandeses) deixaram a capitania, deitando fogo, deixaram um rasto de destruição.
Anos depois, o Rio Grande do Norte envolveu-se noutro conflito – Guerra dos Bávaros – que agravou a situação, continuando a impedir o desenvolvimento local.
Em 1695, Bernardo Vieira de Melo, assume o governo da capitania e finalmente, a região foi pacificada.
Em 11 de Janeiro de 1701, o Rio Grande do Norte foi subordinado a Pernambuco, posteriormente, à Paraíba.
Durante todo o século XVII a agro-pecuária foi a base da economia potigular, o nome dado a quem nasce no Rio Grande do Norte.
Fundada no dia de Natal de 1599, nas margens do Rio Potengi, a cidade de Natal, mundialmente conhecida, foi desde logo, a capital do Rio Grande do Norte.
A fazem conhecida, importantes monumentos, parques, museus e pontos turísticos. De destacar o Teatro Alberto Maranhão e a Coluna Capitolina Del Pretti no Centro Histórico,  a Ponte New Navarro, o Museu Câmara Cascudo, o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, o Museu de Cultura Popular, o Parque das Dunas, a Catedral Metropolitana e praias como Ponta Negra e dos Artistas.

Daniel Costa





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

RIO GRANDE DO NORTE

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RIO GRANDE DO NORTE

Em virtude da localização geográfica, que forma um vértice, a nordeste da América do Sul, a que foi a capitania do Rio Grande do Norte é tido como uma das “esquinas” do Brasil e do continente. Esta posição acaba por lhe conferir grande projecção o Atlântico.
A história local inicia-se a partir do território que é o Brasil de hoje, quando se deu uma onda de migrações para os Andes. Depois para o planalto da região Nordeste, até chegarem ao Rio Grande do Norte.
Ao longo da sua história, o território foi sofrendo invasões de povos estrangeiros, sendo os principais franceses e holandeses.
Em 1535, a então Capitania do Rio Grande do Norte, terá sido doada pelo Rei de Portugal, D. João III a João de Barros.
No entanto, a historiografia do Rio Grande do Norte, começa muitos séculos antes da chegada dos portugueses.
Inicialmente há 11.300 ou 9.000 anos, o território era habitado por animais. Algum tempo depois começou a ser povoado por caçadores.
Alguns desses povos primitivos deixaram vestígios em sítios arqueológicos de Angicos e Mutamba, onde foram achados pormenores de arte rupestre em rochas e em paredes de cavernas, desde inscrições até pinturas.
É discutido o significado, entre as várias teorias, a mais aceite é a que afirma que tais vestígios serviam como meio de comunicação e não como manifestações artísticas.
Acredita-se que, antes da chegada dos portugueses, navegadores espanhóis, como Afonso de Ojeda e Diego de Lepe, teriam chegado a terras do Rio Grande do Norte.
A primeira expedição, a chegar a terras do Rio Grande do Norte, que contava com a participação de Américo Vespúcio, deu-se em 10 de Maio de 1501 que, depois de onze semanas de viagem, aportou no Cabo de São Roque. Ali foi fixado o primeiro marco, de posse, colonial português no Brasil.
Sendo incerto o nome do comandante dessa expedição, o mais aceite é Gaspar de Lemos.
Pouco tempo depois, o litoral brasileiro começou a ser visitado por corsários.
Foi então que, ao saber-se disso em Portugal, D. João III, para os conter, enviou expedições, entre 1516 e 1519 primeiramente e posteriormente em 1526 e 1528.
Em 1534 dividiu a colónia em capitanias hereditárias, entre elas, Rio Grande do Norte, de João de Barros, que possuía uma extensão de cem léguas.
Em 1535 foi organizada uma expedição de cinco naus, cinco caravelas, com novecentos homens e mais de cem cavalos, comandada por Aires da Cunha, que fracassou após a sua morte.
Mais a norte, os portugueses fundaram um povoado a que chamaram Nazaré, onde se mantiveram três anos.
Doada a João de Barros, a colonização da capitania, resultou em fracasso, dando-se a invasão de franceses, que começaram o contrabando do pau-brasil.
Com a União Ibérica, em que Portugal ficou sob o domínio de Espanha, o rei Filipe II de Espanha e I de Portugal, lançou a sua atenção sobre a colónia do Brasil, em especial ao Norte e Nordeste e, ao entender o clima de ameaça francesa, determinou por duas cartas régias (1596 e 1597) a expulsão dos franceses, a construção de uma fortaleza e a fundação de uma cidade.
Os franceses dominaram Rio Grande do Norte até ao ano seguinte, até que, com o comando de Jerónimo de Albuquerque e Manuel de Mascarenhas Homem, para garantir a posse das terras, construíram a Fortaleza dos Reis Magos.
Os franceses foram expulsos, foi terminada a Fortaleza João de Deus Colaço e fundada a cidade de Natal, em 25 de Dezembro de 1599.

Daniel Costa






domingo, 11 de setembro de 2016

OLINDA CAPITAL COLONIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO

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OLINDA CAPITAL COLONIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Dominada pela Espanha, na ocasião denominada União Ibérica, 1580 / 1640 a Holanda, tendo conseguido a sua independência, vê em Pernambuco uma oportunidade para impor duro golpe ao reino de Filipe IV de Espanha e III de Portugal.
Assim, a capitania de Pernambuco foi invadida pela Companhia das Índias Ocidentais, visto aquele território ser então o maior em produção de açúcar da América portuguesa.
Foi a 26 de Dezembro de 1629 que, de Cabo Verde, partiu para Pernambuco, sob o comando do almirante Hendrick Lonck, poderosa esquadra holandesa, de 67 navios com cerca de 7000 homens, desembarcando na praia de Pau Amarelo. Em Fevereiro de 1630 conquistaram a capitania, estabelecendo ai o que designaram, a colónia de Nova Holanda.
Na passagem do Rio Doce a frágil resistência, foi derrotada e sem grandes contratempos, os holandeses invadiram Olinda.
Olinda era a cidade mais rica do Brasil Colónia, o que se manteria, sendo que pouco antes de 1608, a cidade chegou a ser referida como uma “Lisboa pequena”, quando os holandeses a saquearam, destruíram e incendiaram, escolhendo o Recife para capital do Brasil Holandês.
Após a insurreição Pernambucana, Olinda voltou a ser a sede da Capitania, porém sem a influência anterior.
Mais antiga das cidades brasileiras, declaradas pela UNESCO Património Histórico e Cultural da Humanidade. Olinda foi o segundo centro histórico do país a receber o título, em 1982, após Ouro Preto.
É considerada uma das localidades coloniais melhor preservadas do Brasil.
Os moradores em pânico fugiram como puderam. Alguns focos de contenção foram eliminados, em pouco a capital Olinda e o seu porto, Recife, foram tomados, destacando-se a bravura do capitão André Temudo em defesa da Igreja da Misericórdia.
Maurício de Nassau, conde desembarcou na Nieuw Hollanda (Nova Holanda), acompanhado por uma equipa de arquitectos e engenheiros, em 1637 e começa a construção de Mauritsstad (Recife actual), que foi dotada de pontes, diques e canais, para vencer as condições geográficas locais, que se lhe apresentavam.
O arquitecto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como Palácio Friburgo, sede do poder de Nassau, nessa Nova Holanda.
Também o observatório astronómico, tido como o primeiro do Continente Americano.
Em 28 de Fevereiro de 1644 foi ligada à Cidade Maurícia, com a construção da primeira ponte da América Latina.
Durante o governo de Nassau, Recife foi considerada a cidade mais cosmopolita das Américas, tinha a maior comunidade judaica do continente, que à época construiu a primeira sinagoga do novo mundo, a Kahal Zur Israel, assim como a segunda, a Maquen Abraham.
Sendo um dos mais importantes motivos, a causa próxima, a exoneração de Maurício de Nassau, do governo da capitania, pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de Pernambuco, rebelou-se contra o governo do invasor.
Num movimento denominada Insurreição Pernambucana 1645 / 1654, ou Guerra da Luz Divina, em 15 de Maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurrectos pernambucanos, assinaram um compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania.
Com o acordo assinado, inicia-se o contra-ataque. A primeira vitória importante deu-se no Monte das Tabocas, onde 1200 homens armados de armas de fogo, foices, paus e flexas, numa emboscada derrotaram 1900 holandeses, bem armados e treinados.
O sucesso deu ao líder António Dias Cardoso, o apelido de Mestre das Emboscadas.
Os holandeses foram sucessivamente derrotados. Numa faixa que ficou conhecida por Nova Holanda, que ia do Recife a Itamaracã, os invasores holandeses começaram a sofrer a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações, nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo.
Em 24 de Abril de 1646, deu-se a famosa batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas, armadas de utensílios agrícolas e armas leves, expulsaram os invasores, definitivamente.
O facto histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar. de mulheres, na defesa do território brasileiro.

Daniel Costa





domingo, 4 de setembro de 2016

PERNAMBUCO


PERNAMBUCO

É no nordeste do Brasil que, se concentram alguns dos mais antigos sítios arqueológicos, conhecidos do país, com a data de 40.000 anos.
Em Pernambuco, no Vale do Calimbau, Pinturas Rupestres estão datadas de cerca de 11.000 anos.
Ainda na região que, actualmente, corresponde ao estado de Pernambuco, houve identificação de vestígios seguros de ocupação humana, superiores a 11.000 anos, nas Regiões de Chã do Caboclo, Bom Jardim, Furna do Estrago e Brejo da Madre de Deus.
Em Brejo da Madre de Deus, foi descoberta importante necrópole pré-histórica com 125 metros quadrados de área coberta, donde foram resgatados 83 esqueletos humanos em bom estado de conservação.
Dentre, os indígenas que habitaram o estado, foi, identificada a tradição, cultural Itaparica, responsável pela confecção de artefactos lascados, há mais de 6.000 anos.
Depois no Agreste Pernambucano, conservam-se pinturas rupestres, aproximadamente de 2.000 anos, atribuídas à sub - tradição Cariris Velhos.
Já desapareceram do litoral de Pernambuco os Tabajaras e os Caetés da época da colonização.
Nos brejos do interior, do estado ainda é possível encontrar grupos de indígenas de antigas tradições, como os Pankararu (Tucaratu) e os Atikum (Floresta).
Há teorias, sobre quem foi o primeiro europeu chegar a terras que hoje formam o Brasil, sendo a mais aceite é a que defende que foi o Espanhol Vicente Yáñez Pinzón, em 26 de Janeiro de 1500, possivelmente, ao Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco.
Porém, o local sempre foi controverso.
Para alguns pesquisadores portugueses, os espanhóis teriam desembarcado a norte do Cabo Orange, na actual Guiana Francesa.
No ano seguinte, da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1501, o território de Pernambuco, que o Tratado das Tordesilhas, definiu como região pertencente á América Portuguesa, foi explorado pela expedição de Gaspar de Lemos, que teria criado feitorias ao longo da costa da colónia, possivelmente, inclusive na actual localidade de Iguassu, cuja defesa, seria futuramente confiada a Cristóvão Jaques.
Pernambuco tornar-se-ia a principal área de exploração do pau-brasil (pau-pernambuco) no Novo Mundo.
A madeira pernambucana era de uma qualidade tão superior, que regulava o preço no comércio europeu.
Efectivamente, o povoamento de Pernambuco, inicia-se em 1534, quando a colónia foi dividida em capitanias hereditárias. O território do actual estado, equivale a parte da Capitania de Pernambuco, doada pelo Rei D. João III no dia 10 de Março de 1534 a Duarte Coelho, sendo parte da capitania de Itamaracã, doada a Pero Lopes de Sousa.
Em 1535, Duarte Coelho tomou posse da capitania, a princípio baptizada por “Nova Lusitânia.
A designação durou pouco, depois recebeu a designação que tem hoje o Estado.
Em 1537, as povoações de Iragassu e Olinda foram elevadas a vilas.
Olinda recebeu o título de capital administrativa.
O seu porto, habitado por pecadores, viria a dar origem à cidade do Recife.
As vilas de Igarassu e Olinda, estão entre os primeiros núcleos do povoamento do Brasil e serviram de ponto de partida, a expedições desbravadoras do interior da capitania.
Dessas expedições, uma foi chefiada, pelo filho do donatário, Jorge de Albuquerque, que penetrou no sertão até ao rio São Francisco, assegurando o domínio e expansão do interior, combatendo os índios hostis.
Por sua vez, Duarte Coelho, instalou em Pernambuco os primeiros engenhos de açúcar da colónia, incentivando também o plantio do algodão.
Em pouco, a capitania tornou-se a principal produtora de açúcar de colónia do Brasil.
Como consequência, era a mais influente e próspera das capitanias hereditárias.
Em Pernambuco, surge assim duma sociedade açucareira dos grandes latifundiários da cana-do-açúcar, que perdurou nos seguintes dois séculos.
A prosperidade de Pernambuco, transformou a Capitania num ponto muito cobiçado por piratas e corsários europeus.

Daniel Costa