sexta-feira, 21 de outubro de 2016

CIDADE DE FORTALEZA - TRATADO DE TABORDA

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CIDADE DE FORTALEZA – TRATADO DE TABORDA

Entre 1637 e 1644 o forte da barra do Ceará foi reformado, com a construção de outro em Camocim.
Em 1639, George Marcoral, esteve no Ceará para uma expedição que, partindo do Fortim de São Sebastião, percorreu o oeste cearense até à região dos Inhamuns (microrregião dos Sertões cearenses).
Os holandeses permaneceram naquela Capitania até 1644, quando Gedeon Morris e sua tropa, que regressavam das batalhas no Maranhão, foram mortos numa emboscada, organizada pelos próprios índios.
Com essa emboscada de 1644, o Fortim de São Sebastião também ficou destruído.
De 1644 a 1649, o Ceará foi administrado pelas etnias então existentes. A presença europeia só recomeçou, depois de contactos e negociações, ao fim desse período. Negociações feitas entre nativos e António Paraupaba em 1648.
Com a chegada de Matias Beck em 1649, o Siará Grande, conheceu novo período histórico, porquanto na embocadura do riacho Pajeú, foi reconstruído o Forte Schoonenborch. Foram iniciados trabalhos de busca de supostas minas de prata, pelos holandeses, que procuravam mais uma vez, estabelecer-se na região, de parceria com os indígenas.
Após a capitulação holandesa em Pernambuco, a que a Capitania do Ceará estava então anexada, o forte foi entregue aos portugueses, que o rebaptizaram de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.
Restabelecia-se assim o poderio português no território. Neste período, as várias nações indígenas, que não estavam protegidas pelo Tratado Taborda, fugiram das retaliações portuguesas.
A capitulação holandesa aos portugueses foi assinada no Campo Taborda, no Recife a 26 de Janeiro de 1654.
Chamou-se Taborda ao Tratado por este ter sido feito nas terras do pescador Manuel Taborda.
A situação dos holandeses no Brasil, desde 1653, era inviável depois de tantas derrotas em batalhas com os portugueses.
As condições de vida no Recife já lhes eram precárias, devido à guerra declarada pelas forças portuguesas.
Foi diante deste cenário que os holandeses iniciaram as negociações de capitulação.
Gislbert de With, chefe do Conselho de Justiça do Brasil Holandês, foi um dos negociadores que, em 24 de Janeiro de 1654 e no dia seguinte, traduziu o Tratado e entregou aos portugueses e aceite por estes.
As condições principais, eram que a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, abdicava de todas as posses no Brasil e que os holandeses deixariam o solo brasileiro.
A evacuação holandesa do Recife só veio a acontecer a partir de Abril de 1654.
O acordo tinha várias cláusulas, que procuravam resolver as condições existentes dos holandeses em terras brasileiras, como os casamentos entre eles, os casados com brasileiras ou outras e as suas distintas posses.
A comunicação deste, aos sítios distantes da capital holandesa: exemplo a cláusula 13ª. ordenava o envio de uma embarcação para pessoas e bens.
Graças a esta, Matias Beck, no Forte Schoonenborch, teve conhecimento do acordo por portugueses e desta forma foi dos últimos holandeses a deixar o Brasil.
Na continuação da colonização pelos portugueses, a influência dos jesuítas foi determinante, resultando a criação de aldeamentos, como os de Porangaba, Paupina, Viçosa e outros, muitos deles fortemente militarizados, nos quais os indígenas eram concentrados para serem catequizados e assimilarem a cultura lusitana.
Tribos tupis, aliadas dos portugueses, também se instalaram em vilas militarizadas. Dessas surgiram as primeiras cidades da capitania, como Aquiraz e Crato.
O processo de aculturação, não se deu sem grandes influências e crenças, dos costumes nativos.
A intensa resistência conduziu a episódios sangrentos, como a Guerra dos Bárbaros, que se deu ao longo de várias décadas do século XVII.
Outras frentes colonizadoras surgiram com a instalação da pecuária na capitania, através dos sertões, com levas oriundas, respectivamente, da Bahia e de Pernambuco, de vilas como Icó, Aracati, Sobral e outras surgiram ao encontros de rotas do gado tangerino levado às feiras e fregueses. Mais tarde o custoso transporte de gado perdeu importância, para a produção da carne de charque (carne salgada e seca ao sol, para se manter própria mais tempo para consumo), por esta ainda no final do século XVII se ter disseminado também para as regiões serranas do Brasil.
O desenvolvimento do Ceará veio a acontecer em 1799, depois de lutas políticas e movimentos armados marcarem a obvia instabilidade.
Em 1799 o Ceará, em relação a Pernambuco, adquiriu a independência. Bernardo de Vasconcelos, foi nomeado primeiro governador do estado e responsável início da urbanização de Fortaleza.

Daniel Costa


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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CAPITANIA DO CEARÁ

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CAPITANIA DO CEARÁ

Na beleza da reluzente visão do mar da capital da Paraíba, entre o oceano e a cidade, no imponente Hotel de Tambaú, com a bela Samira a embelezar-lhe a existência, Teodósio de Mello, pensador por natureza, não podia deixar de reflectir sobre todos os aspectos que envolveram a colonização e aculturação do grandioso Brasil.
E esbarra sempre com a chamada União Ibérica, que de união nada teve de proveito para a Coroa Portuguesa. Veja-se até o caso dos holandeses que, tendo estado também sobre o jugo dos espanhóis, foi na Colónia do Brasil, que passaram a retaliar estes, quando na verdade, tiveram de ser os portugueses e seus aliados indígenas a vencer as suas invasões e expulsá-los, definitivamente do território.
Os factos da história do território cearense, na História Moderna, começaram a ser registados a partir do XVI século.
A região já habitada por várias etnias indígenas a viver da extracção de recursos naturais, como o que provinha da pesca e do comércio com povos europeus.
A História da formação do Ceará resulta de factores sociais diversos, como a interacção, dos povos nativos com os europeus e africanos e da adaptação destes ao fenómeno da seca.
A capitania, em 20 de Novembro de 1535, foi doada ao provedor-mor da Fazenda Real, António Cardoso de Barros, subalterno de Fernão Álvares de Andrade e de D. António de Ataíde. Este não se interessou em colonizá-la.
Os franceses foram os primeiros europeus a estabelecerem-se no Ceará, onde em 1590 fundaram a Feitoria da Itabanga, já ali negociavam âmbar-gris, as tatajubas (nome popular de árvores de grande porte), a pimenta e o algodão.
Os holandeses também já negociavam com os cearenses nativos, a exemplo do capitão Jen Baptista Sijens, que esteve no Mucuripe em 1600.
A partir de 1603 os portugueses tentaram, por meio do litoral, estabelecer-se em terras cearenses, porém devido à intensa resistência nativa e à falta de conhecimento de como sobreviver às secas não obtiveram sucesso.
Esta foi a primeira tentativa efectiva da colonização, graças aos contactos entre os índios Potyguara e portugueses, que Pero Coelho de Sousa, que fundou o Forte de São Tiago na Barra do Ceará, porém em 1605 sobreveio a primeira seca registada da história cearense, fazendo com que Pero Coelho e família abandonassem a capitania.
Depois da partida de Pero Coelho, os padres jesuítas Francisco e Luís figueira chegaram ao Ceará para evangelizar os ossilvícolas.
Avançaram até à Chapada da Ibiapaba, aí ficaram até à morte do padre Francisco Pinto. O padre Luís voltou para Pernambuco em 1608.
Nova expedição portuguesa foi enviada em 1612, como parte dos esforços para a conquista do Maranhão, dominado então pelos franceses.
Dessa expedição fez parte Martim Soares Moreno em 1602, que ergueu o Fortim de São Sebastião, também na Barra do Ceará. Ao voltar em 1621, encontrou o forte destruído, mas lançou as bases para início da exploração económica pelos portugueses e a convivência com os nativos.
Já estabelecidos em Pernambuco desde 1630, os holandeses tentaram invadir o Ceará em 1631, a pedido das nações indígenas cearenses. Entretanto, a primeira tentativa de conquista holandesa fracassou.
Porém, em 1637 o território voltou a ser ocupado pelos holandeses, devido a uma luta conjunta com os nativos, em cuja, os portugueses foram feitos prisioneiros e levados para a capital da capitania.

Daniel Costa



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CIDADE DE NATAL - OCUPAÇÃO HOLANDESA

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CIDADE DE NATAL - OCUPAÇÃO HOLANDESA

Data de 21 de Dezembro de 1631 que, uma frota de 14 navios, com dez companhias de combatentes veteranos, comandada por Hartman Godefrid Van Steyn-Gallefels, partiram de Recife, rumo à cidade de Natal, desembarcando em Ponta Negra, depois em Genipabu.
Cerca de dois anos depois, em cinco de Dezembro de 1633, outra esquadra comandada por Jean Cornelis Sem Lichtard, com tropas que Baltazar Bim comandava, vieram a partir de novo do Recife para a capitania de Rio Grande do Norte.
Ferindo Pero Mendes Gouveia, capitão-mor, tomaram a Fortaleza da Barra do Rio Grande do Norte, que se passou a chamar Castelo de Keulen, dando assim início ao domínio holandês da capitania.
Durante o domínio holandês, a Holanda apenas se preocupava em explorar a região, pondo cobro a qualquer tipo de resistência.
De notar, o que se deu em 1645, quando o fanatismo religioso conduziu aos massacres de Cunhaú e Uruaçú, numa chacina no contexto das invasões holandesas, nos Engenhos de Canguaretana e São Gonçalo de Amarante.
Conta-se que Jacob Rabbi, judeu alemão, conhecido dos moradores por já ter passado, anteriormente, escoltado pelas tropas dos índios Tapuías, deixando ódio e destruição. Veio então com mais forças, além dos Tapuias, vinha com alguns potiguares e soldados holandeses.
Como de costume, sendo Domingo, 16 de Julho de 1645, na Igreja de Nossa Senhora das Candeias, o pároco André de Soveral, começou a celebração da missa e depois da elevação do Corpo e Sangue de Cristo, as portas da Capela foram fechadas, foi então que as cenas de atrocidades tiveram lugar.
Depois, em 3 de Outubro do mesmo ano de 1945, a mesma cena em Uruaçu, também a mando de Jacob Rabbi.
Finalmente, depois de 21 anos, em 1654, o domínio holandês terminou no Rio Grande do Norte.
Contudo, os batavos (holandeses) deixaram a capitania, deitando fogo, deixaram um rasto de destruição.
Anos depois, o Rio Grande do Norte envolveu-se noutro conflito – Guerra dos Bávaros – que agravou a situação, continuando a impedir o desenvolvimento local.
Em 1695, Bernardo Vieira de Melo, assume o governo da capitania e finalmente, a região foi pacificada.
Em 11 de Janeiro de 1701, o Rio Grande do Norte foi subordinado a Pernambuco, posteriormente, à Paraíba.
Durante todo o século XVII a agro-pecuária foi a base da economia potigular, o nome dado a quem nasce no Rio Grande do Norte.
Fundada no dia de Natal de 1599, nas margens do Rio Potengi, a cidade de Natal, mundialmente conhecida, foi desde logo, a capital do Rio Grande do Norte.
A fazem conhecida, importantes monumentos, parques, museus e pontos turísticos. De destacar o Teatro Alberto Maranhão e a Coluna Capitolina Del Pretti no Centro Histórico,  a Ponte New Navarro, o Museu Câmara Cascudo, o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, o Museu de Cultura Popular, o Parque das Dunas, a Catedral Metropolitana e praias como Ponta Negra e dos Artistas.

Daniel Costa





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

RIO GRANDE DO NORTE

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RIO GRANDE DO NORTE

Em virtude da localização geográfica, que forma um vértice, a nordeste da América do Sul, a que foi a capitania do Rio Grande do Norte é tido como uma das “esquinas” do Brasil e do continente. Esta posição acaba por lhe conferir grande projecção o Atlântico.
A história local inicia-se a partir do território que é o Brasil de hoje, quando se deu uma onda de migrações para os Andes. Depois para o planalto da região Nordeste, até chegarem ao Rio Grande do Norte.
Ao longo da sua história, o território foi sofrendo invasões de povos estrangeiros, sendo os principais franceses e holandeses.
Em 1535, a então Capitania do Rio Grande do Norte, terá sido doada pelo Rei de Portugal, D. João III a João de Barros.
No entanto, a historiografia do Rio Grande do Norte, começa muitos séculos antes da chegada dos portugueses.
Inicialmente há 11.300 ou 9.000 anos, o território era habitado por animais. Algum tempo depois começou a ser povoado por caçadores.
Alguns desses povos primitivos deixaram vestígios em sítios arqueológicos de Angicos e Mutamba, onde foram achados pormenores de arte rupestre em rochas e em paredes de cavernas, desde inscrições até pinturas.
É discutido o significado, entre as várias teorias, a mais aceite é a que afirma que tais vestígios serviam como meio de comunicação e não como manifestações artísticas.
Acredita-se que, antes da chegada dos portugueses, navegadores espanhóis, como Afonso de Ojeda e Diego de Lepe, teriam chegado a terras do Rio Grande do Norte.
A primeira expedição, a chegar a terras do Rio Grande do Norte, que contava com a participação de Américo Vespúcio, deu-se em 10 de Maio de 1501 que, depois de onze semanas de viagem, aportou no Cabo de São Roque. Ali foi fixado o primeiro marco, de posse, colonial português no Brasil.
Sendo incerto o nome do comandante dessa expedição, o mais aceite é Gaspar de Lemos.
Pouco tempo depois, o litoral brasileiro começou a ser visitado por corsários.
Foi então que, ao saber-se disso em Portugal, D. João III, para os conter, enviou expedições, entre 1516 e 1519 primeiramente e posteriormente em 1526 e 1528.
Em 1534 dividiu a colónia em capitanias hereditárias, entre elas, Rio Grande do Norte, de João de Barros, que possuía uma extensão de cem léguas.
Em 1535 foi organizada uma expedição de cinco naus, cinco caravelas, com novecentos homens e mais de cem cavalos, comandada por Aires da Cunha, que fracassou após a sua morte.
Mais a norte, os portugueses fundaram um povoado a que chamaram Nazaré, onde se mantiveram três anos.
Doada a João de Barros, a colonização da capitania, resultou em fracasso, dando-se a invasão de franceses, que começaram o contrabando do pau-brasil.
Com a União Ibérica, em que Portugal ficou sob o domínio de Espanha, o rei Filipe II de Espanha e I de Portugal, lançou a sua atenção sobre a colónia do Brasil, em especial ao Norte e Nordeste e, ao entender o clima de ameaça francesa, determinou por duas cartas régias (1596 e 1597) a expulsão dos franceses, a construção de uma fortaleza e a fundação de uma cidade.
Os franceses dominaram Rio Grande do Norte até ao ano seguinte, até que, com o comando de Jerónimo de Albuquerque e Manuel de Mascarenhas Homem, para garantir a posse das terras, construíram a Fortaleza dos Reis Magos.
Os franceses foram expulsos, foi terminada a Fortaleza João de Deus Colaço e fundada a cidade de Natal, em 25 de Dezembro de 1599.

Daniel Costa






domingo, 11 de setembro de 2016

OLINDA CAPITAL COLONIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO

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OLINDA CAPITAL COLONIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Dominada pela Espanha, na ocasião denominada União Ibérica, 1580 / 1640 a Holanda, tendo conseguido a sua independência, vê em Pernambuco uma oportunidade para impor duro golpe ao reino de Filipe IV de Espanha e III de Portugal.
Assim, a capitania de Pernambuco foi invadida pela Companhia das Índias Ocidentais, visto aquele território ser então o maior em produção de açúcar da América portuguesa.
Foi a 26 de Dezembro de 1629 que, de Cabo Verde, partiu para Pernambuco, sob o comando do almirante Hendrick Lonck, poderosa esquadra holandesa, de 67 navios com cerca de 7000 homens, desembarcando na praia de Pau Amarelo. Em Fevereiro de 1630 conquistaram a capitania, estabelecendo ai o que designaram, a colónia de Nova Holanda.
Na passagem do Rio Doce a frágil resistência, foi derrotada e sem grandes contratempos, os holandeses invadiram Olinda.
Olinda era a cidade mais rica do Brasil Colónia, o que se manteria, sendo que pouco antes de 1608, a cidade chegou a ser referida como uma “Lisboa pequena”, quando os holandeses a saquearam, destruíram e incendiaram, escolhendo o Recife para capital do Brasil Holandês.
Após a insurreição Pernambucana, Olinda voltou a ser a sede da Capitania, porém sem a influência anterior.
Mais antiga das cidades brasileiras, declaradas pela UNESCO Património Histórico e Cultural da Humanidade. Olinda foi o segundo centro histórico do país a receber o título, em 1982, após Ouro Preto.
É considerada uma das localidades coloniais melhor preservadas do Brasil.
Os moradores em pânico fugiram como puderam. Alguns focos de contenção foram eliminados, em pouco a capital Olinda e o seu porto, Recife, foram tomados, destacando-se a bravura do capitão André Temudo em defesa da Igreja da Misericórdia.
Maurício de Nassau, conde desembarcou na Nieuw Hollanda (Nova Holanda), acompanhado por uma equipa de arquitectos e engenheiros, em 1637 e começa a construção de Mauritsstad (Recife actual), que foi dotada de pontes, diques e canais, para vencer as condições geográficas locais, que se lhe apresentavam.
O arquitecto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como Palácio Friburgo, sede do poder de Nassau, nessa Nova Holanda.
Também o observatório astronómico, tido como o primeiro do Continente Americano.
Em 28 de Fevereiro de 1644 foi ligada à Cidade Maurícia, com a construção da primeira ponte da América Latina.
Durante o governo de Nassau, Recife foi considerada a cidade mais cosmopolita das Américas, tinha a maior comunidade judaica do continente, que à época construiu a primeira sinagoga do novo mundo, a Kahal Zur Israel, assim como a segunda, a Maquen Abraham.
Sendo um dos mais importantes motivos, a causa próxima, a exoneração de Maurício de Nassau, do governo da capitania, pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de Pernambuco, rebelou-se contra o governo do invasor.
Num movimento denominada Insurreição Pernambucana 1645 / 1654, ou Guerra da Luz Divina, em 15 de Maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurrectos pernambucanos, assinaram um compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania.
Com o acordo assinado, inicia-se o contra-ataque. A primeira vitória importante deu-se no Monte das Tabocas, onde 1200 homens armados de armas de fogo, foices, paus e flexas, numa emboscada derrotaram 1900 holandeses, bem armados e treinados.
O sucesso deu ao líder António Dias Cardoso, o apelido de Mestre das Emboscadas.
Os holandeses foram sucessivamente derrotados. Numa faixa que ficou conhecida por Nova Holanda, que ia do Recife a Itamaracã, os invasores holandeses começaram a sofrer a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações, nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo.
Em 24 de Abril de 1646, deu-se a famosa batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas, armadas de utensílios agrícolas e armas leves, expulsaram os invasores, definitivamente.
O facto histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar. de mulheres, na defesa do território brasileiro.

Daniel Costa





domingo, 4 de setembro de 2016

PERNAMBUCO


PERNAMBUCO

É no nordeste do Brasil que, se concentram alguns dos mais antigos sítios arqueológicos, conhecidos do país, com a data de 40.000 anos.
Em Pernambuco, no Vale do Calimbau, Pinturas Rupestres estão datadas de cerca de 11.000 anos.
Ainda na região que, actualmente, corresponde ao estado de Pernambuco, houve identificação de vestígios seguros de ocupação humana, superiores a 11.000 anos, nas Regiões de Chã do Caboclo, Bom Jardim, Furna do Estrago e Brejo da Madre de Deus.
Em Brejo da Madre de Deus, foi descoberta importante necrópole pré-histórica com 125 metros quadrados de área coberta, donde foram resgatados 83 esqueletos humanos em bom estado de conservação.
Dentre, os indígenas que habitaram o estado, foi, identificada a tradição, cultural Itaparica, responsável pela confecção de artefactos lascados, há mais de 6.000 anos.
Depois no Agreste Pernambucano, conservam-se pinturas rupestres, aproximadamente de 2.000 anos, atribuídas à sub - tradição Cariris Velhos.
Já desapareceram do litoral de Pernambuco os Tabajaras e os Caetés da época da colonização.
Nos brejos do interior, do estado ainda é possível encontrar grupos de indígenas de antigas tradições, como os Pankararu (Tucaratu) e os Atikum (Floresta).
Há teorias, sobre quem foi o primeiro europeu chegar a terras que hoje formam o Brasil, sendo a mais aceite é a que defende que foi o Espanhol Vicente Yáñez Pinzón, em 26 de Janeiro de 1500, possivelmente, ao Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco.
Porém, o local sempre foi controverso.
Para alguns pesquisadores portugueses, os espanhóis teriam desembarcado a norte do Cabo Orange, na actual Guiana Francesa.
No ano seguinte, da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1501, o território de Pernambuco, que o Tratado das Tordesilhas, definiu como região pertencente á América Portuguesa, foi explorado pela expedição de Gaspar de Lemos, que teria criado feitorias ao longo da costa da colónia, possivelmente, inclusive na actual localidade de Iguassu, cuja defesa, seria futuramente confiada a Cristóvão Jaques.
Pernambuco tornar-se-ia a principal área de exploração do pau-brasil (pau-pernambuco) no Novo Mundo.
A madeira pernambucana era de uma qualidade tão superior, que regulava o preço no comércio europeu.
Efectivamente, o povoamento de Pernambuco, inicia-se em 1534, quando a colónia foi dividida em capitanias hereditárias. O território do actual estado, equivale a parte da Capitania de Pernambuco, doada pelo Rei D. João III no dia 10 de Março de 1534 a Duarte Coelho, sendo parte da capitania de Itamaracã, doada a Pero Lopes de Sousa.
Em 1535, Duarte Coelho tomou posse da capitania, a princípio baptizada por “Nova Lusitânia.
A designação durou pouco, depois recebeu a designação que tem hoje o Estado.
Em 1537, as povoações de Iragassu e Olinda foram elevadas a vilas.
Olinda recebeu o título de capital administrativa.
O seu porto, habitado por pecadores, viria a dar origem à cidade do Recife.
As vilas de Igarassu e Olinda, estão entre os primeiros núcleos do povoamento do Brasil e serviram de ponto de partida, a expedições desbravadoras do interior da capitania.
Dessas expedições, uma foi chefiada, pelo filho do donatário, Jorge de Albuquerque, que penetrou no sertão até ao rio São Francisco, assegurando o domínio e expansão do interior, combatendo os índios hostis.
Por sua vez, Duarte Coelho, instalou em Pernambuco os primeiros engenhos de açúcar da colónia, incentivando também o plantio do algodão.
Em pouco, a capitania tornou-se a principal produtora de açúcar de colónia do Brasil.
Como consequência, era a mais influente e próspera das capitanias hereditárias.
Em Pernambuco, surge assim duma sociedade açucareira dos grandes latifundiários da cana-do-açúcar, que perdurou nos seguintes dois séculos.
A prosperidade de Pernambuco, transformou a Capitania num ponto muito cobiçado por piratas e corsários europeus.

Daniel Costa



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CIDADE DE OURO PRETO

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CIDADE DE OURO PRETO

A cidade Ouro Preto, ora município de Minas Gerais, fui fundada em 1711, mercê da fusão de arrais diversos, por sua vez fundados por Bandeirantes.
Ouro Preto situa-se numa das principais áreas do ciclo do ouro. Basta saber-se que no século XVIII dali sairam para Portugal 800 toneladas desse precioso metal, sem contar com o que circulou ilegalmente, nem o que permaneceu na Colónia, como o que foi empregue na ornamentação de igrejas.
O município, contado com cerca de 40.000 habitantes, chegou a ser a cidade mais populosa da América Latina.
A Cidade Histórica de Ouro Preto, foi o primeiro local do Brasil a ser considerado, em 1980, pela UNESCO Património Mundial da Humanidade. Já em 1933 fora considerado património estadual e em 1938 monumento nacional.
Foi em 1720 que Ouro Preto, então Vila Rica foi escolhida para capital da nova Capitania de Minas Gerais.
O nome ficou a dever-se a uma característica do mineral encontrado. À época o ouro era escurecido por uma camada de paládio, ficando com uma coloração diferente da normalidade.
Falar da cidade de Ouro Preto, sobretudo, é trazer à memória a genial obra artística de António Francisco Lisboa, mais conhecido por Aleijadinho.
Toda a sua vasta obra realizada em Minas Gerais, especialmente em Ouro Preto, Sabará, São João del Rei e Congonhas.
Os principais monumentos, onde podem ser apreciadas as suas obras são a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Com um estilo relacionado ao Barroco e ao Recocó, é considerado pela crítica, como o maior expoente da arte colonial do Brasil.
Para alguns estudiosos estrangeiros, o Aleijadinho é o maior nome do Barroco americano, com lugar destacado na arte do ocidente.
A sua obra está envolta em mistério, lenda e controvérsia, dificultando o trabalho de pesquisa sobre a grande personalidade da história do Brasil Colonial. Ao tempo mesmo tido como um herói nacional.
A principal fonte documental sobre a figura do Aleijadinho é uma nota biográfica escrita, cerca de quarenta anos depois da sua morte.
A sua trajectória só poderá ser reconstituída, através das obras deixadas. Ainda assim, a atribuição de boa parte, das quatrocentas obras que lhe são atribuídas, cria controvérsia.
António Francisco Lisboa, o Aleijadinho era filho natural do arquitecto português, Manuel Francisco Lisboa e da sua escrava africana, Isabel.
Na certidão de baptismo consta que António, nascido escravo, fora baptizado em 29 de Agosto de 1730 na então Vila Rica, actual Ouro Preto, freguesia de Nossa Senhora da Conceição, tendo como padrinho António Reis, na ocasião, sendo alforriado por seu pai e senhor.
O Aleijadinho terá falecido em 18 de Novembro de 1814.
A cidade de Ouro Preto é um verdadeiro museu arquitectónico colonial a “céu aberto”, não só prestigiando o grande Brasil, mas também os colonizadores portugueses.
Teodósio de Mello, percorrendo as ruelas da Cidade, foi pensando no modo como os dois povos de hoje, Portugal e Brasil, se identificam.
O caso desta colonização, por determinadas características, como a da fé religiosa que, apesar de tudo, considera exemplar, retracta bem o sentido da aculturação desta Pátria do Cruzeiro do Sul.
Pode ser aqui encontrado grande campo de estudo, para a moderna sociologia e antropologia. Senão vejamos: a quantidade de “aventureiros”, grande parte da fidalguia portuguesa, acabou por se instalar no Brasil, donde saiu da mesma, a descendência que soube tornar este imenso Pais independente.
Tudo isto, depois de ter sido ali, Rio de Janeiro, a verdadeira capital do Reino de Portugal.
Na imaginação de Teodósio de Mello, a Era da Colonização, se comparativamente, e na mentalidade de então, terá de ser sempre considerada verdadeiro orgulho, para os portugueses que precisam de descartar a ideia, tipo propagandística, típica do Estado Novo, essa sim de má memória.
Depois com, o pensamento não só na Aleijadinho e artistas, seus discípulos, e também na arte de Ataíde, com um último olhar pela capital colonial de Minas Gerais, Cidade de Ouro Preto, focando também a atenção na de Congonhas, um sorriso feliz lhe aflorou aos lábios.
É evidente que os Bandeirantes, verdadeiros descentes de portugueses, foram os desbravadores das riquezas da Capitania de Minas Gerais, daquela sesmaria, que tornaram possível, o grande período artístico de cujo incomensurável talento de Manuel Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o tornou a relevante e máxima figura.

Daniel Costa