quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PRIMEIRO REGRESSO

             

O PRIMEIRO REGRESSO

Olavo acordou cedo, como é seu hábito, no entanto já se mourejava no Porto. Tomou o pequeno-almoço enquanto chegou a hora de cumprir o resto da missão, afinal testar o que já se evidenciara, o Hugo com a Rute, configurava uma pura infidelidade conjugal
No entanto depressa rumou, postando-se a ler um jornal com a finalidade de passar mais despercebido.
Primeiro entrou a Rute, logo após o Hugo.
O teste estava feito!
A demora não podia ser muita, a esposa espera-o para jantar.
Porém, desejava visitar uma das melhores livrarias do mundo. Não para adquirir livros, não levava nenhum em mente, até porque ainda tinha vários para ler, mas a Livraria Lello & Irmãos, na Rua das Carmelitas do Porto, é um verdadeiro monumento aos livros.
Televisões e jornais estrangeiros tem-lhe dado destaque em espaços noticiosos.
Depois de visitar a Lello, voltou para Lisboa. Antes porém, projectava fazer um desvio e ir almoçar a Almeirim. Vila do Ribatejo, onde o prato é tradicional a “sopa da pedra”
Olavo, para quem a refeição do almoço era, como que, um ritual, adorava o restaurante “Forno”, onde esse prato era de um requinte digno de um bom “gourmet”.
Escolheu uma mesa e com um sorriso, recordou a lenda da sopa da pedra:

- É assim:
- Em tempos um frade mendicante, passou por ali. Era hora de almoço e dirigiu-se a uma casa abastada, pedindo algo para o seu almoço, o que lhe foi negado.
Trazia um tacho e arranjou uma pedra, que limpou muito bem e disse: vou fazer uma sopa de pedra, fica maravilhosa.
A seguir, pediu um pouco de água para cobrir a pedra. Nisto, os senhores, em vista da sua tranquilidade e já curiosos, cediam a todos os pedidos que foi fazendo: se levasse mais isto, ainda ficaria melhor e assim sucessivamente.
No fim ficou um cozinhado maravilhoso, que deu a provar a todos que o acharam óptimo.
Nasceu da lenda, ou a lenda terá nascido do tradicional facto?
A tradicional “sopa de pedra” em Almeirim e arredores.

Olavo foi fazendo o seu repasto e meditando, no esclarecimento a dar à Magda.
Com outro caso, proveniente de um telefonema que tinha recebido, seguiu viagem. Primeiro ia dirigir-se a casa da cliente, depois passaria ao escritório, ver se haveria E-Mail’s provenientes dos anúncios.
No fim, em casa cairia nos braços da sua amada Vera.
Ao passar por casa de Magda, está indicou-lhe, novamente o sofá e para o ouvir, sentou-se bem juntinho.
Foi ouvindo o que já esperava, se o marido nem o fim-de-semana vinha passar a casa!
Foi sendo cada vez mais sedutoramente sensual, que de novo Olavo, perdeu a resistência e começou a afagá-la, depois ela voltou entregou-se.
Entretanto terminou o inusitado enleio, com as suas bocas coladas e enternecidas!
Depois do que Magda retribuiu principescamente, os honorários ao Olavo, sem perguntas.
Este, com tudo arrumado, depois da passagem pelo escritório, afim de abrir o computador e ver, o correio electrónico, depressa alcançou a sua morada caindo, enfim nos braços da sua adorada Vera.

Daniel Costa


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A VIAGEM AO PORTO

                       
                                
Porto -  aspecto de Magestic (foto Internt)

A VIAGEM AO PORTO

Para percorrer um longo caminho, nada como dar o primeiro passo, meditava Olavo, seguindo para o Porto, não pensado na viagem, propriamente dita, mas sim no novo percurso de investigador que ora iniciava.
Em breve estava a chegar à zona da Bairrada, logo após Coimbra, com inúmeros restaurantes, a servir o famoso leitão assado no espeto em fornos de lenha.
Ali se pode comer o melhor leitão do mundo, basta dizer que o animal é apenas criado até um certo peso, depois com as suas vísceras e sangue com picante, a servir de molho, para temperar o prato na mesa a gosto.
Prato que acompanhado com o magnifico vinho verde da região, é uma das jóias da culinária portuguesa.
Foi num desses restaurantes, que Olavo almoçou, um homem com o prazer da mesa, para ele um ritual.
Logo após, sempre imaginativo, seguiu viagem, absorto nos seus pensamentos.
Depressa chegava ao Porto, cidade muito sua conhecida.
Havia de aproveitar bem o tempo, não só directamente, no que o levara ali, mas também para rever algumas belezas da cidade.
Estacionou o carro num parque estratégico, afim de apenas o utilizar de regresso.
Dali, subindo a bonita Rua 31 de Janeiro, ao cimo cortou à esquerda, para a grande Rua de Santa Catarina, onde se encontra delegação que queria fixar.
Depois tomou um “cimbalino” (café no Porto) no famoso Magestic, de velha tradição, onde iria começar.
Pareceu-lhe provável ser ali que iria encontrar Hugo, objecto da sua investigação.
Segundo pensou, seria cedo para encontrar o passarão.
Contava vigiá-lo desde a sua saída da empresa e ser seu “guarda-costas” muito discreto.
Desceu a dar uma mirada pela Avenida dos Aliados e a decantada e famosa Torre dos do Clérigos.
Chegou a hora calculada para subir de novo a Rua de Santa Catarina, à altura de ficar de “plantão” a ver as saídas.
Até que Hugo saiu e como Olavo tinha previsto, encaminhou-se logo para o Magestic.
Sentou-se numa mesa já ocupada por uma senhora.
Ali ficaram ambos em jeito de intimidade, a dar mostra inequívoca de arranjinho.
Com o seu celular e discretamente, dando ares de com ele brincar, bateu duas fotos com os pombinhos.
Dali saíram ambos para o hotel, onde Hugo estaria hospedado.
No dia seguinte conferiria se sairiam juntos.
Não dando o dia por terminado, voltou ao Magestic, escolheu uma mesa servida pelo mesmo empregado, a quem gratificara principescamente.
Pediu uma francesinha, um prato típico, em jeito de lauta sandes confeccionada com bons e vários ingredientes.
A seguir a ser servido, fez perguntas sobre aquele casalinho.
Soube que o senhor doutor Hugo, quando ia ao Porto, era “habituê” da casa, invariavelmente, acompanhado por Rute, empregada na empresa.
Assim ficou na posse dos dados que lhe interessavam.
Visitou, depois, um seu amigo de longa data, o Emanuel, que decerto lhe ofereceria, como era seu hábito, um cálice de Vinho do Porto da sua própria garrafeira.
Assim aconteceu, o amigo sacou de uma garrafa daquele verdadeiro néctar, de 37 anos – “Old Porto Wine”, como diriam os Ingleses.
Como era saboroso, degustado, num cálice de cristal! …
Antes de o saborear, primeiramente abanou o cálice, para melhor sentir o seu odor aromático.
Como apreciador, foi conversando e repetindo a operação.
Um pouco de Vinho do Porto deu para acompanhar uma salutar conversa, como sempre acontecia.
Depois, agradeceu e despediu-se, ainda tinha de procurar hotel onde dormiria nessa noite.
Depois faria um telefonema à sua querida mulher Vera.
No dia seguinte, procederia a uma confirmação dos dados apurados, para dar por finda a investigação.

Daniel Costa

sábado, 24 de setembro de 2011

ENCONTRO PORTUITO

                               
Agência Lusa

ENCONTRO FORTUITO

Depois de equacionar o problema do local, Olavo alugou, em Lisboa, uma sala junto à Agência Portuguesa de Notícias LUSA. Muito perto está um dos maiores centros comerciais da Europa, o Colombo.
O Centro Comercial Colombo, na sua espectacular grandeza, é como uma cidade coberta, composto de ruas e praças com nomes alusivos aos descobrimentos.
Por essas pode assistir-se diariamente a um verdadeiro desfile de beldades alfacinhas (Lisboetas).
Já com a sala equipada a seu jeito, Olavo resolveu ir tomar café ao Colombo, era hora de ponta, os muitos e pequenos cafés ali existentes em fila, estavam com os balcões apinhados de gente, o mesmo acontecia nas suas, respectivas, mesas que se situam fora, com uma óptima visão de parte dos andares por debaixo.
Olavo, disposto a fazer ali uma pausa e meditar no que havia a orientar ainda, como nos pequenos anúncios a inserir em jornais da capital, etc.
Não encontrava mesa disponível.
Nisto, repara numa mulher bastante atraente, até pela sensualidade cativante de que dava mostras.
- Estava só!
Pediu-lhe licença para se sentar a tomar o seu café. A mulher, num sorriso acenou que sim.
Ao fim de minutos, tinham entabulado uma agradável conversa.
Olavo que já só pensava, na nova empresa, de investigador que criara, não tardou que a mencionasse.
Nisto, parece ter-se feito luz no olhar da mulher.
Sem mais rodeios, disse:
- Quer iniciar com um caso que me tem dado que pensar?
Olavo, como que impulsionado, disse logo:
- Adoraria!...
Ela começou de imediato a debitar pormenores; tratava-se do marido, que sendo gestor de determinada empresa deslocava-se variadíssimas vezes a uma delegação do Porto, onde permanecia, invariavelmente duas semanas.
Nesta altura, a mulher, Magda de seu nome, já se mostrara carente e ficou combinado no dia seguinte ele passar por sua casa, onde receberia mais instruções, depois partiria logo a resolver a questão.
Ela desconfiava de infidelidade e queria ter a certeza.
No dia seguinte, logo cedo estavam reunidos ambos, numa sala da casa de Magda, sem dúvida, decorada com gosto.
Ela indicou-lhe o sofá, os seus olhos olhavam o homem e faiscavam de desejo.
Em pouco ele era, carinhosamente, acariciado.
Desencorajar não, mas como fazer?
Deixou-se enlevar, saboreando, aqueles doces momentos.
Tudo foi esquecido, em pouco estava, como que hipnotizado, pelo que se lhe oferecia e saciou-a até à exaustão.
Depois calmamente voltaram à conversa sobre o assunto que o levara ali, acertaram pormenores, o resto seria de conta da astúcia de Olavo.
Ficara a saber onde se localizava a delegação. A partir dali iniciaria a investigação e rodou a caminho da cidade do Porto.

Daniel Costa


sábado, 17 de setembro de 2011

SITUAÇÃO DE DESEMPREGO

                               
SITUAÇÃO DE DESEMPREGO

Olavo é um homem de estatura mediana, tez morena, feições atraentes, não muito expansivo mas sempre sorridente. Porém de muita seriedade no trato, um bom interlocutor, ao conversar com ele, depressa se depreende ter na frente alguém em quem pode confiar.
Era assim que Olavo, juntava a essa qualidade, outras importantes e adjacentes, como uma enorme sagacidade, firmeza de carácter e, sobretudo honestidade e versatilidade.
Embora se dedicasse a um tipo de jornalismo especializado, como amador, nunca deixara de ter emprego. Teve vários no campo das artes gráficas e editorias, em que acabou por se especializar, na parte comercial de relações públicas.
Até que, pelas mudanças na sociedade, no que seria o último emprego por conta de outrem, a que tivera acesso e onde se achava realizado, chegou a vias de falência. O vencimento deixou de ser certo.
Tentou dedicar-se mais, à menina bonita dos seus olhos, a revista, viu que não daria assim. Não procurou novo lugar em empresa diferente. Afinal nenhuma empresa merecia a sua capacidade de trabalho.
Foi meditando e avaliando a situação. Até que concluiu por uma situação que a sua sagacidade, já em tempos lhe ditara: dedicar-se à investigação particular, em especial a infidelidades conjugais!
Para isso teria de ter uma conversa muito séria com a sua adorável esposa Vera, dado que poderia ter de haver, factos a ferir a sua sensibilidade de mulher.
Foi assim que ao jantar, ambos equacionavam o assunto. Escutando calada. Por fim, Vera disse que a sagacidade do marido, augurava uma feliz opção, ela sempre muito cordata e conhecedora das mentalidades femininas, estaria sempre do seu lado, ainda que sabendo as provações que, fatalmente, teria de passar.
E assim ficou assente por ela, o seu amado Olavo, seria investigador.
Por sua vez, Olavo deu-lhe conta de como iria agir. Sempre só, estabeleceria, bases em Lisboa, Rio de Janeiro e São Paulo. Nestas últimas cidades, procuraria estabelecer contactos com os seus velhos amigos. Os que faziam o favor de o ser, através da sua revista que não terminaria, apenas sofreria alterações de periodicidade.
No dia seguinte, encetaria a procura de alugar uma pequena sala num lugar da Lisboa moderna, onde aporia na porta apenas STOP SECRET, equipada com computador para anotar os dados de cada futuro cliente. Como telefone, usaria sómente o celular.
A seguir mandaria inserir, alguns anúncios discretos em jornais.
Daniel Costa


terça-feira, 13 de setembro de 2011

INICIO TOP SECRET OLAVO

INÍCIO - TOP SECRET OLAVO 13/09/2011

sábado, 18 de junho de 2011

CONFERÊNCIA

A CONFERÊNCIA QUE PROFERI EM 17/06/2011
NO MUSEU DA REPÚBLICA E DA RESISTÊNCIA
EM LISBOA

AMOR NA GUERRA

Porquê AMOR NA GUERRA, se o livro trata a guerra colonial?
Primeiro deve ser levado em conta que o autor é por natureza um romântico e um optimista nato. Factores que se revelam em todas as circunstâncias.
Depois, em 1962 / 1963, em que estive no Tari Lifune, a cerca de 30 quilómetros de Nambuangongo, a norte do rio Lifune. Ali a UPA, estava apenas a, uma vez por mês, cerca dos dias 20, a flagelar com disparos de três canhânguladas, cujos efeitos se saldavam por, assinalar presença, disparando, nos blindados dos carros. Era o bate e foge.
                               
Quando proferia a conferência,
ladeado do Dr. José Paulo, do Museu

O seu poderio militar ali, concentrara-se mais na famosa região do Zala, mais circunscrição de Nambuangongo.
No Batalhão 350, a que pertenci, já bastante perto do fim, em que se esteve em zona operacional, um dos esquadrões sofreu um verdadeiro massacre, seguido do rebentamento da única mina anti-carro, outro massacre.
Por fim o 297, a que pertencia, de regresso do Tari, a 5 de Abril, foi emboscado no corredor, que serviu para a coluna, comandada pelo lendário Tenente-Coronel Maçanita, progredir em direcção da retomada de Nambuangongo.
Da emboscada resultaram cinco mortos, entre eles, um motorista civil. Ficaram todos sepultados no Mucondo.
Além do nosso armamento, ser rudimentar, na circunstância, nada podia ser feito contra a guerrilha e no seu efeito surpresa, ainda atirou uma granada incendiária, para um dos carros, onde bastante material ardeu na combustão, antes do comandante do coluna o então, Capitão João Ramiro Alves Ribeiro, tomar a dianteiro de subir e atirar tudo o ao solo, evitando um mal maior.
                           
Recebia o Prof. Dr. Yebora Martins,
autor do Prefácio, amigo de há cerca de 50 anos

Vivendo este gravoso acontecimento e a chuva torrencial, que se lhe seguiu, o meu optimismo nunca deixou de estar em alta
Há talvez, ineditismos na narração que se faz no AMOR NA GUERRA:
- 1º. Terá sido sob créditos um dos raros diários de guerra colonial, portanto os dados cronológicos estão certos, porquanto eram escritos, taxativamente ao dia, mesmo em dias fora do aquartelamento. O autor andava sempre munido de papel e caneta. a esferográfica já tinha feito a sua aparição, mas ainda não era muito usada
                             
 Coversando, com o Prof. Dr. Yebora Martins

- 2º. Terá sido o único testemunho de uma praça, que só depois frequentaria o ensino liceal.
- 3º. A narrativa foca apenas factos vividos e observados. Propositadamente, não se abordam motivações politicas.
Depois convém não esquecer que aquela guerra, como se sabe, foi de libertação. Libertação que veio a servir de génese à revolução de Abril de 1974, Que no entanto se iniciou em 1960, visto que logo bastantes homens fugiam a corta mato, a fugir à guerra, por um lado e à miséria por outro.
Portanto, não causará admiração, que para o Onofre, o protagonista, apresente a estada na guerra, como se fora umas férias.
Foi já depois que, foi tendo conhecimento de quão terrível foi a guerra, mesmo em sítios tranquilos que passei como a Lunda. Na estada aí que está assinalada com a questão: seriam espiões?
Sem dúvida ali, com o refúgio, Congo ex Belga, a sete quilómetros e meio, já se andavam a preparar meios para pôr também a província a ferro e fogo.
Toda a narração está, pois impregnada de verdade e certamente, nada há mais revolucionário do que a verdade.
Quem ler o livro com atenção, poderá reparar num facto: o exército português, daquele tempo, estava muito carenciado de meios logísticos.
Como foi possível, a previsão de frescos e envio de correio bi semalmente, chegar a falhar, frequentemente, duas e três semanas?
Como foi possível, um abastecimento da vila Portugália, à então cidade de Henrique de Carvalho (Saurimo), estarmos sujeitos, a esperar três dias, por uma qualquer passagem de viatura, para ir em busca de material para concertar o meio, uma GMC imprópria para se movimentar naqueles terrenos, que ia para servir de transporte, que já havia servido na Segunda Grande Mundial, sem se ir munido de comunicações?
Como era possível, um soldado ser agraciado com a Cruz de Ferro, por acto de bravura, ser convocada, para cerimónia em Luanda, tendo como transporte, ida e volta, a boleia de colunas, de a de acampamento em acampamento, numa viagem de vários dias e regressar desidratado, e dar baixa à enfermaria, em consequência?
“Amor na Guerra”, porque o houve mesmo o platónico, resultante da correspondêncîa postal, mormente com Madrinhas de Guerra. Depois na zona sul, de diversas formas, namoros com negras, etc.
Num aparte deve ser referido o caso e um ex-camarada, ter adquirido o livro e tê-lo proibido à esposa, pelo nome AMOR NA GUERRA.

Vou mostrando fotos, as possíveis, do princípio da guerra.

Responderei a perguntas que a ilustre assistência deseje fazer.

Daniel Costa


terça-feira, 7 de junho de 2011

CONFERÊNCIA

CICLO DE CONFERÊNCIAS DE ESCRITORES DA GUERRA DO ULTRAMAR. Para a minha, a 17 de Julho, ficam convidados todos

                 


abraço
Daniel Costa