
Sem duvida, o Brasil é o País do futuro. Há apenas, de não se adiar esse futuro.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
ALAGOAS, A GUERRA COM OS HOLANDESES E O QUILOMBO DE PALMARES

ALAGOAS,
A GUERRA COM OS HOLANDESES E O QUILOMBO DE PALMARES
No
princípio do século XVII, Penedo, Porto Calvo e Alagoas, admitindo-se essas
promoções fossem atribuídas no século anterior. Mas
em 1636 é foram elevadas a vilas, com a economia baseada na actividade
açucareira, visto que os engenhos de açúcar se tornaram os núcleos principais
da ocupação da terra.
A
partir de 1630 Alagoas é atingida pela invasão holandesa, tendo povoados,
igrejas e engenhos incendiados e saqueados.
Os
portugueses reagiram duramente. Batidos por sucessivos reveses, os holandeses,
já desanimavam, pensando em retirar-se quando para eles se passa o mameluco
Domingos Fernando Calador, de Porto Calvo.
Grande
conhecedor do terreno, orientou-os em nova expedição a Alagoas.
Tendo
os invasores, aportado à Barra Grande passaram a vários pontos com êxito. Em
Santa Luzia do Norte, a população ainda resistiu.
Após encarniçada
batalha os holandeses, recuaram e retomaram a Recife.
No
entanto, caindo em seu poder o arraial do Bom Jesus, entre Recife e Olinda,
adregaram vitórias.
Alagoas,
Penedo e Porto Calvo, foram os pontos principais se travou a luta em terras
alagoanas.
Por
fim, os portugueses retomaram Porto Calvo e aprisionaram, que morreu na forca
em 1635.
Clara
Camarão, uma mulher porto-calvense de sangue indígena, também se salientou na
luta com os holandeses, acompanhando o marido, o índio Filipe Camarão, na maior
parte dos lances, arregimentando outras mulheres, tomando-lhes a dianteira.
Por
volta de 1641, um chefe holandês afirmou a região estar quase despovoada. João
Maurício de Nassau pensou em repovoá-la, contudo o projecto não foi em frente.
À
época também se produzia fumo (planta, antigamente conhecido por “ouro verde”)
em Alagoas, considerado de qualidade excelente, o da Barra Grande.
Em
1645 a população participou na reacção nacionalista, na luta sob o comando de
Cristóvão Lins, neto homónimo do primeiro povoador de Porto Calvo.
Expulsos
os holandeses do território, em Setembro de 1645, a prossegue na luta, agora em
território de Pernambuco.
No
fim do século XVII, São intensificadas lutas contra os quilombos, os negros
agrupados nos Palmares.
Frustradas
as primeiras tentativas de Domingos Jorge Velho em 1692. Dois anos depois o
quilombo é derrotado, com ataques simultâneos de três colunas: uma, de
paulistas; outra de pernambucanos, comandados por Bernardo Vieira de Melo, a
terceira, de alagoanos sob o camando de Sebastião Dias.
Palmares,
começou a formar-se ainda no em fim do XVI século, durando cerca de em anos.
Dos
maiores redutos de escravos foragidos da era colonial, Palmares ocupava, a
vasta área que, coberta de palmeiras, se estendia do cabo de Santo Agostinho ao
rio São Francisco. A superfície, progressivamente, reduzida com o passar do
tempo viria, em fins do século XVII, a concentrar-se, na ainda extensa região
delimitada pelas vilas de Una Serinhaèm em Pernambuco e Porto Calvo, Alagoas e
São Francisco penedo, também em Alagoas.
Os
escravos se organizaram reduto, um verdadeiro estado, em moldes africanos com o
quilombo constituído de diversas populações (mocamos) cerca de onze, governadas
por oligarcas, na chefia suprema do rei Ganga-Zumba.
A
partir de 1667, intensificaram-se as entradas contra os negros, a princípio com
a finalidade de os recapturar, em seguida com a de reconquistar as terras de que
aqueles se tinham apoderado.
As
investidas do sargento-mor Manuel Lopes em 1835 e de Fernão Carrilho 1677,
foram desastrosas para os quilombos. As hostes aguerridas em seguida a uma
primeira expedição punitiva, em 1679, que liquidaria o velho, verdadeira e
última resistência.
Desapareceu
o quilombo de Palmares, em 20 de Novembro de 1695.
Daniel
Costa
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
ALAGOAS E O PLANALTO


ALAGOAS
E O PLANALTO
Reconhecida
desde as primeiras expedições portuguesas, a costa do actual Estado de Alagoas,
desde cedo, foi também visitada por embarcações de outras nacionalidades, para escanto
do pau-brasil.
Alagoas
aquando da instituição de Capitanias Hereditárias foi integrada na de
Pernambuco, a sua ocupação remonta à fundação da vila do Penedo em 1545, pelo
donatário Duarte Coelho Pereira, que incentivou a fundação de engenhos na
região, nas margens do rio São Francisco.
Região
celebrizada, por ter palco do naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda e
posterior massacre dos sobreviventes, entre os quais o bispo dom Pero Fernandes
Sardinha, pelos caetés, em 1556. O episódio serviu de justificação para a
guerra de extermínio desse grupo indígena pela Coroa portuguesa.
No
início do XVII século, para além da lavoura de cana-de-açúcar, a região de
Alagoas já tinha expressão como produtora regional de farinha de mandioca,
tabaco e peixe seco, consumidos na Capitania de Pernambuco.
Durante
as invasões holandesas do Brasil, de 1630 a 1654, o seu litoral tornou-se terreno
de violentos combates, multiplicaram-se os quilombos no seu interior, os
africanos evadidos dos engenhos de Pernambuco e da Bahia.
Palmares,
o mais famoso chegou a contar, com vinte mil pessoas, no seu apogeu.
Os
quilombos constituíam locais de refúgio de escravos africanos e
afrodescendentes, em todo o continente americano. Eram entendidos pelo Conselho
Ultramarino, do governo português em 1740, como todo o agrupamento de negros
fugidos que passesse de cinco.
A
comarca de Alagoas, constitui-se em 1711, sendo desmembrada da Capitania de
Pernambuco, por decreto de 16 de Setembro de 1817, em consequência da revolução
pernambucana daquele ano.
Foi o
seu primeiro governador, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, assumindo a
função a 22 de Janeiro de 1819.
Barra
Grande terá sido o primeiro ponto do Território de Alagoas visitado por
descobridores europeus, por ocasião da viagem de Américo Vespúcio em 1501.
Embora não haja qualquer referência àquele porto, excelente para acolher
navios. Como a expedição vinha de norte para sul, pode crer-se que o primeiro
contacto com a terra alagoana tenha ocorrido ali.
Vespúcio
assinalou um rio a que chamou São Miguel. A 4 de Outubro denominou São
Francisco o rio então descoberto, actualmente limite de Alagoas com Sergipe.
Nas
décadas seguintes os franceses andaram pela costa alagoana, no tráfico do
pau-brasil. O porto do Francês documenta a presença daquele povo.
Em
1570, em segunda bandeira enviada por Duarte Coelho, comandada por Cristóvão
Lins, explorou o norte de Alagoas, onde fundou Porto Calvo e cinco engenhos,
dos quais ainda existem dois. O Buenos Aires e o Escurial.
Neste,
repousou em 1601, o corsário Inglês Anthony Knivet, que viajara por terra após
fugir da Bahia, onde estivera prisioneiro dos portugueses.
Quão
é importante fazer-se uma reflexão, sobre a expansão marítima de Portugal, pela
lógica da dinâmica criação do reino, por D. Afonso Henriques.
Portugal
com a sua origem, como pais, no Condado Portucalense, devido a estar afastado
dos centros de decisão, politica, da cristandade europeia, então vigente, na
primeira dinastia, foi conquistando terras aos moiros, rumando ao sul.
Chegado
ao Algarve e consequentemente ao mediterrânio, estavam traçadas as fronteiras
do país.
Porém,
as elites constituídas pelos fidalgos, a irrequietude de espirito, a que não
seria alheia uma crescente demografia, iam ditando que as fronteiras se
estabelecessem para além do oceano, dado este ser patente, em metade do país.
Tudo isso
explica a expansão ultramarina, de que o Brasil foi paradigma.
Era
nisto que Teodósio de Mello meditava, enquanto ia pensando no quanto os portugueses
foram vencendo todos de obstáculos.
Só
assim se explica que o Brasil, na sua extensão, seja hoje um grande espaço da
lusitanidade, que a todos deve orgulhar, já que a nossa pátria é a nossa
língua.
Daniel
Costa
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
GUARABIRA - TERRA DA LUZ - CAPITAL DO BREJO


GUARABIRA
– TERRA DA LUZ - CAPITAL DO BREJO
O
nome Guarabira vem do temo tupi Guiraobira que designava o chefe da tribo. O
topónimo pode, entre outras interpretações, ser traduzido, por pássaro verde.
Por
volta do décimo século, a região foi invadida por povos tupis procedentes da
Amazónia, que expulsaram os originais habitantes, falantes de línguas macro-jês,
para o interior do continente.
Quando
os primeiros exploradores, no século XVI, chegaram à região, esta era habitada
pela tribo dos potiguares.
No
reinado de Filipe III de Espanha, II de Portugal, Duarte Gomes da Silveira,
filho de pais portugueses, Pedro Alves da Silveira e Maria Gomes Bezerra,
nascera em Olinda e teve notável influência nas origens de Guarabira. Foi
durante o domínio espanhol que ele iniciou perto da Araçagi, a pecuária e os
latifúndios.
Relevante
foi a ida da vila de Natal para Cupuoba e Quandus, aldeia de índios, do Jesuíta
Gaspar de Samperes, no fim das guerras dos potiguares, em 1578, em missão de
paz.
O
padre viajou a pé para a pacificação potiguar, sem armas, apenas vestido da
couraça da fé, transformado os valentes rebeldes selvagens em ovelhas mansas e
fiéis.
O
jesuíta Gaspar era espanhol.
Tempos
após, holandeses garimpeiros, sob as ordens de Elias Herckmans, procuravam minas
no Rio Araçagi desta zona, o que ocorreu na segunda metade do seculo XVI,
aquando da capitania da Paraíba e fundação do município da Senhora das Neves,
em 1585, o que viria a ser a cidade de João Pessoa.
Em
1592, Feliciano Coelho de Carvalho, governador da capitania, com a colaboração
dos tabajaras, conseguiu, diversas vezes, travar combates vencedores, com
índios potiguares e seus aliados franceses, que se localizavam na Serra da
Copaoba, actual Serra da Raiz. Período, em que mercê dos seus trabalhos, Duarte
Gomes recebeu o título de capitão-mor da Serra de Cupaoba.
A
fundação de Guarabira teve lugar em 1694, em terras do engenho Morgado,
pertencentes a Duarte Gomes Teixeira. As primeiras residências edificadas, mais
tarde, deram origem à Vila da Independência, primeiro topónimo da cidade de
Guarabira, que em virtude da sua localização e excelência do solo, tornou-se de
enorme prestígio e influência nas suas redondezas.
Em 1
de Novembro de 1755, com o conhecido e transcendente terramoto de Lisboa, José
Rodrigues Gonçalves da Costa, tomado de pânico fugiu da Póvoa de Varzim, no
norte, perto da cidade do Porto, sua terra.
Aportou
em Guarabira com toda a família.
Costa
Beiriz, por ser da localidade do mesmo nome, como ficou conhecido, mandou construir
uma capela onde colocou, uma imagem da Nossa Senhora da Luz, de que era muito
devoto e levara de Portugal.
Esta
tornou-se a padroeira do município, embora o padre João Milanez, já tivesse
construído a primeira igreja do Município, a capela de Nossa Senhora da
Conceição em 1730.
Em 1760 começaram as primeiras orações e novenas à
Virgem da Luz.
Sempre
atento a pormenores ditados pelas suas pesquisas, Teodósio de Mello, não
encontrando mais referências a José Rodrigues Gonçalves da Costa, tomou a
liberdade de intuir, que o mesmo teria casa com terras em Lisboa, possivelmente
na freguesia de Carnide, ainda bastante rural.
De
tudo se pode pressupor que ele estaria algures na freguesia de Carnide, onde a
Senhora da Luz, na sua vetusta catedral, já era de enorme tradição, ser muito
venerada, quando se deu o terramoto, seguido de marmoto.
Acresce
ainda que, o grande terramoto, se deu de Lisboa para o sul e a Póvoa de Varzim
é bem no norte de Portugal.
Daniel
Costa
domingo, 30 de outubro de 2016
MANAUS E A DIPLOMACIA PORTUGUESA


MANAUS
E A DIPLOMACIA PORTUGUESA
Entretanto,
Teodósio de Mello viajara para Lisboa, com Samira. Era a primeira viagem
transatlântica desta, que estava a adorar a capital do grande império que foi
Portugal.
Aquele,
procurando situar-se e situar a esposa na época áurea das descobertas, de que o
Brasil foi e sempre será paradigma, porquanto será, o País que mais se deve
identificar, culturalmente, com Portugal, o colonizador.
Na
verdade, nos dois países, hoje irmanados no mesmo idioma, a circulação de
pessoas, comumente, faz-se sem qualquer constrangimento.
Acresce,
a maior comunidade de pessoas trabalhadoras, em Portugal, ser natural do Brasil.
A todo o momento encontram-se transeuntes com sotaque Brasileiro, como estava a
constatar Samira, que o fez notar ao amado marido.
É
facto que o fluxo de deslocação do capital de trabalho, já no final do século
XX se notava, porém neste século XXI, se inverteu. Depois de os portugueses,
encontrarem trabalho no país irmão, agora é vez dos brasileiros em Portugal.
Teodósio
de Mello, já rodado em pensamentos imaginativos e pesquisas sobre a descoberta
e ocupação do Brasil, por portugueses, quis visitar e sentir dois emblemáticos locais
imbuídos de sentido histórico do que às descobertas diz respeito: Sagres, onde
já passara e a Praça do Império, em Lisboa.
Estava
pois, na Praça do Império, olhou todo o grande espaço circundante que comporta,
desde os manuelinos, Mosteiro dos Jerónimos, ou a magnifica Torre de Belém,
cuja estrutura interior, foi criada à imagem de uma caravela. Para apenas citar
monumentos bem representativos e a marcar o local de partida à descoberta do
Brasil em 1500.
Foi
ali que, Teodósio de Mello deu em pensar também na importância da diplomacia
portuguesa, cuja excelente tradição marcou bastante a ocupação de terras do
Brasil.
Já na
sua actual morada no Hotel Tambaú, na cidade de João Pessoa continuou a
debruçar-se, sobre a criação do novo Brasil, cuja grandeza territorial e
humana, tanto admirava.
A
cidade de Manaus foi fundada em 1669, a partir do forte de São José da Barra do
Rio Negro, na margem esquerda do mesmo rio. A origem do nome provém da tribo
dos manaós.
Na
língua indígena, Manaus é a variação de Manaos que significa Mãe dos Deuses.
A
ocupação da região de Manaus, aconteceu em 1657, quando tropas de resgate,
comandadas pelo cabo Bento Manuel Parente, saíram de S. Luís acompanhadas de
dois padres, Francisco Veloso e Manuel Pires. Durante algum tempo, a tropa
fixou-se na foz do rio Tarumã, onde foi colocada uma cruz, como o costumado,
rezada uma missa.
Em
1658, outra tropa de resgate, com origem no Maranhão, chegou à região,
procurando além dos nativos, as chamadas “drogas do sertão”. Os nativos viam
assim as suas aldeias saqueadas, pelos exploradores e os rebeldes que se
recusassem a ser escravizados eram mortos.
O
interesse em construir um forte na localidade veio apenas em 1668, quando o
capitão Pedro da Costa da Costa Favela, caçador de índios, ao regressar ao Pará
convenceu o governador António Albuquerque Coelho de Carvalho, da necessidade
táctica de ser a região dotada de fortificação, contra o assédio dos holandeses
e espanhóis.
A
missão de construir um simulacro de fortaleza foi dada a Francisco da Mota
Falcão, que recebeu auxílio de Manuel Mota Sequeira. O seu primeiro comandante
foi o capitão Angélico de Barros.
O que
é reconhecido como Amazónia, nos primeiros anos do século XVII, pertencia ao
Estado do Maranhão e a única cidade existente era São Luís, onde se concentrava
todo o poder daquele estado.
A
região central e oeste foram ocupadas apenas por ordens religiosas que se
subdividiram em áreas de missões e aldeamentos de actuações de Jesuítas, Carmelitas,
Dominicanos e Franciscanos.
O que
variou ao longo do tempo, mormente com o fim da Companhia de Jesus em meados do
XVII século.
Ao tempo
que as Ordens Religiosas dominavam o interior do vale Amazónico o Governo do
Estado do Maranhão promovia a distribuição de terras para particulares fundarem
as suas capitanias.
Daniel
Costa
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
RIO AMAZONAS - TRATADO DE MADRID


RIO AMAZONAS – TRATADO DE MADRID
Devido
ao à presença avançada dos frades franciscanos e por fortificações em Guaporé,
a norte da região, a presença portuguesa ia-se continuando a impor.
Os
franceses, instalados em Caiena (Guiana Francesa), objectivavam descer o
litoral para alcançar o Amazonas, instigando surtidas constantes de sacerdotes,
pescadores e predadores de índios.
Era
assim que as expedições de reconhecimento portuguesas experimentavam grandes
dificuldades na actual região do Amazonas. No rio Negro, os manaós tidos como
índios valentes e resistente, coligavam-se com tribos vizinhas e os torás na
bacia do Madeira, entregavam-se a uma guerra de morte contra sertanistas e
colectores de especiarias.
Na
zona do rio Solimões, a penetração portuguesa ia-se defrontando com missões castelhanas
dirigidas pelo jesuíta Samuel Fritz.
O Amazonas
passou a ser disputado por portugueses e espanhóis que habitavam a respectiva
bacia. Da luta resultou a disputa pela posse da terra o que motivou a formação
de enormes latifúndios.
A
região do alto do rio Amazonas foi então considerada estratégica, tanto para a
diplomacia espanhola, por representar via de acesso ao Vice-reino do Perú. Para
a diplomacia portuguesa, especialmente, a partir da descoberta de ouro nos
sertões de Mato Grosso e Goiás, visto a rapidez de escoamento a partir da bacia
do rio Amazonas.
Por
ordens secretas de Lisboa, as forças militares invadiram as missões espanholas,
expulsando padres e soldados que as amparavam.
Como
corolário, entre 1691 e 1697, Inácio Correia de Oliveira, António de Miranda e
José Antunes da Fonseca apossaram-se do Solimães e Francisco de Melo Palheta
tomava do domínio português do alto Madeira. Belchior Mendes de Morais invadia
a bacia do Napo.
O
Enorme espaço conquistado tornou-se produtivo e a Coroa portuguesa,
necessitando de consolidar a posição, solicitou o consequente trabalho
missionário para a área.
Os
frades carmelitas e os inacianos, assim como mercenários que foram aprofundando
a colonização dos antigos domínios espanhóis no estado do Amazonas.
Espalhavam-se
as missões dos jesuítas pelo vale contiguo do Tapagós e mais a oeste, pelo
Madeira, enquanto os mercenários se estabeleceram próximo da divisa com o Pará,
nos cursos do Urubu e do Uaturmã.
Os
Carmelitas disseminaram os seus aldeamentos ao longo do Solimães, do Negro e ao
norte no Branco, no actual estado Roraima.
Sempre
a ideia de converter os gentios à fé católica e, claro, ampliar o comércio de
especiarias. Os religiosos transferiam as missões com frequência, seguindo as
margens dos rios.
Esses
múltiplos aldeamentos surgiram bastantes povoados, como Cametá, na foz do
Tocatins; Airão, Carvoeiro, Moura e Barcelos, no rio Negro; Santarém, na foz
Tapajóz; Faro, no rio Nhamundã; Borba, no rio Madeira; Tefé, São Paulo de Olivença
e Coari, no Solimães no curso do Amazonas.
É
nesse contexto que se inserem as secretas instruções do Marquês de Pombal,
primeiro-ministro da rei D. José, passadas ao Capitão General da Capitania do
Grão-Pará, João Pereira Caldas, para que fossem fundadas sete feitorias, pelos
cursos dos rios amazónicos de Belém até Vila Bela do Mato Grosso e à capital da
Capitania do Rio Negro, para apoiar o comércio com as províncias espanholas do
Orinoco, na Venezuela e Quito, Equador, assim como do Perú.
Este
comércio era antes feito, a partir da colónia do Sacramento, no Uruguai, fundada
em 22 de Janeiro de 1680, por Manuel Lobo, então Governador da Capitania Real
do Rio de Janeiro, por instruções de Lisboa.
O
tratado de Madrid, firmado na capital espanhola, entre os reis D. João V de
Portugal e D. Fernando VI de Espanha, em 13 de Janeiro de 1750, para definir os
limites fronteiriços, entre as respectivas colónias sul-americanas.
O
novo Tratado teve como fim substituir o das Tordesilhas, que na prática já não
era respeitado, consagrando o direito à posse, pondo fim às consequentes disputas.
Dentro
do projecto de ocupação do sertão amazónico, constituiu-se a Capitania Real de
São José de Rio Negro, pela Carta-régia de 3 de Março de 1755, com sede na
aldeia de Mariuá, elevada a vila de Barcelos em 1790.
Já no
início do século XIX, a sede do governo da Capitania foi transferida para a
povoação do Rio Negro, elevada a Vila da Barra do Rio Negro.
Daniel
Costa
domingo, 23 de outubro de 2016
AMAZONAS E O TRATADO DAS TORDESILHAS


AMAZONAS E O TRATADO DAS
TORDESILHAS
Amazonas
foi o nome originalmente, dado pelo espanhol, Francisco Orellana, ao rio que
banha o estado, quando desceu todo o seu comprimento, em 1541.
Afirmando ter encontrado uma tribo de índias guerreiras, com que teria lutado,
associando-as as amazonas da mitologia grega, deu-lhe o nome de “Rio de las Amazonas”.
Pelo
Tratado das Tordesilhas, celebrado em 7 de Junho de 1494 entre o Reino de
Portugal e a Coroa de Castela, com o fim de dividir as terras “descobertas e a
descobrir”, por ambas as Coroas fora da Europa, que definia como linha de
demarcação, o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão, no
arquipélago de Cabo Verde, todo o vale amazónico se encontrava nos domínios da
Coroa espanhola.
Foi
assim que, a foz do rio Amazonas foi descoberta por Vicente Yáñez Pinzón,
navegador espanhol que a alcançou em Fevereiro de 1500, seguido de seu primo
Diego Lepe em Abril do mesmo ano.
Em
1541, outros espanhóis, Gonzalo Pizarro e Francisco de Orellana, partindo de
Quito, no actual Equador, atravessado a cordilheira dos Andes exploraram o
curso do rio até ao Oceano Atlântico.
A
viagem, que durou de 1540 a 1542, relatada pelo frei dominicano, Gaspar Carvaial,
este afirmou, realmente, que os espanhóis lutaram com mulheres guerreiras, as
icamiabas, designação genérica que, segundo o folclore brasileiro, mulheres que
formariam uma tribo de guerreiras, nas margens do rio disparam-lhe flexas e
dardos de zarabatanas.
Ainda
no século XVI, os espanhóis realizaram outra expedição similar à de Orellana. Pedro
de Ursua, vindo do Perú, também navegou o Amazonas, 1559-1561, em procura do
lendário Eldorado.
Ursua
foi assassinado no caminho e a expedição, comandada por Lopo Aguirre,
prosseguiu tendo chegado ao oceano em 1561.
Como
resultado, os espanhóis, cientes das dificuldades em conquistar tão vasto
espaço, decidiram adiar a tarefa de coloniza-lo.
Quase
de imediato, os Ingleses e holandeses que disputavam o domínio das Américas aos
ibéricos, entregaram-se à exploração do Amazonas, lançando ai as bases de
implantações coloniais, através do levantamento de feitorias e pequenos fortes,
chamados “drogas do sertão”, em 1596, ainda assim a região não tinha uma
ocupação efectiva.
Até
ao segundo decénio do século XVII, quando os portugueses começaram a
ultrapassar os limites das Tordesilhas, as companhias de Londres e Flessigen,
promoviam activo comércio de madeiras e pescado, iniciando mesmo plantios de
cana-de-açúcar, algodão e tabaco.
Os
governos passaram a dar, abertamente, estímulos à empresa.
Robert
Harcourt obteve carta-patente de Jaime I da Inglaterra, em 1612, para explorar
o território do Amazonas.
Foi só, em 1580 – 1640, durante a Dinastia
Filipina, que a Coroa hispano-portuguesa se interessou pela região, com a fundação
de Santa Maria das Graças do Grão-Pará (actual Belém) em 1616.
Dignas de registo, são as expedições do
Capitão-mor, da Capitania do Grão-Pará e Cabo, Pedro Teixeira, que percorreu o
grande rio, do Oceano Atlântico, até Quito, com 70 soldados e 12.000 indígenas
em 47 canoas grandes (1637-1639) e logo de seguida a de António Raposo Tavares
cuja bandeira, saindo da capitania de São Vicente, atingiu os Andes. Retomando
o rio Amazonas, percorreu, cerca de 12.000 Km. Entre1648 e 1651.
Ao virar o século XVII, o domínio português ia-se
consolidando.
Daniel Costa
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