Convento de Jesus Setubal (foto Internet)
OLAVO EM SETÚBAL
À hora antes aprazada, Olavo sempre pontual, de roda do seu café, com um inseparável livro, esperava a sua cliente, Rosário.
Não tardou muito, para que esta aparecesse, na sua elegante silhueta.
Como a senha para o conhecimento pessoal do investigar, era o livro, logo o reconheceu, apresentando-se:
- Olavo com a devida vénia, indicou-lhe uma cadeira e ofereceu-lhe um café.
Rosário preferiu um licor, “beirão”, bebida de grande tradição, que de Coimbra sai muito para o mundo, sendo bastante apreciada também por mulheres.
Pela conversa telefónica Olavo, tivera intuído, o caso não passar de mero aconselhamento.
Como era bom ouvinte, convidou a cliente a pronunciar-se de novo e mais detidamente.
Ela assim fez, enquanto ele ouvia atenciosamente.
Depois de ouvir o desabafo da Rosário, mais se arreigou a ideia que o caso não passava, de um daqueles factos muito comuns entre casais:
- Fases de um certo arrefecimento, do habitual carinho, e por consequência da actividade sexual.
Foi nesse sentido que Olavo, quando chegou a sua vez, foi falando e aconselhando, como se fosse bastante experimentado nesses casos.
Ela ouviu e a determinada altura questionou:
- O arrefecimento amoroso, notório do seu Rodolfo, não atribui a caso de infidelidade?
Ao que ele respondeu, pelo que tenho ouvido, em nada me parece!
Olavo com o se à – vontade, desatou a dar conselhos, que Rosário foi ouvindo atentamente:
- Tente criar ambiente, como por exemplo, preparar um jantar de que ele aprecie, servido em ambiente romântico.
Use outros truques, muito femininos, que saiba que o Rodolfo goste.
Por vezes, a mulher poderá sentir certa desilusão e em vez de estimular e piora a situação, não será o caso?
Ela deu a sensação de o ter entendido:
- Disse, pensando melhor pode ser o caso, aconselha então a ser eu a tentar providenciar, para acertos?
Objectivamente sim, se o que tentar não der certo, pode voltar a consultar-me!
Ali deu por concluído o seu trabalho, com uma amistosa despedida.
Cerca de hora e meia durou a conversação.
Antes de regressar, ainda deu tempo para visitar o vetusto Convento de Jesus. Património cultural da cidade de Setúbal, uma das maiores de Portugal, de que guarda boas recordações.
A construção do monumento se deve à ama do rei D. Manuel I, Justa Rodrigues Pereira. Mosteiro ou Convento de Jesus, daquela cidade, data de 1490.
O Mosteiro veio a ser ocupado pelas Feiras Clarissas, em 1496.
A capela-mor é revestida de azulejo, mais tarde, em 1520-1530, na galeria renascentista, foi instalado um retábulo de pintura, considerado, um dos mais notáveis conjuntos da Arte Renascentista em Portugal.
A Igreja do Convento de Jesus, de estilo gótico, destaca-se por ter sido, em Portugal, o primeiro ensaio de “igreja salão”.
Depois, Olavo reviu ali o Museu de Setúbal com vários núcleos, como a “Casa Bocage”, “Casa do Corpo Santo / Museu do Barroco” e o “Museu Sebastião da Gama”.
A seguir regressou a casa, onde a sua adorada Vera, já o esperava carinhosa, como sempre.
Daniel Costa

