

MUNICIPIO DE CABO FRIO
Data de há cerca
de seis mil anos, quando um grupo nómada chegou, à costa, em canoas, acampando no Morro dos
Índios, pequena ilha rochosa na actual barra da Lagoa de Araruma.
Evidências arqueológicas encontrada em
“sambaqui” (concheiras), mais tarde abandonado, devido ao possível esgotamento
de recursos de sobrevivência, baseados na pesca e na caça.
Há cerca de mil e quinhentos anos os
guerrilheiros indígenas tupinambás iniciaram a conquista do litoral da região,
evidenciando adaptação mais eficaz que os nómadas pioneiros.
Em 1503, deu-se a terceira expedição portuguesa,
que sofreu um naufrágio no arquipélago Fernando Noronha, tendo-se dispersado a
frota remanescente.
Dois navios comandados por Américo Vespúcio
seguiram até à Bahia e daí para Cabo Frio.
Na barra de Araruama, construíram e guarneceram
uma fortaleza- feitoria, para explorar o pau-brasil, abundante na margem
continental da lagoa.
Este estabelecimento comercial-militar
pioneiro, em 1512 efectivou a posse portuguesa da nova terra descoberta,
começando a conquista do que foi destruído pelos tupinambás, devido às muitas
desordens e desavenças, havidas entre eles, em 1526.
Desde 1504 os franceses traficavam o
pau-brasil, na costa brasileira com os índios. Durante as três primeiras
décadas do século XVI, praticamente a sua acção se restringiu ao litoral da
região nordeste.
Devido ao policiamento naval português, a
partir de 1540, os franceses em 1556, viriam também a construir uma
fortaleza-feitoria para continuarem a exploração do pau-brasil, no mesmo ilhéu,
anteriormente construído pelos portugueses, junto à barra do porto do Araruama.
Esta fortaleza cabofriense consolidou e ampliou
o domínio francês iniciado com a fortaleza de Villegaignon, um ano antes, no
Rio de Janeiro.
Depois em 1575 aconteceu a chamada Guerra de
Cabo Frio, António Salema, o governador do Rio de Janeiro, com um poderoso exército,
com homens da Guanabara, São Vicente e Espirito Santo, com o apoio de tropa, catequizadas,
tupininquim.
Por terra e mar, oficiais e soldados, com o
objectivo de acabar com o último bastião da Confederação dos Tamoios e acabar
com domínio francês, de duas décadas, em Cabo Frio.
Depois do cerco e rendição da fortaleza, franco
- tamoia, dois franceses, um Inglês e o pajé (na antropologia brasileira – o
especialista ritual) tupinambá foram
enforcados. Quinhentos guerreiros assassinados a sangue frio e cerca de mil e
quinhentos índios escravizados. Os vencedores, de seguida entraram pelo sertão,
queimando aldeias, mataram mais de dez mil índios, aprisionando outros tantos.
Os sobreviventes refugiaram-se na Serra do Mar.
De Macaé a Saquarema, em virtude do massacre,
transformou-se num deserto humano, servindo esporadicamente, de passagem para
os índios goitacases, na procura de caça e pesca.
Depois do abandono dos portugueses, estes com
base na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, estabeleceram um eficiente
bloqueio naval.
Com a perda da independência de Portugal, de
1576 a 1615, o porto de Araruama voltou a ser frequentado por navios franceses,
Ingleses e holandeses, sempre em busca do pau-brasil e tornando-se também a
base da pirataria, contra embarcações portuguesas.
Depois de 1580, redobrou a presença destes,
arvorando bandeiras inimigas dos espanhóis.
O então governador do Rio de Janeiro,
Constantino Menelau, finalmente, recebeu do rei Filipe II, para mais uma vez regressar
à região.
A 13 de Novembro de 1615, com a ajuda de
quatrocentos homens brancos e índios catequizados, junto à barra de Araruama,
levantou a Fortaleza de Santo Inácio e fundando a Cidade de Santa Helena de
Cabo Frio.
Em 1616, Estêvão Gomes, fazendeiro e
comerciante de escravos africanos no Rio de Janeiro, foi nomeado capitão-mor de
Cabo Frio, transferindo o sítio da povoação colonial para o actual bairro da
Passagem, que rebaptizou de cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio.
Daniel Costa










