
NATURISMO
Ao
outro dia, Olavo depois de se ter instalado num hotel das redondezas, tomou o
pequeno-almoço e dirigiu-se escritório, objetivando adquirir um apartamento
por perto.
Depois
de contacto telefónico, com uma determinada agência imobiliária, obteve a
promessa de ter rápido o apartamento desejado.
Com
esta garantia, partiu de novo para a praia do Meco.
Ali
daria umas braçadas, depois uma passeata, ao longo da imensidão da praia, com
as suas arribas de calcário, muito recomendado para tratamentos de pele.
Aquela
praia, que fora apenas de pescadores, tornara-se muito conhecida e frequentada,
devido a ser autorizada a ter a sua parte de naturismo, vulgo nudismo.
A
parte de nudismo seria interdita a quem o não praticasse integralmente.
Porém,
Olavo estava disposto a fazer tábua rasa desse preceito.
Depois
do banho, percorreu em linha reta todo o extenso areal.
Entrado
na parte demarcada, do naturismo, com o seu à vontade natural foi entabulando
conversas, sobretudo com mulheres, que olhando o seu calção de banho e a sua
postura trocava, aqui e ali, impressões normalmente.
O
inspetor, sempre com os seus olhos de lince, pôde ver alguns “voyeur’s”
postados a espreitar, escondidos em várias moitas das arribas.
A sociedade é de facto composta de tudo!
Depois
foi almoçar ao “Mequinhos”, tendo por objetivo o seu trabalho de investigação encomendado
pela Mizé.
Ficou
na mesma mesa, onde logo o empregado o cumprimentou cordialmente
Este
trazia logo a ementa, para ele fazer a sua escolha.
Não
tardou muito, apareceu sorridente o corcunda Paiva, como se fosse a elegância
feita homem.
A
corcunda era bem visível, o que admirou Olavo, em face da elegante mulher que
reconhecera na sua.
Enfim,
o empregado, entretanto chegara com o almoço já solicitado e enquanto o servia,
com os olhos no corcunda, ia cochichando com Olavo.
Logicamente
o cliente, recém-chegado, como assíduo e vivaz, não podia deixar de notar que o
alvo dos cochichos era ele.
Tratou
logo de indagar do que se tratava, o que criou um certo mau estar no empregado.
No
entanto, foi sossegado pelo detetive, que logo se propôs ir ter uma conversa
com Paiva, quando acabasse de almoçar.
Após
o almoço, ambos se encontraram, na mesma mesa, dando-se a curiosidade de, entre
eles, logo se estabelecer mutua simpatia.
Ambos
eram bem formados e habituados a estabelecer contactos.
Foram
dialogando, até o corcunda, oferecendo um digestivo a Olavo, tratou de indagar
o que procurava da sua pessoa, visto não ter dívidas, nem ter solicitado algum
empréstimo a nenhuma entidade bancária.
O
inspetor ficou assim com o espaço para lhe falar de Mizé.
Foi
ouvido com uma risada:
-
Meu amigo, a Mizé já era, apenas falta eu a abordar a pedir o divórcio.
Amigo…
Já
tenho uma nova companheira com quem vivo e nos amamos!
Pode
já contactar a sua cliente com a resolução!
Agora,
ergamos os copos, à nossa saúde, mais por o mistério ter deixado de o ser.
Como
já conhecera a Mizé, restou a Olavo, pensar com os seus botões:
-
Mas onde o corcunda Paiva, embora bom conversador, depositará o lixo?
Daniel
Costa



