

CAPITANIA
DO CEARÁ
Na
beleza da reluzente visão do mar da capital da Paraíba, entre o oceano e a
cidade, no imponente Hotel de Tambaú, com a bela Samira a embelezar-lhe a
existência, Teodósio de Mello, pensador por natureza, não podia deixar de reflectir
sobre todos os aspectos que envolveram a colonização e aculturação do grandioso
Brasil.
E
esbarra sempre com a chamada União Ibérica, que de união nada teve de proveito
para a Coroa Portuguesa. Veja-se até o caso dos holandeses que, tendo estado também
sobre o jugo dos espanhóis, foi na Colónia do Brasil, que passaram a retaliar
estes, quando na verdade, tiveram de ser os portugueses e seus aliados
indígenas a vencer as suas invasões e expulsá-los, definitivamente do
território.
Os
factos da história do território cearense, na História Moderna, começaram a ser
registados a partir do XVI século.
A
região já habitada por várias etnias indígenas a viver da extracção de recursos
naturais, como o que provinha da pesca e do comércio com povos europeus.
A
História da formação do Ceará resulta de factores sociais diversos, como a
interacção, dos povos nativos com os europeus e africanos e da adaptação destes
ao fenómeno da seca.
A
capitania, em 20 de Novembro de 1535, foi doada ao provedor-mor da Fazenda
Real, António Cardoso de Barros, subalterno de Fernão Álvares de Andrade e de
D. António de Ataíde. Este não se interessou em colonizá-la.
Os
franceses foram os primeiros europeus a estabelecerem-se no Ceará, onde em 1590
fundaram a Feitoria da Itabanga, já ali negociavam âmbar-gris, as tatajubas
(nome popular de árvores de grande porte), a pimenta e o algodão.
Os
holandeses também já negociavam com os cearenses nativos, a exemplo do capitão
Jen Baptista Sijens, que esteve no Mucuripe em 1600.
A partir
de 1603 os portugueses tentaram, por meio do litoral, estabelecer-se em terras
cearenses, porém devido à intensa resistência nativa e à falta de conhecimento
de como sobreviver às secas não obtiveram sucesso.
Esta
foi a primeira tentativa efectiva da colonização, graças aos contactos entre os
índios Potyguara e portugueses, que Pero Coelho de Sousa, que fundou o Forte de
São Tiago na Barra do Ceará, porém em 1605 sobreveio a primeira seca registada
da história cearense, fazendo com que Pero Coelho e família abandonassem a
capitania.
Depois
da partida de Pero Coelho, os padres jesuítas Francisco e Luís figueira
chegaram ao Ceará para evangelizar os ossilvícolas.
Avançaram
até à Chapada da Ibiapaba, aí ficaram até à morte do padre Francisco Pinto. O
padre Luís voltou para Pernambuco em 1608.
Nova
expedição portuguesa foi enviada em 1612, como parte dos esforços para a
conquista do Maranhão, dominado então pelos franceses.
Dessa
expedição fez parte Martim Soares Moreno em 1602, que ergueu o Fortim de São
Sebastião, também na Barra do Ceará. Ao voltar em 1621, encontrou o forte
destruído, mas lançou as bases para início da exploração económica pelos
portugueses e a convivência com os nativos.
Já
estabelecidos em Pernambuco desde 1630, os holandeses tentaram invadir o Ceará
em 1631, a pedido das nações indígenas cearenses. Entretanto, a primeira
tentativa de conquista holandesa fracassou.
Porém,
em 1637 o território voltou a ser ocupado pelos holandeses, devido a uma luta
conjunta com os nativos, em cuja, os portugueses foram feitos prisioneiros e
levados para a capital da capitania.
Daniel
Costa








