sexta-feira, 21 de outubro de 2016

CIDADE DE FORTALEZA - TRATADO DE TABORDA

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CIDADE DE FORTALEZA – TRATADO DE TABORDA

Entre 1637 e 1644 o forte da barra do Ceará foi reformado, com a construção de outro em Camocim.
Em 1639, George Marcoral, esteve no Ceará para uma expedição que, partindo do Fortim de São Sebastião, percorreu o oeste cearense até à região dos Inhamuns (microrregião dos Sertões cearenses).
Os holandeses permaneceram naquela Capitania até 1644, quando Gedeon Morris e sua tropa, que regressavam das batalhas no Maranhão, foram mortos numa emboscada, organizada pelos próprios índios.
Com essa emboscada de 1644, o Fortim de São Sebastião também ficou destruído.
De 1644 a 1649, o Ceará foi administrado pelas etnias então existentes. A presença europeia só recomeçou, depois de contactos e negociações, ao fim desse período. Negociações feitas entre nativos e António Paraupaba em 1648.
Com a chegada de Matias Beck em 1649, o Siará Grande, conheceu novo período histórico, porquanto na embocadura do riacho Pajeú, foi reconstruído o Forte Schoonenborch. Foram iniciados trabalhos de busca de supostas minas de prata, pelos holandeses, que procuravam mais uma vez, estabelecer-se na região, de parceria com os indígenas.
Após a capitulação holandesa em Pernambuco, a que a Capitania do Ceará estava então anexada, o forte foi entregue aos portugueses, que o rebaptizaram de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.
Restabelecia-se assim o poderio português no território. Neste período, as várias nações indígenas, que não estavam protegidas pelo Tratado Taborda, fugiram das retaliações portuguesas.
A capitulação holandesa aos portugueses foi assinada no Campo Taborda, no Recife a 26 de Janeiro de 1654.
Chamou-se Taborda ao Tratado por este ter sido feito nas terras do pescador Manuel Taborda.
A situação dos holandeses no Brasil, desde 1653, era inviável depois de tantas derrotas em batalhas com os portugueses.
As condições de vida no Recife já lhes eram precárias, devido à guerra declarada pelas forças portuguesas.
Foi diante deste cenário que os holandeses iniciaram as negociações de capitulação.
Gislbert de With, chefe do Conselho de Justiça do Brasil Holandês, foi um dos negociadores que, em 24 de Janeiro de 1654 e no dia seguinte, traduziu o Tratado e entregou aos portugueses e aceite por estes.
As condições principais, eram que a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, abdicava de todas as posses no Brasil e que os holandeses deixariam o solo brasileiro.
A evacuação holandesa do Recife só veio a acontecer a partir de Abril de 1654.
O acordo tinha várias cláusulas, que procuravam resolver as condições existentes dos holandeses em terras brasileiras, como os casamentos entre eles, os casados com brasileiras ou outras e as suas distintas posses.
A comunicação deste, aos sítios distantes da capital holandesa: exemplo a cláusula 13ª. ordenava o envio de uma embarcação para pessoas e bens.
Graças a esta, Matias Beck, no Forte Schoonenborch, teve conhecimento do acordo por portugueses e desta forma foi dos últimos holandeses a deixar o Brasil.
Na continuação da colonização pelos portugueses, a influência dos jesuítas foi determinante, resultando a criação de aldeamentos, como os de Porangaba, Paupina, Viçosa e outros, muitos deles fortemente militarizados, nos quais os indígenas eram concentrados para serem catequizados e assimilarem a cultura lusitana.
Tribos tupis, aliadas dos portugueses, também se instalaram em vilas militarizadas. Dessas surgiram as primeiras cidades da capitania, como Aquiraz e Crato.
O processo de aculturação, não se deu sem grandes influências e crenças, dos costumes nativos.
A intensa resistência conduziu a episódios sangrentos, como a Guerra dos Bárbaros, que se deu ao longo de várias décadas do século XVII.
Outras frentes colonizadoras surgiram com a instalação da pecuária na capitania, através dos sertões, com levas oriundas, respectivamente, da Bahia e de Pernambuco, de vilas como Icó, Aracati, Sobral e outras surgiram ao encontros de rotas do gado tangerino levado às feiras e fregueses. Mais tarde o custoso transporte de gado perdeu importância, para a produção da carne de charque (carne salgada e seca ao sol, para se manter própria mais tempo para consumo), por esta ainda no final do século XVII se ter disseminado também para as regiões serranas do Brasil.
O desenvolvimento do Ceará veio a acontecer em 1799, depois de lutas políticas e movimentos armados marcarem a obvia instabilidade.
Em 1799 o Ceará, em relação a Pernambuco, adquiriu a independência. Bernardo de Vasconcelos, foi nomeado primeiro governador do estado e responsável início da urbanização de Fortaleza.

Daniel Costa


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4 comentários:

  1. Oh meu amigo, realmente o senhor é muito eclético! Poderemos ser irmãos de estrada em outras matérias, mas nesta, História, realmente sou zero à esquerda da vírgula. Parabéns! E História do Brasil, que tenho dificuldade para saber até mesmo o ano da Descoberta, Independência, República... De todo não nos distanciamos muito por eu ter um romance cujo final se dá em Portugal e versa sobre diversos lugares do país irmão. Grande abraço. Laerte.

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  2. Daniel, acho que temos que lhe agraciar com alguma medalha de Honra ao Mérito! Você leu bastante para fazer esse resumo tão bem feito de nossa História, mais especificamente de Fortaleza. E de outros tantos textos desse blog tão brasileiro.
    Parabéns, meu amigo, e um obrigada daqui do outro lado do oceano.
    Com carinho.
    TL

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  3. Não sabia nada disto.
    Sempre pensei que tudo tinha sido muito pacífico...
    Um abraço, caro amigo Daniel.

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  4. Que bonito mestre. A historia passada a limpo num belo trabalho.Li muito sobre o Ceará atraves do blog de uma amiga com uma série de A a Z das cidades e assim para cada uma tem um resumo e fatos históricos.Ela oriunda de família tradicional do Ceará OS Paivas, busca reescrever a historia do estado.
    Valeu mais esta Daniel.
    Meu terno abraço.

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