quinta-feira, 7 de junho de 2012

BERLENGA E FARILHÕES

 

BERLENGA E FARILHÕES


Juntando o útil ao agradável, tendo em atenção Vera, que muito amava, mantendo-se ela de férias, tencionava proporcionar-lhe tempos de lazer e prazer,
Porque Peniche e arredores se lhe apresentavam, como boa opção, enquanto lhe dava o ensejo de prosseguir ali o seu trabalho de investigação.
Entretanto, procurou saber horário dos barcos, Peniche – ilha da Berlenga e vice – versa.
Em face disso, optou pelo barco Cabo Avelar Pessoa, que parte do Cais da cidade, ás 10H00 da manhã, regressando ás 16H00.
Disse à Vera, a opção para o dia.
Ela exultou e numa demonstração de felicidade, a Olavo se abraçou e carinhosamente e o beijou.
Acordaram cedo, para partir para Peniche, tomaram lugar no barco e navegaram para a ilha.
Mesmo com o mar tranquilo, como um rio, entre o Cabo Carvoeiro e a ilha, a navegação  do barco, como que a descer a proa a ré e a subir ao contrário, num lento vai e vem.
Para evitar ali enjoos, muitos passageiros tomam um comprimido contra.
Chegados à ilha, depois de uma volta, a conhecer especialmente, a sua fauna, como o coelho bravo e gaivotas, principalmente.
Há outras aves marinhas, ou não marinhas a nidificar na ilha.
Berlenga Grande, a única do arquipélago habitável, que consta de vários ilhéu, destacando-se Farilhões.
Depois foram almoçar, no Pavilhão restaurante Sol e Mar.
Vista a ementa escolheram, de novo caldeirada, um prato de maravilhoso sabor local.
Chegados ás 16H00, foi a vez de regressarem, no horário escolhido e conforme o vai e vem do Cabo Avelar Pessoa.
De novo em Peniche, era ainda cedo.
Subiram ao grande terreiro do Alto da Vela.
Visitaram a famosa fortaleza da cidade, que servira de quartel, às tropas Inglesas, na época das guerras napoleónicas.
Mais tarde, já no século XX Salazar instituiu ali uma cadeia de alta segurança, para presos políticos.
De entre outros políticos, em 1960, conseguiu evadir-se dali Álvaro Cunhal, o Secretário-Geral, do partido Comunista Português.
Depois da Revolução de Abril de 1974, que pusera fim à Pide, a polícia política do Estado Novo, a fortificação, como todo os outros, do mesmo teor, deixou de ser cárcere,
Em 1984, um dos três pavilhões, passou a ser Museu Municipal.
Foi esse que Vera e Olavo visitaram.
Depois do que jantara no restaurante Gaivota, com uma ementa variada, onde não falta o marisco.
Uma lagosta suada, foi o prato escolhido.
Vinho verde da Quinta da Brejoeira (Monção – Minho), um dos melhores do país, muito fresquinho, acompanhou.
O ambiente era maravilhoso e com vista para o mar.
Com olhares de cumplicidade, tranquilamente, o casal ali conversou, em troca de impressões, sobre a excursão.
A Avenida do Mar começa logo ali.
Perto estava o bar “Java”.
Para lá se dirigiram, conforme Olavo prometera a Abel.
O novo amigo, já estava na mesma mesa!
Olavo solicitou licença para o casal ali se sentar, o que foi aceite com prazer.
Enquanto, iam sendo pedidas as bebidas: dois cafés e um uisque, Abel não tirava o olhar do casal da mesa vizinha.
Foram conversando, Vera ouvia e quando era a vez do marido assentia.
Depois Abel olhou, mais uma vez, para a mesa do lado.
Disse baixinho:
- Naquela mesa, estão Rosália e Amaral, posso apresenta-los.
Olavo foi apanhado de surpresa, mas nem pensou e aquiesceu.
Era de sua conveniência!
Apresentações feitas, Olavo no seu jeito peculiar disse logo:
-  Sou Inspector, estive em São Paulo, com Bernardo e precisava de vos falar.
Amaral, convidou-a sentar-se, enquanto Vera e Abel por descrição se retiram para a sua mesa.
Rosália e Amaral, olhavam-se calados, em jeito de culpados.
De repente:
 - Amaral disse, nos dá dois dias, para ponderar o assunto?
Pois bem!...
Disse Olavo, dentro de dois dias encontramo-nos, de novo aqui, à mesma hora para falarmos.

Daniel Costa

6 comentários:

  1. Você nos levou por caminhos lindos, trouxe-nos a história e nos passou a vontade de estar ali, apreciando o encanto do lugar.
    Olavo está prestes a cumprir mais uma tarefa. Do comportamento de Amaral e Rosália restou evidente a intimidade de ambos.
    Bjs.

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  2. Bom dia Daniel !
    Em conhecimentos gerais o autor sempre nos dar a oportunidade de conhecermos lindos lugares.Um sonho poder penetrar na ilha de Berlenga,fazer parte de toda à natureza geológica,uma reserva natural que encanta nossos olhares.Também estamos sempre sentindo em destaque a gastronomia como pano de fundo.
    E sempre acompanhando a vida desse casal,vejo que a Vera precisa tomar outro rumo,rsrsrsrsrsrsrs.Vamos ver o que o próximo capitulo nos aguarda...
    Estou curiosa como sempre,rsrsrsrsrsrs.
    Abç

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  3. Olá Daniel,

    Postagem bem interessante, trazendo beleza e informação.
    Apesar da felicidade da Vera, sua situação me incomoda
    sobremaneira.
    Ao que parece, o novo caso já está prestes a ser solucionado pelo eficiente Olavo.

    Beijo.

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  4. Amigo, como é bom poder voltar ao teu universo de tantas riquezas literárias!
    De público, agradeço-te pelo livro (mais um deles) que me presenteaste e que vou sorvendo em momentos de calma.
    Daniel, pra você, um imenso abraço!!!

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  5. Já falei em outras ocasiões e volto a repetir: aqui se têm verdadeiras aulas de História e Geografia, não só da Peninsula Ibérica, mas do mundo inteiro.
    A tua cultura, Daniel, tanto em forma de poemas, contos, seja que gênero for, é algo imenso e inquestionável.
    Parabéns!!!Bjsss

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  6. Olá Daniel,

    Que bela essa ilha. Quanto detalhes e informação colocaste nesse relato sobre essa aventura do Olavo.
    Essa história ficaria maravilhosa num livro.

    Adorei!

    Abraço amigo, e ótima semana!

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