terça-feira, 1 de maio de 2012

LAGOA DO PERI


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LAGOA DO PERI
Olavo, depois de se arranjar e tomar o pequeno-almoço.
Pesquisou no Notebook, pontos turísticos, nos arredores de Florianopolis.
Optara pela Lagoa do Peri.
Leu um pouco, o seu hobbi preferido, depois consultou o relógio.
Era a hora tida como certa, para dar início à investigação ao deputado.
Eis que, sem esperar, recebeu um telefonema de Carina, a informar que o seu Adilson, acabara da sair para a sessão parlamentar.
O inspector agradeceu e depressa se pôs em campo, mais alerta.
Apanhou um táxi e chegou a tempo de ver Adilson entrar no parlamento.
Sentou-se num bar, em frente, com o seu refresco.
Ali pode verificar, a sessão da manhã, ter sido breve.
Rapidamente, Adilson saia, acompanhado de outro homem.
Reparando bem nos trejeitos de ambos, o duo pareceu-lhe suspeito, caminhavam em jeito de casal de gays!
Discretamente, seguiu-os até um certo restaurante, onde foram almoçar.
Esperou que se sentassem numa mesa, decerto habitual, visto não esperarem indicações.
Olavo, em presença do empregado, escolheu uma mesa, contigua para os poder observar bem.
Estes, pelos portes indiciavam um comportamento incomum.
Logo ali o Inspector pensou nova estratégia!
Voltou, discretamente, a segui-los de volta ao parlamento.
Sabendo que seria mais profícuo, abordar um elemento do pessoal menor, assim o fez.
Muniu de uma quantia mais, para gratificação e abordou um desses elementos.
Depressa soube que Adilson constituíra o seu assessor, Marco em seu amante.
Ficou também a saber o espaço-tempo que duraria a sessão da tarde.Na posse destes dados, para gozar mais o que lhe pareceu bela paisagem, tomou um ônibus para a Lagoa do Peri.
Esta é a maior lagoa de água doce da costa catarinense, com cerca de 5 km2 de extensão.
A área em volta, tem uma mata e trilhas belíssimas, que levam a cachoeiras e antigos engenhos coloniais.
Em 1981, o Parque da Lagoa do Peri, sob jurisdição da Fundação Municipal do Meio Ambiente, foi preservada como Património Natural, por Decreto Municipal.
Foi isto que Olavo, observando, ficou a saber.
Depois voltou a estar de atalaiaà porta do Parlamento, com atenção às saídas.
Acabou por sair Adilson com o seu parceiro, o inevitável Marco.
Meteram-se no potente carro daquele e arrancaram.
Para saber o destino, o Inspector tomou um táxi e segui-os.
Até que sumiram num bloco de apartamentos.
Duas horas depois ainda não tinham saído.
Olavo, já podia dar por concluída a investigação encomendada.
Só não o fazia, por profissionalismo.
No dia seguinte, tencionava aclarar certos pormenores.
Voltou, ao Mercure Florianopolis Convention.
Encontrou Carina, a espera-lo no espaço da recepção, mas se tinha marcado com ela, o dia seguinte para lhe transmitir conclusões!...
Porem ela ia convidá-lo para jantar, o que foi aceite.
Já tinha previsto o restaurante, muito acolhedor, com atendimento simpático, muito ao gosto de Olavo.
Carina, não para de atrair o Inspector, provocantemente.
 Este, não encontrou outro remédio, que não fosse convidá-la a subir.
Uma vez na intimidade, Carina já não provocava… se entregava!...

Daniel Costa


 

domingo, 8 de abril de 2012

FLORIANOPOLIS

                  
                             

FLORIANOPOLIS

Regressado a Lisboa, dirigiu-se de imediato a casa, onde a sua Vera o esperava, tendo ela abordado, ternamente a saudades que sentira dele.
Olavo, além de saber, pelos registos no notebook, entrava diariamente em contacto com Mirta, que ficara no seu apartamento de Angra dos Reis.
Num Mail’s, esta informara haver recebido telefonema de Carina, sobre o assunto de que já estabelecera contacto.
Tinha pressa de que o mesmo fosse aclarado.
No dia seguinte, depois de passar cedo pelo escritório de Lisboa, dirigiu-se ao aeroporto Internacional da Portela.
Num dos voos TAP, de imediato partiu para o Rio de Janeiro.
Chegado à cidade Maravilhosa, fez a sua partida para Angra do Reis.
Mirta esperava-o ansiosa e também com manifesta saudade, traduzida em beijos e mimos.
Depois de contactar telefonicamente Carina, Olavo combinou estar em Florianopolis, no dia seguinte.
Como ainda nada sabia de horários de voos para a Capital do Estado de Santa Catarina, de lá a contactaria.
A seguir Mirta e Olavo jantaram, numa atmosfera de troca olhares enternecedores.
Depois do que regressaram ao apartamento e finalmente, se enlearam, ternamente, por bastante tempo.
Chegado ao outro dia, de manhã cedinho, o inspector foi tomar o avião para Florianopolis.
Ali, depois de instalado, no hotel – Mercure Florianopolis Convention, de novo, estabeleceu contacto com Carina.
Combinaram um encontro, logo nesse dia no bar do hotel.
Esta apareceu bastante excitada e desatou logo a apresentar contornos da sua história.
Aparentemente, não diferia muito de outras que, pacientemente ouvira.
Era o seguinte:
- Seu marido, o Adilson, Deputado pelo Estado catarinense, ultimamente parecia desmotivado de cumprir as suas obrigações matrimoniais.
Teria embeiçado com outra mulher e ter perdido o interesse por ela?
Olavo, depois de a ouvir, questionou, não serão apenas suspeitas, infundadas suspeitas?
Carina, como que surpreendida com a pergunta negou, porque isso se estava a passar há bastante tempo.
Visto ser assim, o inspector anotou dados e iria agir, decerto veria do que se tratava, em concreto, dentro de dois dias a contactaria de novo.
Entretanto, já Carina se ia insinuando a Olavo.
Os deuses sabem que, este sem o prever, quase se viu na obrigação de a mandar subir.
Já no seu aposento reparou que, ela era uma mulher, pouco menos que irresistível.
De certo modo, ali estava desafiadora, que fazer?
Vendo-a carente, Olavo achou por bem satisfazer-lhe os desejos.
Era uma cliente, não podia recusar-lhe a almejada felicidade que parecia implorar.
Em determinado momento entregaram-se mutuamente.
No fim, ambos saciados, pareciam ter vagueado numa galáxia, chamada felicidade.
Carina, consultou o relógio e ia-se a despedir.
Olavo não o consentiu e acompanhou-a à saída do Mercure Florianopolis Convention,
Aí sim, fizeram as suas despedidas.
O inspector ficou ainda a observar o porte de Carina, até ela se meter no carro e arrancar.
Voltou ao seu aposento, a meditar no doce que de mulher que acabara, de satisfazer gostosamente.
Nisto ficou a equacionar a estratégia, para dar início à investigação ao deputado.

Daniel Costa


sábado, 24 de março de 2012

O COMBÓIO DO TUA

  
                    
O COMBOIO DO TUA

Desta vez Olavo, um pensador por natureza, ali esta de braços cruzados, a meditar no melhor modo de encerrar a investigação, abordando Filipe sobre a conclusão.
Tomou o pequeno-almoço no próprio quarto do hotel, lendo meditativo.
Resolutamente, acabou por tornar uma decisão e consultando a relógio, viu chegada a hora do menos agradável encontro.
De facto, não seria agradável um homem saber-se traído.
Antes das doze horas, chegava à empresa de Filipe, onde uma recepcionista o acompanhou à sala do gerente.
Este sem indicar que se sentasse, ergueu-se e convidou-o a saírem para almoçar.
Já no carro e a rodar para o restaurante, sempre pensativo, Olavo continuava meditando, então veio-lhe à ideia o pensamento de Cesterton, numa citação que lera:
“A ideia que não procure tornar-se palavra é inútil, e a palavra que não procure tornar-se acção é palavra inútil”.
Nisto, rodando na retaguarda de Filipe ia seguindo, já ao lado da linha férrea do antigo comboio do Tua, que passava, numa paisagem linda, parecendo selvagem ao mesmo tempo.
Para Olavo, o comboio do Tua, que a cantora Florência imortalizara numa canção designada mesmo COMBOIO DO TUA. Adoptara a comparação com o lendário EXPRESSO ORIENTE, da Rússia, que Aghata Christie se servira como cenário ao seu romances policial:
- ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE.
Imbuído destes pensamentos, muito comuns seus, estava a chegar à localidade de Romeu, freguesia de Jerusalém do Romeu ao, localmente, famoso restaurante MARIA RITA.
O restaurante fora uma antiga estalagem do mesmo nome, o da sua própria proprietária.
Dada a sua proximidade de Espanha, foi ponto de transição e de etapa, para espanhóis que se dirigiam, em tempos idos, à cidade do Porto, a segunda capital de Portugal.
Tudo ali, a própria arquitectura, falam do passado.
No interior do restaurante Filipe, acercou-se a uma mesa do canto e convidou Olavo a sentar-se.
Este embevecido com o que era dado mirar, acordou do seu torpor e reagiu, sentando-se.
O restaurante, mantendo as suas antigas, modernizara-se na arquitectura interior.
O menu que o distinguia, continua a ser marca indelével.
Uma característica que prendeu a atenção de Olavo, foi o azeite no prato, para molhar no pão como entrada.
Depois um dos pratos é o “bacalhau à Maria Rita”, confeccionado como no passado, a divina maravilha das maravilhas.
Enquanto ia decorrendo o repasto foi, então abordado o assunto que os levara ali.
Sem rodeios, Filipe disse:
- Meu caro, por seu mérito a minha suspeita foi já aclarada, Ana Paula decidiu abandonar-me de vez.
Contactou-me a informar da resolução de me trocar e a pedir para ir, acompanhada de uma amiga, recolher os seus objectos pessoais.
De imediato aceitei e prometi não estar em casa de modo a não interferir.
No fundo, outro novo amor a fará esquecer!
Ficava assim de modo abrupto, terminada a investigação do caso, de Chaves.
Porém Filipe ainda o quis apresentar a um descendente de Clemente Meneres que, negocia em vinhos e cortiça nos mercados da Europa do sul e Brasil, procurando estabelecer-se como, grande agricultor, pernoitara na estalagem “Maria Rita”.
Ficou enfeitiçado e optou pela localidade de Romeu.
Por ali adquiriu terrenos e criou uma grandiosa quinta, nomeadamente de vinhas e olivais.
De vinho tem a sua marca especial.
A localidade de Romeu continua a beneficiar do grande complexo agrícola, ali estabelecido, ainda nas mãos do clã Meneres.
Como corolário o restaurante abastecido, exclusivamente por produtos da quinta, é provido de uma grande e magnífica sala à parte para grandes reuniões de comensais.
Complementado com museu de antiguidades, destacando-se antigos automóveis, velhos rádios, grafonolas e telefones etc.
Finda esta visita de que Filipe fez questão de ser cicerone, despediram-se, de certa maneira efusiva.
Mostrou assim, Filipe uma grande urbanidade muito transmontana.
Dali, Olavo regressou a Lisboa!

Daniel Costa


terça-feira, 13 de março de 2012

ILUSTRE CASA DE SAMAIÕES


Um friso de Chves - foto Internet

ILUSTRE CASA DE SAMAIÕES

Ainda no dia do encontro com Filipe, Olavo de posse de todos os dados precisos, sobre a empresa em que a mulher, Ana Paula, era Secretária de Direcção.
Foi para observar as saídas.
Em vão, ela já não estava, veio a indagar, já ter saído com Hermano, o maior accionista Gerente.
Porém, o investigador deu por bem empregue o tempo.
Ficou o reconhecimento feito!
Ao outro dia, Olavo postou-se de modo a não ser notado, para ver as entradas.
Continuou a ver goradas as intenções:
- Nada de especial se passou!
Já ao almoço, tudo foi diferente. Todo o pessoal saíra, quando viu saírem Ana Paula e Hermano.
Viu dirigirem-se ao “Mercedes” deste e arrancarem.
Deduziu de imediato, que iriam almoçar juntos.
Não pensou mais, pegou no seu carro e procurou seguir-lhes o rasto.
Conseguiu-o, a certa altura, Hermano estacionou e ambos se dirigiram a certo restaurante.
Olavo imitou-oa e no mesmo, escolheu mesa, onde ia também almoçar, expiando-os discretamente.
Hermano mostrava-se a delicadeza em pessoa, ambos exibiam gestos e olhares cumplíces de vivamente apaixonados.
Assim, como entraram, depois do almoço saíram.
Olavo não perdeu de voltar a acompanhar, tal guarda-costas.
Dali, deambulou pela cidade de Chaves, como sabia, havia sítios de visita obrigatória.
Foi à zona termal, com os seus balneários, cujas águas minero-medicinais, jorram quentes, mercê de um acidente teutónico claro e feliz.
Como qualquer turista, bebeu um copo da água quente a sair da fonte termal.
Tendo chegado a hora calculada, Olavo dirigiu-se a um ponto estratégico, a tentar observar as saídas de Hermano e Ana Paula.
Não tardou a vê-los sair à vez, bastante antes da hora do fecho, para se juntarem depois junto do carro do Administrador e seguirem.
Para onde?
Foi para saber que o Inspector quis ver, conduzindo o seu carro seguiu-os, até os ver entrar num prédio da apartamentos.
Tinha confirmado o que já imaginara sobre o caso e regressou ao hotel.
Já na sua suite, deu uma passagem no Notebook, fez o seu quotidiano telefonema à sua amada Vera.
Depois foi lendo, enquanto meditava na melhor maneira de abordar Hermano e a secretária, Ana Paula.
Obviamente, tomara uma decisão de falar-lhes sem rodeios, do caso que se encarregado de desvendar.
Ao outro dia discou, para chegar à fala com Hermano.
O telefonema passou pela secretária, porém este apenas declinou o nome.
Hermano, ouvindo Olavo, pareceu não ter ficado surpreendido, convidou-o a reunirem a almoçar no afamado restaurante da Casa de Samaiões.
Depois disto pediu para passar, a chamada para Ana Paula. Sentiu hesitação e obteve uma negativa.
Foi então pedido para, de momento, deixar a secretária em paz, ele próprio lhe iria falar, dentro de uma hora lhe comunicaria uma decisão.
Passou pouco tempo, o celular de Olavo tocou, era Hermano, a informar que a secretaria os acompanharia, no almoço, que já mandara marcar para as treze horas e trinta, no mesmo local.
Olavo, em tempos, tinha ali almoçado num Domingo, dia em que o mesmo é servido em jeito de “bufetf”, num verdadeiro desfile de variadas e saborosas comidas, mais transmontanas.
Como dispunha de tempo foi cedo para observar bem e de novo o grande espaço circundante,
A Casa situa-se na franja sul da cidade, ainda fazendo parte da mesma, mas tanto o restaurante, bem como o hotel junto, estão rodeados do meio rural.
No restante são servidos casamentos e outros eventos, dispondo de um grande e bem tratado espaço, para fotos e filmagens.
Dali se pode avistar um magnífico panorama rural
Foi tudo isto que o inspector, muito contemplativo, teve o prazer de rever.
Tenho a chegar a hora combinada, Olavo postou-se junto do portão, como o combinado, para aí de encontrar com Hermano e secretária.
A hora marcada, chegaram estes, depois do estacionamento seguiram a almoçar.
Foi então que Olavo, viu o belo pedaço de mulher que é Ana Paula.
Sentaram-se, cada qual com seu cardápio, encomendou o prato desejado.
Uma vez servidos, sem que o Inspector se pronunciasse, Hermano iniciou falar sobre o assunto que os reunira.
Este disse:
- A partir daquele momento, Ana Paula passaria a ser somente sua e a viverem juntos.
Esta aquiesceu, em jeito de felicidade.
O repasto processou-se de duas dadas!
Olavo apenas testemunhava a união de facto, que se iniciava.
No outro dia já sabia, como iria relatar as conclusões da investigação a Filipe.

Daniel Costa






segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

AQUAEE FLAVIEE

                              

AQUAEE FLAVIEE

Uma das actividades diárias de Olavo consistia em, de quando em vez, ver se haviam chegado E-Mail’s, respeitantes às suas actividades de investigação.
Certo dia, pela primeira vez, um homem de seu nome Filipe, reclamava os seus serviços, deixara o número de telefone.
O E-Mail, provinha da cidade de Chaves, banhada pelo rio Tamêga, na Província de nortenha de Trás-os-Montes.
Os naturais de Chaves, designam-se flavienses.
Olavo, pelo celular, logo estabeleceu contacto com Filipe.
Este debatia-se com uma forte suspeita de traição matrimonial.
Desejava pedir rigorosa e sigilosa investigação.
Assim ficou marcado, para o dia seguinte, pelas dezasseis horas da tarde, o encontro na recepção do Forte de S. Francisco Hotel, instalado num edifício do século XII, já conhecido do inspector.
Olavo na sua satisfação de voltar a visitar a bonita cidade de Chaves, a Aquaee Flaviee, dos Romanos que a ocuparam, deixando vastos vestígios, para lá se dirigiu.
Às portas da cidade, encontrou um restaurante, com aspecto de bom ambiente.
Foi ali que se banqueteou com a célebre posta à mirandesa.
A posta à mirandesa, consiste num naco de carne de vaca, cortada em jeito de bife, é mais alto e grelhado.
Sendo de vaca, criada nas pastagens de Miranda do Douro, é muito saborosa por isso.
Como estava pelo nordeste de Portugal, embora já conhecesse, algo do interessante folclore carnavalesco da região, fora ainda visitar a localidade de Prodence.
Como faltavam duas horas e meia, para o encontro com Filipe, antes daria uma saltada à localidade, dada como o sitio oficial dos caretos
Na localidade, pôde saber, que os caretos são representações de homens, trajados de cores garridas, com nariz feito de latão ou de outros materiais.
Pensa-se que a tradição daquele tipo de mascarado, remonta ao período pré-romano.
O careto usa fato às ricas, com capuz vermelho, de cores garridas, feitos de colchas com franjas de lã vermelha, verde e amarela.
Carrega, ainda, bandoleiras com campainhas e enfiadas de chocalhos à cintura.
Da indumentária faz parte também um pau ou cacete.
Às dezasseis horas Olavo, estava na recepção do Forte de S. Francisco Hotel, quando apareceu Filipe.
Estavam num local muito acolhedor e de absoluta tranquilidade, apropriado para uma conversa confidencial, como a pretendida.
Se Filipe alimentava a esperança que apenas, de o que sentia não passaria de ciúme e suspeita.
Elas na percepção de Olavo teriam fundamento.
Disse-lho e então aprazaram, nova reunião para dali a dois dias no gabinete de Filipe.
Dali partiriam para almoçar num restaurante, antigo, simpático e tranquilo, como convinha, bastante conhecido localmente, e frequentado por Filipe.
Ali ouviria a veredicto que Olavo prometia apurar nesses dias.

Daniel Costa

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

OLAVO EM SETÚBAL

 
Convento de Jesus Setubal (foto Internet)

OLAVO EM SETÚBAL

À hora antes aprazada, Olavo sempre pontual, de roda do seu café, com um inseparável livro, esperava a sua cliente, Rosário.
Não tardou muito, para que esta aparecesse, na sua elegante silhueta.
Como a senha para o conhecimento pessoal do investigar, era o livro, logo o reconheceu, apresentando-se:
- Olavo com a devida vénia, indicou-lhe uma cadeira e ofereceu-lhe um café.
Rosário preferiu um licor, “beirão”, bebida de grande tradição, que de Coimbra sai muito para o mundo, sendo bastante apreciada também por mulheres.
Pela conversa telefónica Olavo, tivera intuído, o caso não passar de mero aconselhamento.
Como era bom ouvinte, convidou a cliente a pronunciar-se de novo e mais detidamente.
Ela assim fez, enquanto ele ouvia atenciosamente.
Depois de ouvir o desabafo da Rosário, mais se arreigou a ideia que o caso não passava, de um daqueles factos muito comuns entre casais:
- Fases de um certo arrefecimento, do habitual carinho, e por consequência da actividade sexual.
Foi nesse sentido que Olavo, quando chegou a sua vez, foi falando e aconselhando, como se fosse bastante experimentado nesses casos.
Ela ouviu e a determinada altura questionou:
- O arrefecimento amoroso, notório do seu Rodolfo, não atribui a caso de infidelidade?
Ao que ele respondeu, pelo que tenho ouvido, em nada me parece!
Olavo com o se à – vontade, desatou a dar conselhos, que Rosário foi ouvindo atentamente:
- Tente criar ambiente, como por exemplo, preparar um jantar de que ele aprecie, servido em ambiente romântico.
Use outros truques, muito femininos, que saiba que o Rodolfo goste.
Por vezes, a mulher poderá sentir certa desilusão e em vez de estimular e piora a situação, não será o caso?
Ela deu a sensação de o ter entendido:
- Disse, pensando melhor pode ser o caso, aconselha então a ser eu a tentar providenciar, para acertos?
Objectivamente sim, se o que tentar não der certo, pode voltar a consultar-me!
Ali deu por concluído o seu trabalho, com uma amistosa despedida.
Cerca de hora e meia durou a conversação.
Antes de regressar, ainda deu tempo para visitar o vetusto Convento de Jesus. Património cultural da cidade de Setúbal, uma das maiores de Portugal, de que guarda boas recordações.
A construção do monumento se deve à ama do rei D. Manuel I, Justa Rodrigues Pereira. Mosteiro ou Convento de Jesus, daquela cidade, data de 1490.
O Mosteiro veio a ser ocupado pelas Feiras Clarissas, em 1496.
A capela-mor é revestida de azulejo, mais tarde, em 1520-1530, na galeria renascentista, foi instalado um retábulo de pintura, considerado, um dos mais notáveis conjuntos da Arte Renascentista em Portugal.
A Igreja do Convento de Jesus, de estilo gótico, destaca-se por ter sido, em Portugal, o primeiro ensaio de “igreja salão”.
Depois, Olavo reviu ali o Museu de Setúbal com vários núcleos, como a “Casa Bocage”, “Casa do Corpo Santo / Museu do Barroco” e o “Museu Sebastião da Gama”.
A seguir regressou a casa, onde a sua adorada Vera, já o esperava carinhosa, como sempre.

Daniel Costa



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Á VISTA DE TRÓIA

                              
Praça de Bocage, em Setúbal,
com a sua imponente estátua - foto Internete

À VISTA DE TRÓIA

Conforme o previsto, Olavo embarcou para Lisboa.
Como a sua amada Vera, quando chegou, ainda estava no trabalho, foi direito a escritório conferir os Mail’s, tratando de responder, de imediato, a todos os que ainda era necessário.
Depois passou pela florista adquirir um bonito “buquet” de flores, para presentear a esposa:
- Sabia como esta iria ficar grata!
Estando esta prevenida, antecipadamente, da volta do marido, deixara preparado um jantar a seu gosto.
À chegada, logo sentiu a felicidade de ser recebida pelo seu adorado esposo, que não se cansou de a apaparicar com mimos.
Seguiu-se a jantar, muito animado, ou não fosse entre dois que se querem bem.
A noite também foi muito vivida, o desejo imperou, a Vera esteve muito insinuante e Olavo correspondia com toda a meiguice.
A outro dia o trabalho continuou.
Olavo rumou à cidade de Setúbal, para se encontrar com a Rosário, tinha um encontro agendado para o café do hotel Bocage.
Previra pelo que esta dissera por telefone, o seu assunto apenas precisaria de aconselhamento, Olavo era detentor de grande intuição.
Além de que sabia expor bem o que intuía e pensava.
Já que o encontro estava marcado para as três horas da tarde.
Aproveitou a matar saudades da cidade sadina, de que gostava bastante.
Visitou vários locais, como a Praça Bocage (Manuel Maria Barbosa do Bocage) o grande poeta erótico e satírico que, na sua cidade nasceu e que o honrou ali com uma majestosa estátua.
Veio a falecer em Lisboa, onde a capital o homenageou com nome de Rua.
Entre as várias anedotas atribuídas ao poeta, algumas mais de salão, fica esta:
- O poeta vinha a sair do café Nicola, em Lisboa.
Alguém que o queria ouvir na sua famosa espontaneidade, apontou-lhe uma pistola, fazendo-lhe a seguinte pergunta:
- Quem és, donde vens, para onde vais?
Resposta:
- “Sou o poeta Bocage, venho do café Nicola e vou para o outro mundo, se me disparas a pistola”!...
Olavo passou pelos antigos monumentos da cidade.
Depois foi observar o vai e vem, dos ferries que fazem a travessia do estuário do rio Sado, de Setúbal para a península de Tróia.
Encurtamos assim, algumas dezenas de quilómetros, as viagens para sul, enquanto de pode desfrutar de uma vista grande e magnificente paisagem marítima.
Ali se encontram as ruínas da antiga Tróia dos Romanos, onde foi encontrado um vasto complexo de salga de peixe, dos século I a VI.
Estes foram encontrados nas últimas décadas do século XX e preservados, podendo ser visitados.
No mesmo lado, uma restinga arenosa, já no concelho da vila de Grândola, estende-se por cerca de vinte e cinco quilómetros.
Esta formou-se nos últimos cinco mil anos.
A seguir almoçou um prato, na vasta Avenida Luísa Todi, um prato típico da cidade de Setúbal:
Tiras de choco frito, o que Olavo, nunca dispensa em refeições naquela cidade.
Um composto simples de choco, cebola, alho, farinha e ovos batidos
Na cidade há mesmo restaurantes a servirem, apenas, o magnifico prato.
Findo o almoço, degustado a desejo e com prazer, chegara a hora da reunião com a Rosário.

Daniel Costa