quinta-feira, 26 de maio de 2011

CONFERÊNCIA

                 CICLO DE CONFERÊNCIAS DE ESCRITORES DA GUERRA DO ULTRAMAR

                                  

Ficam todos convidados a estar presentes na sessão, Estrada de Benfica, 419 Lisboa

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

AMOR NA GUERRA - LANÇAMENTO DO LIVRO


A APRESENTAÇÃO DA OBRA E DO AUTOR FOI DE MARIAZITA - MARIA CAIANO AZEVEDO, PARA O QUE ESCREVEU O SEGUINTE TEXTO DE QUE FEZ A LEITURA::

PALAVRAS PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO DO DANIEL

Foi um prazer e um privilégio ler o prefácio do livro que agora se lança – Amor na Guerra – da autoria do nosso querido amigo Daniel.
O Daniel é uma pessoa por quem tenho uma enorme admiração, especialmente pela sua grande força interior.
Qual Fénix, também ele renasceu das cinzas, e aqui está entre nós, nesta segunda oportunidade que lhe foi dada, e que aproveita nos mínimos detalhes.
Escritor incansável, abusa, por vezes, em meu entender…
Sobre o livro agora lançado, direi que quem viveu os tempos da chamada «guerra colonial» sentirá um sabor muito especial ao ler o relato de tantos acontecimentos vividos pelo autor.
Os que não são desse tempo gostarão igualmente, talvez de forma diferente, de saber como eram vividas essas experiências, que o Daniel tão bem descreve.
São muitas as histórias contadas, todas com a sua participação.
O texto deste livro foi publicado, em episódios, num dos blogs do autor.
Segui quase todos os capítulos. Por isso falo com conhecimento de causa: comprem o livro e deliciem-se com a sua leitura.
Vale a pena.

Obrigada pela vossa atenção.

 





segunda-feira, 1 de novembro de 2010

AMOR NA GUERRA

CONVITE DE LANÇAMENTO
Quem more nos arredores ou deseje vir a Lisboa fica convidadado para o lançamento.


Daniel Costa

sábado, 25 de setembro de 2010

AMOR NA GUERRA

FORMALIZAÇÃO

AMOR NA GUERRA, ESTANDO JÁ EM PROCESSO DE EDIÇÃO, ONTEM, DIA 24/09/2010, COM A ASSINATURA DE CONTRATO ENTRE A REPRESENTANTE DA EDITORA ALFARROBA E O AUTOR FICOU OFICILIZADA A EDIÇÃO.
A OBRA, POSSIVELMENTE, AINDA SERÁ LANÇADA ESTE ANO DE 2010, SEGUNDO PALAVRAS DA RESPONSÁVEL EDITORIAL, QUE MOSTROU BASTANTE INTERESSE NA EDIÇÃO.

NO FIM OS DOIS AUTORGANTES DEIXARAM-SE FOTOGRAFAR.

Daniel Costa

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

AMOR NA GUERRA


CONTRACAPA

Só com a chegada de oficiais de Cavalaria, ao Regimento, em Estremoz, em Agosto de 1961, sob o comando do, então Tenente-Coronel Spínola, a formar o Batalhão 345, onde Daniel Costa foi incorporado, este ficou com a certeza da sua mobilização para a Guerra do Ultramar.
Logo aí o autor decidiu anotar diariamente todas as incidências porque passasse em campanha, com vista a editar um futuro livro baseado na vida de caserna, visto que pertencia à classe de Praças.
Depois de algum tempo a pertencer àquele batalhão, no Esquadrão 297, numa reviravolta por motivos, diria falta de organização nas secretarias militares, daqueles tempos conturbados, O 297 avançou, adido, para o quartel de Faro, onde ficaria, a aguardar embarque e a substituir um outro ali colocado, cujo comandante reivindicou procedência, como lhe competia.
Em 11 de Janeiro de 1962, partindo já de Faro o 297 foi juntar-se, no cais da Rocha Conde de Óbidos, ao Batalhão 350, comandado pelo franzino, Tenente-Coronel Costa Gomes (irmão do que foi, mais tarde, presidente da República Portuguesa), ali se embarcou para Angola.
Sempre o diário foi acarinhado, apesar do autor deste livro ter sido jornalista e editor de uma revista mensal, cerca de 30 anos, ou por isso, nunca tinha havido tempo para concretizar a compilação e edição.
Deve ser aqui evocado o Sargento Pinedo, que sempre distinguiu o autor, apesar de ser em homenagem póstuma. Além de várias provas de apreço, dele partiu a indicação para a substituição do lugar do Sargento que dirigia o rancho, lugar de especialista com essa classe militar inerente.
Deve ficar aqui uma referência ao General João Ramiro Alves Ribeiro, também a título póstumo, que comandou o Esquadrão 297, como Capitão, pelo apreço do seu profissionalismo como comandante militar.

AMOR NA GUERRA está em edição, este post é tal como irá figurar na capa do livro.

Daniel Costa

domingo, 20 de junho de 2010

AMOR NA GUERRA

DUAS PALAVRAS

O Jornal da Amadora publicou de 1 de Janeiro do ano de 2006 a 15 de Fevereiro de 2007 as crónicas de Daniel Costa enquanto militar mobilizado em comissão de serviço no norte de Angola a fim de combater na guerra colonial.
Tudo começou nos primeiros meses de 1962 e vai desenrolar-se até Abril de 1964.
O relato assume-se sempre de forma objectivada e pormenorizada.
A escrita diarística encontra aqui um representante válido porquanto os acontecimentos militares não podem excluir as relações de casualidade.
Trabalhos desta índole representam na micro estória a busca de significantes e interrogam-nos.
A figura do soldado Onofre (Daniel Costa), nestas crónicas revela uma continuidade complementar na postura que se propõe a si próprio ao longo do relato, na procura, conseguida, de informar e informar-se.
Prepassam nestas páginas breves alusões, embora, a personagens conquanto alheias à guerra colonial relevam de contemporaneidade ( De Gaulle e Montegomery).
Todo o descritivo situa-se na ambiência geográfica africana - a negritude - na sua carga milenar; esta assimila-se à presença portuguesa gerando a miceginação.
O acervo de dados a partir do Esquadrão 297 é impressionante: o real quotidiano, as obrigações da guerrilha. o outro. A Breda e a Mauser, o alojamento, os acampamentos, as refeições, o convívio entre militares, o lazer, as "madrinhas" de guerra.
Os desfiles. A sexualidade na ambivalência das recordações femininas e as "derivações" na mulher africana.
Por fim a aurora da libertação.
Onofre (Daniel Costa) coloca-nos perante as memórias das vivências insuspeitadas destes actores.
Deles e dor do outro, visto que a memória é recíproca.
Necessáriamente.

A. M.

Lisboa, Agosto de 2007

sábado, 19 de junho de 2010

AMOR NA GUERRA

REGRESSO DE ANGOLA

No dia vinte de Março, com a integração de todos os elementos nos esquadrões de eram originários, o eventual naturalmente deixou de existir com o normal reagrupamento.
No mesmo dia procedeu-se à devolução de todo o equipamento militar, corolário eminente do regresso à tão desejada vida civil, para o que havia um Oceano de separação, além de outras formalidades a constituírem outras tantas provações.
Nessa tarde o Onofre almoçou com vários camaradas num restaurante de Luanda, depois de passaram o resto da jornada visando as últimas compras, com outros entretenimentos na maior descontracção, visto o dever estar cumprido.
Ainda no Grafanil, a vinte e dois, o Onofre conheceu a inesperada felicidade de receber a visita de um irmão, que já tendo assentado praça na marinha, seguia mobilizado para Moçambique e cujo navio fundeara no porto de Luanda.
Passava ali o dia todo e depois de apresentado a vários companheiros, serviu de companhia na última jornada de gozo na capital de Angola, enquanto haviam muitas aventuras e novidades para trocar.
Um dia inesquecível por assaz interessante!
Chegou finalmente o embarque de regresso, era outro dia memorável, o vinte e três de Março de 1964. De manhã cedo foram ordenadas todas as bagagens, que se fizeram de imediato chegar ao transatlântico “Vera Cruz”, que as havia de levar de regresso a Lisboa, com mais cerca de dois mil militares em fim de comissão.
Vieram então as ditas provações, que aquela tropa bem podia dispensar, embora tidas como “honras militares”. Consistiram numa aparatosa parada de despedida, ainda em pleno campo do Grafanil.
Duas longas horas sob um calor intenso, em formatura, para ouvir a historiografia das actividades exercidas durante vinte e sete meses, para o caso do Batalhão 350, de que o Onofre fazia parte.
Foi realmente uma grande apoteose de despedida, contando com a presença do General Comandante da Região Militar de Angola, a comandar depois um desfile militar de grandiosidade pelo número de unidade envolvidas.
Por fim, todos os intervenientes, que deixavam as obrigatórias funções, que as tivessem desempenhado melhor ou pior, receberam um diploma individual, com a assinatura do citado oficial, Comandante Superior, em carimbo aposto, depois de dactilografado o nome pessoal e da Unidade a que pertencia, cada qual e por fim a frase:
- “Atestado o seu apreço pelo brio profissional e valentia com que se bateu pela Pátria em terras de Angola”.
Seguiu-se de imediato o embarque num comboio, em gare criada para o efeito no próprio Grafanil, que fez todo o transporte de todo o pessoal, para o porto da baía de Luanda, afim de que o paquete “Vera Cruz” zarpasse até Lisboa, repleto de homens fardados.
Enquanto no transporte ferroviário ia marginando a cidade Onofre não deixou de reparar nas sanzalas que a rodeavam, algumas com brancos, aqueles que porventura não haviam conseguido a qualidade de vida almejada, pelas mais variadas circunstâncias.
Pelas três da tarde já com tudo a bordo, podendo ver-se muita gente no cais, fez-se ouvir o toque de despedida pela fanfarra do Regimento de Infantaria de Luanda à partida do navio.
Apesar da muita felicidade motivada pelo regresso, a cerimónia não deixou de causar um frémito de emoção em muitos corações sentimentais, tal como o do Onofre.
Os dias que pareciam infindáveis, na viagem de regresso, passados em alto mar. Quando se chegava à amurada só se avistava água, por vezes havia o recurso à leitura, também se efectuavam longas conversas, em que eram abordados reluzentes projectos de vida futura.´
Muito dado a reviver um passado, ainda que recente, como o era o da comissão imposta e a terminar, o Onofre rememorava muitas incidências vividas em África, como as relativas a Madrinhas de Guerra, no fundo uma agradável maneira de trocar correspondência e sobretudo o facto de durante os treze meses passados na zona de guerrilha ter dormido com arma ligeira, uma pistola metralhadora, que lhe fora atribuída para defesa pessoal, sempre debaixo do travesseiro, destravada em ponto de disparar de imediato, caso acontecesse o sempre previsível ataque.
No dia vinte e seis um remédio, uma espécie de purga geral, criou mau estar, o que continuou na jornada seguinte.
Já no dia vinte e oito, mazela esquecida, cabeça rodando com os balanços nave, à noite pôde assistir-se à exibição do filme “Quatro Raparigas”.
Celebrava-se a Páscoa a vinte e nove de Março, a bordo a monotonia e o veemente desejo do cabal regresso. Começou a sentir-se frio, para quem deixara para trás vinte e sete meses de clima tropical, notava-o mais acutilante, já em atmosfera europeia e porque o fim daquele mês de Março estava agreste, o mar tornara-se muito agitado e o navio balançava bastante.
Como resultado, o grande salão da classe turística, destinado às refeições das praças durante aqueles dias ser utilizado, por apenas dois passageiros, entre os quais Onofre, que utilizava uma das mãos para a estabilização do talher, sem o que o mesmo dançava por toda a mesa, num vai e vem em frenética agitação.
A trinta soube estar-se de passagem junto da costa das Canárias, a demonstração de que se aproximava o porto de Lisboa. E o mar continuava no seu frenesim de bravura.
Finalmente, no dia um de Abril de 1964 o “Vera Cruz”, manhã cedo acostou à Gare Marítima de Alcântara, na capital de Portugal.
O dia apresentou-se sempre sob uma arreliadora chuva miudinha e fria, impróprio para a celebração de quem chegava de cumprir serviço militar em Angola e eram cerca de dois milhares de homens que tinham servido ali de guerrilheiros a bem da Nação.
De imediato se processou o desembarque e forças metropolitanas do exército apresentaram sacos individuais de comida, que servia de alimentação naquele dia, para todo o contingente.
Até à uma da tarde deambulou-se, cada qual deu a volta que entendeu. Procedeu-se depois à inevitável cerimónia de desfilar perante um Senhor Oficial General, sempre a chuvinha miudinha e fria a cair. Só então se deu a mais uma etapa o embarque no próprio perímetro da Gare em comboio especial, que iria levar toda a tropa do Batalhão 350, ao Regimento de Cavalaria 3, em Estremoz, onde havia sido feita a mobilização.
Ainda mais um desfile, da estação ferroviária local. Destroçou-se junto ao refeitório, onde foi servido pelo exército o último jantar.
Ainda, nessa noite se procedeu ao espólio, muitos já se tinham munido de roupa civil.
A seguir em união com colegas de proximidade encheu-se um táxi, para transporte de novo ao seio paterno.
Fica aqui patente a grande saga do Onofre, na guerrilha de Angola!...

Daniel Costa