sábado, 18 de junho de 2011

CONFERÊNCIA

A CONFERÊNCIA QUE PROFERI EM 17/06/2011
NO MUSEU DA REPÚBLICA E DA RESISTÊNCIA
EM LISBOA

AMOR NA GUERRA

Porquê AMOR NA GUERRA, se o livro trata a guerra colonial?
Primeiro deve ser levado em conta que o autor é por natureza um romântico e um optimista nato. Factores que se revelam em todas as circunstâncias.
Depois, em 1962 / 1963, em que estive no Tari Lifune, a cerca de 30 quilómetros de Nambuangongo, a norte do rio Lifune. Ali a UPA, estava apenas a, uma vez por mês, cerca dos dias 20, a flagelar com disparos de três canhânguladas, cujos efeitos se saldavam por, assinalar presença, disparando, nos blindados dos carros. Era o bate e foge.
                               
Quando proferia a conferência,
ladeado do Dr. José Paulo, do Museu

O seu poderio militar ali, concentrara-se mais na famosa região do Zala, mais circunscrição de Nambuangongo.
No Batalhão 350, a que pertenci, já bastante perto do fim, em que se esteve em zona operacional, um dos esquadrões sofreu um verdadeiro massacre, seguido do rebentamento da única mina anti-carro, outro massacre.
Por fim o 297, a que pertencia, de regresso do Tari, a 5 de Abril, foi emboscado no corredor, que serviu para a coluna, comandada pelo lendário Tenente-Coronel Maçanita, progredir em direcção da retomada de Nambuangongo.
Da emboscada resultaram cinco mortos, entre eles, um motorista civil. Ficaram todos sepultados no Mucondo.
Além do nosso armamento, ser rudimentar, na circunstância, nada podia ser feito contra a guerrilha e no seu efeito surpresa, ainda atirou uma granada incendiária, para um dos carros, onde bastante material ardeu na combustão, antes do comandante do coluna o então, Capitão João Ramiro Alves Ribeiro, tomar a dianteiro de subir e atirar tudo o ao solo, evitando um mal maior.
                           
Recebia o Prof. Dr. Yebora Martins,
autor do Prefácio, amigo de há cerca de 50 anos

Vivendo este gravoso acontecimento e a chuva torrencial, que se lhe seguiu, o meu optimismo nunca deixou de estar em alta
Há talvez, ineditismos na narração que se faz no AMOR NA GUERRA:
- 1º. Terá sido sob créditos um dos raros diários de guerra colonial, portanto os dados cronológicos estão certos, porquanto eram escritos, taxativamente ao dia, mesmo em dias fora do aquartelamento. O autor andava sempre munido de papel e caneta. a esferográfica já tinha feito a sua aparição, mas ainda não era muito usada
                             
 Coversando, com o Prof. Dr. Yebora Martins

- 2º. Terá sido o único testemunho de uma praça, que só depois frequentaria o ensino liceal.
- 3º. A narrativa foca apenas factos vividos e observados. Propositadamente, não se abordam motivações politicas.
Depois convém não esquecer que aquela guerra, como se sabe, foi de libertação. Libertação que veio a servir de génese à revolução de Abril de 1974, Que no entanto se iniciou em 1960, visto que logo bastantes homens fugiam a corta mato, a fugir à guerra, por um lado e à miséria por outro.
Portanto, não causará admiração, que para o Onofre, o protagonista, apresente a estada na guerra, como se fora umas férias.
Foi já depois que, foi tendo conhecimento de quão terrível foi a guerra, mesmo em sítios tranquilos que passei como a Lunda. Na estada aí que está assinalada com a questão: seriam espiões?
Sem dúvida ali, com o refúgio, Congo ex Belga, a sete quilómetros e meio, já se andavam a preparar meios para pôr também a província a ferro e fogo.
Toda a narração está, pois impregnada de verdade e certamente, nada há mais revolucionário do que a verdade.
Quem ler o livro com atenção, poderá reparar num facto: o exército português, daquele tempo, estava muito carenciado de meios logísticos.
Como foi possível, a previsão de frescos e envio de correio bi semalmente, chegar a falhar, frequentemente, duas e três semanas?
Como foi possível, um abastecimento da vila Portugália, à então cidade de Henrique de Carvalho (Saurimo), estarmos sujeitos, a esperar três dias, por uma qualquer passagem de viatura, para ir em busca de material para concertar o meio, uma GMC imprópria para se movimentar naqueles terrenos, que ia para servir de transporte, que já havia servido na Segunda Grande Mundial, sem se ir munido de comunicações?
Como era possível, um soldado ser agraciado com a Cruz de Ferro, por acto de bravura, ser convocada, para cerimónia em Luanda, tendo como transporte, ida e volta, a boleia de colunas, de a de acampamento em acampamento, numa viagem de vários dias e regressar desidratado, e dar baixa à enfermaria, em consequência?
“Amor na Guerra”, porque o houve mesmo o platónico, resultante da correspondêncîa postal, mormente com Madrinhas de Guerra. Depois na zona sul, de diversas formas, namoros com negras, etc.
Num aparte deve ser referido o caso e um ex-camarada, ter adquirido o livro e tê-lo proibido à esposa, pelo nome AMOR NA GUERRA.

Vou mostrando fotos, as possíveis, do princípio da guerra.

Responderei a perguntas que a ilustre assistência deseje fazer.

Daniel Costa


4 comentários:

  1. Querido amigo,

    Adorei este post que ficou realmente com gostinho de quero mais!

    As fotos também ficaram lindas com o seu sorriso otimista e a sua jovialidade!


    Beijos com carinho e amizade, Daniel.

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  2. Meu caro Daniel
    Está impecável!
    Não tive oportunidade de te dizer como lamento não ter podido estar presente, mas não deu mesmo!
    Mas como eu sempre digo: "há mais marés que marinheiros" - outras ocasiões surgirão.

    O post ficou muito bom e bem documentado com fotos.

    Aproveitei e estive a rever o post do lançamento do livro. Bateu uma saudadezita...:)

    Uma semana feliz. Beijinhos

    PS - Vou já já mandar-te email rápido...

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  3. Meu querido parabens...Vc é mesmo genial.
    Bjos achocolatados

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  4. Estive em Zalala na construção da picada Zalala-Zala.
    Em 1970 a "coisa" era mais ou menos calma.
    Só na serra de Ambuíla é que existiam umas minas e uns tiritos.
    É necessário ser-se ferrenho do papel e lápis para escrever em tempo de guerra.

    Cumprimentos.

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