sexta-feira, 14 de abril de 2017

MUNICÍPIO DE CABO FRIO

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MUNICIPIO DE CABO FRIO
Data de há cerca de seis mil anos, quando um grupo nómada chegou,  à costa, em canoas, acampando no Morro dos Índios, pequena ilha rochosa na actual barra da Lagoa de Araruma.
Evidências arqueológicas encontrada em “sambaqui” (concheiras), mais tarde abandonado, devido ao possível esgotamento de recursos de sobrevivência, baseados na pesca e na caça.
Há cerca de mil e quinhentos anos os guerrilheiros indígenas tupinambás iniciaram a conquista do litoral da região, evidenciando adaptação mais eficaz que os nómadas pioneiros.
Em 1503, deu-se a terceira expedição portuguesa, que sofreu um naufrágio no arquipélago Fernando Noronha, tendo-se dispersado a frota remanescente.
Dois navios comandados por Américo Vespúcio seguiram até à Bahia e daí para Cabo Frio.
Na barra de Araruama, construíram e guarneceram uma fortaleza- feitoria, para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.
Este estabelecimento comercial-militar pioneiro, em 1512 efectivou a posse portuguesa da nova terra descoberta, começando a conquista do que foi destruído pelos tupinambás, devido às muitas desordens e desavenças, havidas entre eles, em 1526.
Desde 1504 os franceses traficavam o pau-brasil, na costa brasileira com os índios. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente a sua acção se restringiu ao litoral da região nordeste.
Devido ao policiamento naval português, a partir de 1540, os franceses em 1556, viriam também a construir uma fortaleza-feitoria para continuarem a exploração do pau-brasil, no mesmo ilhéu, anteriormente construído pelos portugueses, junto à barra do porto do Araruama. 
Esta fortaleza cabofriense consolidou e ampliou o domínio francês iniciado com a fortaleza de Villegaignon, um ano antes, no Rio de Janeiro.  
Depois em 1575 aconteceu a chamada Guerra de Cabo Frio, António Salema, o governador do Rio de Janeiro, com um poderoso exército, com homens da Guanabara, São Vicente e Espirito Santo, com o apoio de tropa, catequizadas, tupininquim.
Por terra e mar, oficiais e soldados, com o objectivo de acabar com o último bastião da Confederação dos Tamoios e acabar com domínio francês, de duas décadas, em Cabo Frio.           
Depois do cerco e rendição da fortaleza, franco - tamoia, dois franceses, um Inglês e o pajé (na antropologia brasileira – o especialista ritual)  tupinambá foram enforcados. Quinhentos guerreiros assassinados a sangue frio e cerca de mil e quinhentos índios escravizados. Os vencedores, de seguida entraram pelo sertão, queimando aldeias, mataram mais de dez mil índios, aprisionando outros tantos.
Os sobreviventes refugiaram-se na Serra do Mar.
De Macaé a Saquarema, em virtude do massacre, transformou-se num deserto humano, servindo esporadicamente, de passagem para os índios goitacases, na procura de caça e pesca.
Depois do abandono dos portugueses, estes com base na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, estabeleceram um eficiente bloqueio naval.
Com a perda da independência de Portugal, de 1576 a 1615, o porto de Araruama voltou a ser frequentado por navios franceses, Ingleses e holandeses, sempre em busca do pau-brasil e tornando-se também a base da pirataria, contra embarcações portuguesas.
Depois de 1580, redobrou a presença destes, arvorando bandeiras inimigas dos espanhóis.
O então governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, finalmente, recebeu do rei Filipe II, para mais uma vez regressar à região.
A 13 de Novembro de 1615, com a ajuda de quatrocentos homens brancos e índios catequizados, junto à barra de Araruama, levantou a Fortaleza de Santo Inácio e fundando a Cidade de Santa Helena de Cabo Frio.
Em 1616, Estêvão Gomes, fazendeiro e comerciante de escravos africanos no Rio de Janeiro, foi nomeado capitão-mor de Cabo Frio, transferindo o sítio da povoação colonial para o actual bairro da Passagem, que rebaptizou de cidade de Nossa Senhora da Assunção de Cabo Frio.

Daniel Costa

sábado, 8 de abril de 2017

SERGIPE E AS UNIDADES FEDERATIVAS DO BASIL

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SERGIPE E AS MAIS UNIDADES  FEDERATIVAS DO BRASIL

Teodósio de Mello, no seu dedicado estudo sobre a colonização do Brasil, por pesquisas várias, foi recolhendo dados sobre o feito dos portugueses, a partir de 1500, no Brasil.
Este país sul-americano é composto por vinte e sete estados (dependências federativas), alguns já constituídos depois da sua independência, pela governação, por desmembramento de outros.
Além do Distrito Federal Brasil, já apresentado, ficam aqui registados os restantes pesquisados por Teodósio de Melo.

SERGIPE:

Politicamente emancipada de Bahia em 8 de Julho de 1820, como capitania de Sergipe D’El-Rei viria, a ser elevada a província, quatro anos depois e a estado depois 69 anos.
A sua colonização, teve início na segunda metade do século XVI, aquando da chegada de navios franceses, em que os seus tripulantes iam trocando diversos objectos por produtos da terra, como pau-brasil, algodão ou pimenta-da-terra.
Entre os finais do século XVI e as primeiras décadas do XVII, a presença dos missionários e várias expedições militares portugueses, afasta os franceses e vence a resistência indígena.
A partir daí, deu-se grande miscigenação entre portugueses e índios.
Entrementes, Garcia d’Ávila, proprietário de terras da região, iniciou a conquista do território, contando com a ajuda dos padres jesuítas para catequizar os nativos.
Na verdade a conquista deste território e a sua subsequente colonização, vieram a facilitar as comunicações entre a Bahia e Pernambuco e impediram ainda as invasões de franceses.
Surgem as primeiras povoações, como o arraial de São Cristóvão.
A capitania de Sergipe D’El-Rey, foi colonizada em 1590, após a destruição de indígenas hostis e começa a exploração do açúcar.
A existência de áreas inadequadas à plantação de Cana-de-açúcar, no litoral, favorece o surgimento das primeiras criações de gado.
Além da produção, de carne e couro, Sergipe tornou-se fornecedor de animais de tracção para as fazendas da Bahia e Pernambuco.
Aquando das invasões holandesas, nas primeiras décadas do século XVII, a economia foi prejudicada. Expulsos estes e retomada a região, pelos portugueses em 1645, o território, na época fazendo parte da Bahia, em 1723 foi responsável por um terço de açúcar.
Como capital deste estado, temos Aracaju, que sucedeu a São Cristóvão, a antiga capital da capitania de Sergipe.

RONDÓNIA:

Os portugueses começaram a percorrer o território do actual estado da Rondónia no século XVI, porém só no seguinte, com a descoberta do ouro aumentou o interesse pelas terras da região.
Em 1776 a construção a construção do Forte Príncipe de Beira, na margem do rio Guaporé veio a estimular a implantação dos primeiros núcleos coloniais.
A Rondónia só bastante mais tarde, por desmembramento de parte do Mato Grosso e do Amazonas, veio a ser estado, com a capital em Porto Velho.

TOCANTINS:

O estado de Tocantins só foi criado no fim de século XX, por desmembramento de parte de Goiás, ficando com a capital na cidade de Palmas, para o efeito, criada de raiz.  

ACRE:

Rio Branco é a capital do Acre, unidade federativa do Brasil, cujo território ocupou militarmente, vindo a incorporar, por negociação com a Bolívia, até então sua detentora.

PIAUI:

No princípio do século XXI, os fazendeiros da região do rio São Francisco, procuravam expandir, as suas criações de gado. Os vaqueiros vindos, principalmente da Bahia, chegaram procurando pastos e passaram a ocupar as terras ao lado do rio Gurgueia.
Em 1718 o território até então na jurisdição da Bahia, passou para a do Maranhão.
Em 1811. O príncipe D. João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal elevou Piauí a capitania independente.
Mais tarde, a sua capital, passou a ser sediada em Teresina, centro-norte do Território, a única capital nordestina, que não se localiza, nas margens do oceano atlântico.

Daniel Costa







quinta-feira, 6 de abril de 2017

AMAPÁ

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AMAPÁ:

Todo o litoral atlântico, a norte da desembocadura do rio Amazonas, segundo o célebre Tratado de Tordesilhas, em 1494, ficou enquadrado no direito de ocupação de Espanha. Acontece que Portugal e Espanha só viriam a explorar a região de Amapá entre 1580 a 1640, quando os reis de Espanha governaram Portugal.
Também franceses, Ingleses e holandeses se interessaram pelo território, na época chamado Costa do Cabo Norte.
Deles extraíram madeira, resinas, frutos corantes como o urucum (açafroa – colorau) e óleos vegetais, ainda produtos de pesca, designadamente, o peixe-boi, guarabá ou manati, (mamífero aquático, que pode pesar 300 quilos) que salgado era vendido na Europa.
No século XVI, a região da chamada Guiana, estendia-se da foz do rio Amazonas à foz do rio Orinoco, onde as tribos caribes e aruaques dominavam.
O termo guiana significa “terra de muitas águas”, na língua aruaque.
No século XVI, Os territórios das Guianas, foram colonizados pela Inglaterra, Holanda, França, Portugal e Espanha.
O estado de Amapá, até meados do século XX, foi chamado Guiana Portuguesa, Guiana Brasileira, depois da independência.
Os portugueses, ao iniciarem a penetração da Amazónia, inquietavam-se com a competição estrangeira.
Bento Maciel Parente, em 1637, obteve de Filipe II a concessão do Cabo Norte, como capitania hereditária, tal como o rei D. João III criara cem anos antes.
Título reconhecido, depois da Restauração, pelo rei D. João IV, nem por isso as incursões estrangeiras, sobretudo de franceses a basear as suas pretensões em cartas-patentes, que o rei Henrique IV fizera em 1605 a Daniel de la Touche, sire de La Ravardière.
Em 1713, o primeiro tratado de Utrecht, dispôs que o limite entre as possessões portuguesas e francesas no norte do Brasil, seria o rio Oiapoque ou de Vicente Pinzón, enquanto consagrou a desistência francesa de usar o rio Amazonas, garantindo a Portugal a posse exclusiva de ambas as margens.
Entretanto, os portugueses prosseguiram com o desbravamento de terras e a catequese de índios, fundando-se missões franciscanas e jesuíticas.
Depois o Marquês de Pombal, que bastante se ocupou da Amazónia, em 1764, ordenou a construção da maior fortaleza da colónia, em Macapá, capital de Amapá, a Fortaleza São José de Macapá.
Para Macapá e Nova Mazagão foram levadas 340 famílias de Mazagão (Marrocos) e açorianos, como colonos.
A fortaleza de São José de Macapá, que os portugueses construíram, constitui por hoje, uma das sete maravilhas do Brasil.

Daniel Costa




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quinta-feira, 30 de março de 2017

RORAIMA E A SUA CAPITAL BELA VISTA

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RORAIMA E A SUA CAPITAL BELA VISTA

Os primeiros portugueses chegaram à região de Roraima através do Rio Branco. Antes já eram atraídos Ingleses e holandeses, com a finalidade de explorar o Vale do Rio Branco através das Guianas.
A soberania de Portugal, sobre essa região só veio ser estabelecida, após os espanhóis invadirem a parte norte, do Rio Branco, juntamente com o rio Uraricoera, a partir de 1725.
Entretanto missionários Carmelitas iniciavam a tarefa de converter os indígenas da região.
Por meados do século XVIII, a Coroa portuguesa passou a preocupar-se com as expedições espanholas à região ocidental da Amazónia, pelo que foi ideada a criação da Capitania Real de São José do Rio Negro.
Isto ocorreu através de Carta-régia de 3 de Março de 1755.
O principal motivo foi a ameaça dos espanhóis do Vice-reino do Perú, mas porque também havia o medo das sortidas dos holandeses do Suriname, com fins de comércio e apresamento de indígenas.
As demarcações previstas no Tratado de Madrid, também influenciaram a medida da criação de nova unidade administrativa na região.
Pretendia-se implementar, a colonização do Alfo do Rio Negro, com a criação do encontro e aos trabalhos das comissões de demarcação portuguesa e espanhola.
Aconteceu esse encontro jamais ter ocorrido, tendo as forças, nesse ínterim, ocupado provisoriamente o curso do baixo rio Branco procedendo à plantação de mandioca e outros produtos, para o aprovisionamento da Comissão.
O forte de São Joaquim, por hoje destruído, construído em 1755 na confluência do rio Uraricoiera com o rio Tacutu, foi determinante na conquista Rio Branco pelos portugueses.
O forte tinha a finalidade de proporcionar a soberania total de Portugal, das terras do Vale do Rio Branco, que despertava a cobiça internacional, devido à sua pouca exploração.
Os colonizadores portugueses, depois de assumirem a soberania e o controle total da região, criaram diversos povoados e vilas, em conjunto com os nativos.
Entretanto, devido aos conflitos entre indígenas e colonizadores, em virtude daqueles não aceitarem submeter-se às condições impostas pelos portugueses, os povoados não se desenvolveram.
Para garantir a presença do homem português, nas terras do Rio Branco, o comandante Manuel da Gama d’Almada iniciou a criação de gado bovino e equino no território.
Entre 1810 e 1811, militares Ingleses penetram no Vale, porém foram expulsos pelo comandante do Forte de São Joaquim.
A fronteira entre Brasil e Guiana precisou de ser remarcada, devido às grandes às grandes invasões Inglesas deste período.
A capital de Roraima é a cidade de Bela Vista, concentrando cerca de dois terços da população do estado.
Bela Vista, além de ser a capital estadual mais setentrional do Brasil, é a única totalmente localizada a norte do Equador.

Daniel Costa


sexta-feira, 24 de março de 2017

MATO GRASSO E MATO GROSSO DO SUL

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MATO GROSSO E MATO GROSSO DO SUL

Aleixo Garcia veio a ser o primeiro europeu a desbravar área, que viria a constituir o estado de Mato Grosso.
Tendo sido náufrago da esquadra de Juan Diaz de Solis, em 1525 atravessou a “mesopotâmia” (entre rios) formada pelos rios Paraná e Paraguai, na frente de uma expedição de cerca de 2.000 homens, avançando até à Bolívia.
Na volta, com grande quantidade de prata e cobre, Aleixo Garcia foi morto por índios paiaguás.
Sebastião Caboto em 1526, também penetrou na região, subindo o Paraguai até alcançar o domínio dos guaranis, com os quais travou relações de amizade e de quem recebeu, de presente, peças de metais preciosos.
Pelo célebre Tratado das Tordesilhas, o actual estado do Mato Grosso, e o, ora Mato Grosso do Sul, pertenciam à Coroa espanhola. Os jesuítas ao serviço da Coroa de Espanha, criaram os primeiros núcleos, donde viriam a ser expulsos pelos bandeirantes paulistas em 1680.
Fantásticos relatos sobre imensas riquezas do interior sul-americano, acenderam ambições de espanhóis e portugueses. Estes a partir de São Paulo lançaram-se em audaciosas incursões, nelas preparavam índios e alargaram as fronteiras do Brasil.
As bandeiras paulistas, chocaram com tropas espanholas do cabildo de Assunção e com resistência das missões jesuíticas.
Desde 1632, os bandeirantes conheciam, de passagem, onde os jesuítas tinham localizado as suas reduções de índios e que os espanhóis percorriam como terra sua.
António Pires de Campos, em 1672, chegou criança, com a bandeira paterna às, depois, famosas minas dos Martírios.
Já adulto retomou o caminho da serra misteriosa e navegou contra corrente, os rios Paraguai e São Lourenço, Cuiabá acima até ao Porto de São Gonçalo Velho, onde se chocou com os índios caxiponés
Em 1718, a descoberta do ouro acelerou o povoamento.
Para garantir a nova fronteira, em 1748, Portugal criou a capitania de Mato Grosso, ali construiu eficiente sistema de defesa.
Uma expedição de bandeirantes chegou ao Rio Piranhas, em busca dos índios caxiponés, descobrindo ouro nas margens do rio, pelo que alteraram o objectivo.
Em 1719 formando o primeiro grupo populacional, organizado nas margens do rio Coxipó, foi fundado Arraial da Forquilha, a actual cidade de Cuiabá.
A região de Mato Grosso estava subordinada a Rodrigo César de Menezes.
A capitania de Mato Grosso, veio a ser criada pela Coroa portuguesa em 9 de Maio de 1748, desmembrada do território da capitania de São Paulo.
O governador muda-se para o arraial e de imediato o elevou a nível de vila, que denominou Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá.
Com os tratados de Madrid e Santo Ildefonso, os Reinos de Espanha e Portugal estabeleceram as novas fronteiras.
A notícia de índios descuidados e pouco ariscos espalhou-se e em 1718 um bandeirante de Sorocaba, Pascoal Moreira Cabral Leme, descendente de índios, subiu o rio Caixipó, até à aldeia destruída dos coxiponés, onde deu início à rancharia de uma base de operações.
Cabral Leme descobriu abundante jazida de ouro. A caça ao índio deu vez à mineração.
Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, governador entre 1772 e 1789, teve a iniciativa de reforçar o esquema defensivo da capitania. Na margem do Rio Guaporé. O Forte Real do Príncipe da Beira e no sul sobre o Rio Paraguai, abaixo do Rio Miranda, o Presídio Nova Coimbra.
Fundou a Vila Maria (tarde São Luís de Cáceres), Casalvasco, Salinas e Corixa Grande.
Criticou Severamente o tratado de Santo Ildefonso (1777), no tocante ao Mato Grosso, por achar que tinha concessões prejudiciais a Portugal.
No levantamento cartográfico e na delimitação de fronteiras, teve a participação de dois astrónomos e matemáticos brasileiros recém- formados em Coimbra, Francisco José de Lacerda e Almeida e António da Silva Pontes e dos geógrafos, capitães Ricardo Francisco de Almeida Serra e Joaquim José Ferreira.
Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o futuro Marquês da Praia Grande, chegou a Cuiabá em 1796, assumindo o Cargo de capitão-general com um plano de defesa que protegesse a capitania de qualquer tentativa de invasão.
Realmente a guerra com os espanhóis veio a deflagrar em 1801, quando Lázaro de Ribera, à frente de 800 homens atacou o Forte de Coimbra, que Ricardo Franco defendeu, apenas com 100 homens, conseguiu repelir.
A paz, veio a ser firmada em Badajoz a 6 de Maio de 1802, ficando a capitania estabilizada.
No fim do período colonial verificou-se certo declínio da capitania. Cuiabá e Vila Bela entretanto, haviam sido elevadas a cidades.
Mato Grosso, tem a bebida típica tereré, que é seu património imaterial, sendo Mato Grosso do Sul, o estado símbolo dessa bebida e maior produtor de erva-mate de que deriva a bebida, de origem pré-colombiana.
A capital de Mato Grosso é Cuiabá e do Mato Grosso do Sul, Campo Grande.

Daniel Costa


sábado, 18 de março de 2017

CIDADE DE VITÓRIA DO ESPÍRITO SANTO

Foto de Daniel Costa.
Foto de Daniel Costa.
CIDADE DE VITÓRIA DO ESPIRITO SANTO
Como já foi dito, devido à constância de ataques de indígenas, de franceses e de holandeses, a capital da capitania, fundada em 8 de Setembro de 1551, foi mudada para a Ilha de Santo António (a que o índios chamavam Ilha de Guanaani),
Só posteriormente, a cidade teve o seu nome mudado para Vitória, em memória da grande vitória obtida por Vasco Fernandes Coutinho, na batalha contra os índios goitacás.
A cidade foi sendo construída nas partes altas, o originou várias ruas estreitas. Como a parte de baixo foi sendo sujeita a ataques, devido a isso, foram construídos vários fortes à beira mar.
Em 1592, os capixabas rechaçaram uma investida de Ingleses, comandados por Thomás Cavendish.
Em 1625, o donatário Francisco Aguiar Coutinho, enfrentou a primeira investida dos holandeses, que Pieter Pieterszoon Heyn, comandou, nela se destacou a heroína capixaba Maria Hortiz.
Em 1640, sete navios holandeses atacaram, novamente, o Espirito Santo, comandados pelo coronel Koin. Conseguiram desembarcar 400 homens, mas foram repelidos pelo capitão-mor João Dias Guedes e não se fixaram em Vitória.
Atacaram, então Vila Velha, onde também foram vencidos.
Diante de tão repetidos ataques, o governo colonial resolveu destacar para Vitória, quarenta infantes da tropa regular.
Essa a capitania progride e Koin, captura duas naus carregadas de açúcar que, atingidas pelo fogo de terra, acabam de ficar com a carga avariada.
Nos primeiros tempos, esgotada a população, bem como a incapacidade de dar seguimento à sua, ainda, incipiente agricultura, ameaçava desertar da capitania. Também os recursos particulares estavam a revelar-se insuficientes para manter empresa tão árdua, quanto onerosa.
Em 1627, morreu Francisco de Aguiar Coutinho, cujo sucessor, Ambrósio de Aguiar Coutinho, desinteressou-se do senhorio e continuou como governador nos Açores.
Sucederam-se capitães-mores, com sérias e frequentes divergências entre eles e os oficiais câmara.
Em 1667, António Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, último descendente do primeiro donatário, conseguiu a nomeação para capitão-mor de António Mendes Figueiredo, governante operoso e estimado.
Em 1674 deu-se a compra do território ao último donatário da família Câmara Coutinho, pelo fidalgo baiano, Francisco Gil de Araújo, por quarenta mil cruzados que, carta régia de 18 de Março de 1675 confirmou.
O objectivo do novo donatário com a compra da capitania: o descobrimento de “pedras verdes” – esmeraldas saiu frustrado. Está menos nos resultados, que na dinamização do interesse pela área com um maior conhecimento do interior.
Entre as expedições mais destacadas, contam-se as de Diogo Martins Cão, 1596, Marcos de Azevedo, 1611 e Agostinho Barbalho de Bezerra, 1664, que exploraram as imediações do rio Doce.
Francisco Gil de Araújo fundou a vila de Nossa Senhora de Guarapari e construiu os fortes do Monte do Carmo e de São Francisco Xavier. O de São João que, encontrado em ruínas foi reconstruído.

Daniel Costa


terça-feira, 14 de março de 2017

CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO

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CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO

O que é hoje o estado do Espirito Santo, antes da colonização do Brasil, era habituado por diversas tribos indígenas, todas do tronco Tupi. As tribos do interior eram os Botocudos, sendo-lhes atribuído comportamento belicosamente hostil, além da prática de antropofagia.
No litoral as tribos também eram hostis, mas de hábitos diferentes.
A Sul, na serra do Caparaó, as tribos não eram hostis, derivando o seu nome do hábito de levar os visitantes para “ouvir o silêncio” da Serra do Castelo. As tribos eram os aimorés e os goitacás.
Foi em 1535 que os colonizadores portugueses chegaram à Capitania do Espírito Santo, tendo desembarcado na região da Prainha.
À época teve início a construção do primeiro povoado com o nome de Vila do Espírito Santo.
Por causa dos índios terem atacado essa Vila, Vasco Fernandes Coutinho promoveu a fundação de outra numa das ilhas. Esta passou a ter a designação de Vila Nova do Espírito Santo, a actual Vitória. Enquanto à antiga foi mudado o nome para Vila Velha.
Depois, em 1715, Espírito Santo foi anexado à Capitania da Bahia, então a sua capital também foi Salvador.
Refira-se o merecido destaque, o Convento de Nossa Senhora da Penha, símbolo da religiosidade capixaba, abriga ali, no seu acervo, a tela mais antiga da América Latina, a imagem de Nossa Senhora das Alegrias.
Em Julho de 1534 foram concedidas, pelo rei de Portugal D. João III, cinquenta léguas de litoral, entre os rios Mucuri e Itapernirim, ao veterano das Índias, Vasco Fernandes Coutinho, português que desembarcou no território da capitania, a 23 de Maio de 1535, dando o nome de Espírito Santo, à vila que logo fundou e ao estado, que tem o mesmo nome, dado esse ser o dia da celebração da terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Aos naturais do Espírito Santo, além de espírito-santenses, denominam-se capixabas, devido às roças de milho na ilha de Vitória.
A fixação da vila foi uma história de lutas, já que os índios, sem resistência, não entregaram aos portugueses, as suas roças e malocas (casas comunitárias de tribos de índios).
Recuaram à floresta, para se concentraram e iniciarem uma luta de guerrilhas, que se prolongou, embora com intervalos de pequenas tréguas, até meados de século XVII. Luta bem dura, para Vasco Fernandes Coutinho.
Para o patriarca do Espírito Santo, a capitania, que fora um prémio, transformou-se em castigo, pois teve de empenhar todos os bens, para conservar a vila, acabando por morrer pobre e desvalido.
Além da insubmissão dos indígenas, o donatário ainda teve de enfrentar dissensões entre portugueses.
Usando os poderes que recebera com a carta de doação, concedeu aos seus companheiros Jorge de Meneses e Duarte Lemos, extensas sesmarias.
Com isso, criou dois implacáveis rivais.
Duarte de Lemos fundou Vitória, na época, Vila Nova, na ilha de Santo António, em posição estratégica, mais vantajosa que Vila Velha para defesa contra constantes ataques dos silvícolas. Para lá foi transferida a sede da capitania.
Na mesma época chegaram os jesuítas, empenhados na catequese, que provocava choques com os colonos, cujos preferiam dominar os gentios pela escravidão.
A presença do padre José de Anchieta conferiu especial à acção dos padres da Companhia de Jesus, nessas terras do Espirito Santo.
Desde 1561 Anchieta escolhera para refúgio a aldeia de Reritiba, donde tinha de se afastar constantemente, devido aos seus encargos ora em São Paulo, ora no Rio de Janeiro ou na Bahia.
De notar que o padre, José de Anchieta, escreveu dois poemas em Reritiba: “De Beata Virgine dei Maria” (Da Santa Virgem Mãe de Deus) e “De gestis Mendi de Saa” (Dos feitos de Mendes de Sá).
No último, foi descrita a epopeia de uma esquadra enviada da Baiha, por Mendes de Sá, governador-geral do Brasil, para socorrer Vasco Fernandes Coutinho, com a sua gente, que estavam sob cerco dos tamoios na ilha de Vitória.
A maior força dos gentios estava concentrada numa aldeia fortificada, junto ao rio Cricaré.
Foi ai que se deu a decisiva batalha, a 22 de Maio de 1558.
Os Portugueses, embora vitoriosos, sofreram baixas pesadas. Entre elas o próprio filho de Mem de Sá, Fernão de Sá, que comandava a esquadra e dois filhos de Caramuru (Diogo Alves Correia) com a índia Paraguaçu.

Daniel Costa