sábado, 17 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

DISCOS PEDIDOS

É tempo de expressar-se, desde já que as mortes infligidas a terroristas na mata, ficavam à conta dos seus camaradas. Obviamente o transporte feito pelas tropas regulares era impossível.
Deve ficar esclarecido, no Esquadrão, era ponto assente que só se recorria à força de tiroteio, depois de dada ordem para os opositores se entregarem.
Aquela guerra visava apenas a integração. Passada a fase da grande violência terrorista, a força de retaliação queria evitar represálias.
Estas eram as ordens emanadas dos comandos e eram respeitadas escrupulosamente no Esquadrão 297.
Música improviada na guerra

Por esta altura tornava-se muito frequente as idas a Quimanoche.
Enquanto se recuperava material de construção, não deixava de estar em acção um objectivo principal, a vigilância do perímetro adstrito àquela força expedicionária.
No âmbito desse desiderato havia já um pelotão do grande quartel da cidade de Nova Lisboa, constituído por militares locais em que só o superior, um alferes, um sargento e dois cabos eram brancos.
Estavam na Fazenda Três-Marias, a base para em muitos regressos, se efectivarem os almoços da tropa em movimento.
Sempre no âmbito da operacionalidade, coube ao Onofre e companheiros, participarem em mais uma escolta, onde se contou a apreensão de valiosos documentos e variados objectos.
A dez de Agosto houve novo destacamento de substituição em Vista Alegre. Além da continuidade em posição operacional, foi retomado o que já se tornara rotineiro:
- Posição adaptada à espera de entrar em combates de guerra!...
Em vinte e quatro de Agosto, numa viagem ao Tari tomou-se conhecimento que, numa operação um dos pelotões havia aprisionado duas mulheres.
Agosto de 1962, dia vinte e nove, a tropa do Esquadrão numa acção de assalto, a que se ia dando a denominação de batida, fez várias baixas e apanhou um casal, cuja condição de terrorista não seria adequada.

Ângela Maria, cançonetista brasileira com os seus grandes êxitos na rádio
O maior seria: "Será que eu sou feia? / Não é nao senhor / Você é um amor"

Enquanto permaneceu no Tari, não foi muito molestado nos normais e habituais interrogatórios nestes casos.
No dia doze de Setembro, foi a vez do Onofre, em substituição alinhar apeado numa batida.
Pela única vez, andou cerca de oito horas embrenhado na mata e no capim. Deu para entender melhor o grande esforço desenvolvido pelo Esquadrão.
Nada tendo resultado, serviu apenas para ver um terrorista de longe em fuga desordenada fora do alcance de trajectórias balísticas, com o armamento disponível ou com perseguição naquele terreno de vegetação tão exuberante, sempre mais favorável a fugitivos conhecedores do meio.
No dia dezassete, ainda no mês de Setembro de 1962, de novo formado pelo pelotão do Onofre, com a metralhadora pesada Breda, montada no Jeep que este comandava, partiu às duas da madrugada para entrar em nova batida, onde foram efectuados mais mortos.
Recorda-se aqui o vinte e sete de Setembro, em que numa missão das habituais escoltas, desta vez a Mucondo, no caminho foi avistado e caçado um javali:
Foi necessário todo um pelotão, o efectivo da tropa em movimento, para efectuar a caça à peça, que depois serviu uma refeição.
Verificou-se difícil haver numa mesa de carne tão saborosa.
No seio de uma guerrilha, como a que se verificava, se vista com espírito de aventura, à maneira do Onofre, podem encontrar-se momentos de agradabilidade.
Numa altura em que se ia desenvolvendo imensa luta, com o inerente trabalho, para que se reconhecesse predominar ali o Grande Esquadrão.
Em virtude da amizade muito pessoal e próxima que o Onofre mantinha com o Jaime, um dos poucos a possuir um rádio portátil a operar naquele acampamento, algures numa mata a Norte, em quartel militar, a audição do receptor era um dos entretenimentos disponíveis.
Como os inúmeros postos emissores difundiam para os muitos contingentes militares que ocupavam a zona envolvida pela guerrilha, todos tinham já na grelha de programas, vários de discos pedidos, muitos dos quais chegavam de familiares, amigos e Madrinhas de Guerra, vindas do Continente.
Nomes em voga muito passados nessa altura, além de outros eram os de António Prieto (latino-americano), Paul Anka (Canadiano), Frank Sinatra (americano), Gelu (espanhola), Ângela Maria (brasileira), Fernando Farinha, "Os Planetas da Kaala" (grupo de militares aprestar serviço em Angola), "Conjunto Maria Albertina" ou Raúl Solnado (mormente com a "História da Ida à Guerra").

Gelú, cançonetista espanhola. As rádios difundiam várias vezes por dia
em discos podidos por família, namoradas ou por essas grandes figuras,
as Madrinhas de Guerra, o seu êxito "Moendo Café"

As Madrinhas de Guerra constituíam também um paliativo para ajudar na passagem daqueles tempos. Portanto a chegada da avioneta à pista do aquartelamento era muito saudada.
Sempre aguardada por um pelotão em pronta posição de defesa.
De recordar, uma aventura de Onofre; ideia do Arlindo, sempre ele:
- Passou a enviar as cartas para algumas Madrinhas de Guerra, sem o respectivo selo da taxa, dizia ele: que paguem a multa, para alguma coisa servem. Devem pagar, para ajudar o Estado, no esforço da guerra!
O inefável Arlindo dizia isto, com o ar mais sério deste mundo.
Estava-se na fazenda Vista Alegre, passou uma coluna, vinda do Tari, que foi em serviço a Muxaluando, onde estava sedeado o Batalhão e era possível adquirir selos, assim como passava a avioneta em maior número de vezes.
A correspondência sempre em dia era um modo
de empregar tempos livres
Comandava a coluna o Sargento Pires que levou o correio, algum para selar. Porém uma carta enviada por Onofre ali estava, como que selada.
Propositadamente, o sítio do selo estava arranjado como se este tivesse caído. O Sargento adquiriu a estampilha e remediou.
No regresso contou o sucedido e obteve sorrisos como resposta.
Soube então que os três da vida airada, Daniel, Teodoro e Arlindo, tinham adoptado o sistema, toda a gente voltou a sorrir.
Depois, houve mais risos: Onofre quis pagar os 2$50, custo do porte da carta, porém o Sargento encolheu os ombros, voltou a sorrir e não quis aceitar.
Não se pensava tanto na carne, peixe e outros frescos que deveria transportar bissemanalmente, destinados à alimentação, mas no correio que também chegava por aquela via.
A correspondência que exercia fascínio, enquanto levantava o moral das tropas.
Onofre parecia viver obcecado por aquela que sempre adocicou a sua existência por toda a comissão, marcando constante presença com as suas missivas.
Era a Ana Zé, que mantendo a sua obsessão, hesitou em subir de "posto", como se diria em conversas de caserna, encontrando sempre uma bondade incomensurável da parte do Onofre!...

Daniel Costa

terça-feira, 13 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

A MAGIA DO RIO LIFUNE

O Rio Lifune está implantado na região onde principiou a rebelião da grande Colónia de Angola, uma das que Portugal ia administrando em África, destinada a subverter a situação que os naturais, assim como a opinião pública mundial consideravam injusta.
Na antiga Região dos Dembos, banhada pelo Lifune, onde o Onofre se movimentava, vivendo uma aventura, que não era mais do que o grande desejo de liberdade, de conhecer novos horizontes, em resumoa mobilização para a guerra estava ali a conferir-lhe a grande oportunidade desejada.
Assim aquele Rio era a magia com que convivia diariamente, sustentava a ponte de alvenaria por onde tinha passado toda a estrutura militar, que retomara à ainda rudimentar organização da UPA, a "fortaleza" que esta fizera da célebre povoação de Nambuangongo.
Penhasco sob a ponte do rio Lifune
Não sem antes os terroristas terem tentado destruí-la, com o sentido de cortar o avanço à coluna militar que por aí se deslocava.
Por a posição da tropa no terreno, no encaminhamento do objectivo não o permitir, só foram destruídas a maior parte das guardas laterais, bem como alguns locais onde estavam colocados os pilares dessa.
Dois solados posam junto a um carro destruído,
os pneus aproveitados para improsisar cançado

O rio Lifune percorria a calma região entre a Fazenda Tari, que assim ganhara o prefixo do Rio e a Fazenda que ostentava a designação da mesma corrente aquífera, de seu nome próprio Lifune, tudo por uma questão de proximidade e referência.
Todo este corredor feito picada era o mais percorrido, em viaturas, pelo Esquadrão sedeado no Tari, bem como a parte destacada na Vista Alegre a constituir também um ponto da importante rota.
Barbeiro improvisdo
Torna-se claro que o Grande Esquadrão a ocupar uma vasta zona, estava sempre em movimento, por tudo o que era picada, mesmo secundária, mas aquela era a mais directa ao Comando do Batalhão sito em Muxaluando.
Nas roças abandonadas, em virtude do terrorismo, de designações como Portugália, Quincuso e outras. As visitas só tinham a ver com a manutenção da soberania nacional, ao tempo tão propalada em todo o território.
Como um militar, fazendo parte de um grupo está sempre em guerra, nas quase diárias surtidas naquele corredor, sempre se passava pelo Lifune (Fazenda).
O Lifune fica logo no fim da descida, do que fora a grande povoação de Muxaluando e ao mesmo tempo centro comercial de certa importância, antes da actuação guerrilheira, do grupo denominado UPA, pelo que o Onofre e a estrutura do pelotão a que pertencia, estavam muito em acção e sempre a passar por ali, onde se cultivava um enorme palmeiral.
Imagem da Senhora de Fáttima recapturada
e colocado num nicho feito a propósito
A grande plantação originava uma fábrica em laboração quase contínua, na produção de óleo de palma. A única que se podia encontrar naquelas latitudes.
Porém, o que mais entusiasmos atraía nos militares, era a Dolores, uma preta nova e bonita, que sempre se deixava ver.
Refira-se a circunstância da raridade que representava, naquelas paragens, uma visão feminina. No entanto sabia-se da sua união conjugal ao chefe da laboração da fazenda.
Uma das atribuições que cabia aos militares, era o de também escoltar trabalhadores na safra do café, abundante e de grande qualidade na região, em fazendas que iam laborando, mesmo que os fazendeiros tivessem tido de abandonar as roças e procurar refúgio junto dos aquartelamentos, improvisados para efectivar a defesa de todos os bens da comunidade.
O rio Lifune também tinha a sua utilidade para a pesca dos lagostins. Ali se ia colocando armadilhas para os captar, só Oficiais e Sargentos eram beneficiários do produto.
Para essa actividade, como para todas as efectuadas fora do arame farpado a rodear as instalações, sempre tinha de haver um serviço de escolta.
No Lifune Tari, além de existir um rebanho de cabras, que se possuía por compra à tropa substituída, foi criada uma exploração agrícola, cujos produtos produzidos serviam para abastecer o rancho.
Os soldados a colaborar na agricultura, faziam-no sempre devidamente armados. O Sargento que se encarregava do comando da exploração, depressa tomou o cognome de "Lavrador".
Coisas que também os rapazes, mesmo em guerra não se cansavam de inventar. No caso partindo do atribuído ao rei D. Dinis, monarca da primeira dinastia.
A vinte e nove de Julho, foi dia de outra integração:
- Pelas três da manhã, em escolta de protecção a um outro pelotão do Esquadrão a participar numa das muitas operações militares, incluindo incursões no denso matagal, com o objectivo de reduzir o terreno desfrutado a belo prazer pelos bandidos da mata.
Consumada a operação terrestre, enquanto os elementos de serviço, em grupo motorizado deixando, como acontecia regra geral, em sentido contrário.
Os soldados atacantes foram recolhidos a meio da manhã pela mesma força, numa via transversal situada num ponto pré-determinado.
Veio a saber-se terem sido feitas várias baixas.

Daniel Costa

sexta-feira, 9 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA



GUIA LOPES CABANDA

A tropa do Tari adoptara um colono fazendeiro, a morar aí como defesa, serviu de guia naquela labiríntica vegetação onde, que não conhecesse o terreno, podia dar voltas sem se dar conta de estar sempre a caminhar para ponto de partida.
Numa operação deu-se a chegada a um local, a servir de esconderijo e habitação de elementos da UPA, tendo as suas sentinelas.
Dado o alerta, verificaram-se as fugas, foi apenas apanhado um rapaz de cerca de quinze anos.
Estava ferido e escapou à chacina, por intervenção oportuna do próprio Comandante do Esquadrão, a comandar a operação.
É que sendo os militares muito aguerridos, ao ouvir o jovem proferir alto e bom som: "UPA... UPA... UPA!...” A tropa estragou a minha vida!"... Um dos mancebos não se susteve e já levantava uma catana, afim de lhe cortar o pescoço!...
No mesmo dia, o médico do Esquadrão, o Alferes Azevedo Gomes, que dava mostras de humanidade, talvez para conseguir abstrair-se e desanuviar a mente, subiu ao torreão, que servia de vigia ininterrupta ao aquartelamento, onde Onofre cumpria as suas horas de serviço.
- Deu-se, entre ambos, o seguinte diálogo:
- Dr. Azevedo Gomes:
- "Passei um dia bastante preenchido, além do muito trabalho com alguns de vocês, que me têm aparecido, ainda tive de tratar o jovem prisioneiro".
Onofre :
- O Doutor aí podia aplicar determinado comprimido e ocasionar a morte.
A resposta indignada, não se fez esperar: "O médico é para tratar da cura e não da morte, mesmo de um inimigo capturado".
Deu-se também um facto, que à distância de décadas, ou por isso, é para rir:
- Ia o Onofre no Jeep com os seus companheiros, acompanhando o respectivo pelotão em serviço na picada que vai dar a Muxaluando.
Havia muitas e belas perdizes, por aqueles sítios e como o apontador da Breda, o Teodoro, era amador de caça na vida civil, ao ver uma dessas aves, dispondo apenas de metralhadora pesada, não se conteve, e zás!...
Tiro!...
Era uma curva muito acentuada, própria para a ocorrência de uma emboscada.
Antes de entrar nessa, transitava uma outra coluna em sentido oposto, pertencia ao esquadrão de Comando e Serviços, com o próprio Tenente-Coronel Costa Gomes, nas suas próprias funções de comandante.
Tanto bastou para a segunda força abrir fogo, como lhe competia, visto que entendeu estar a sofrer um ataque.
Felizmente, não passou de uma “brincadeira”, ali pouco original, que podia ter o seu fatalismo, até no aspecto disciplinar, que não funcionou, talvez porque não foi investigada a verdadeira origem do episódio.
Na Segunda-Feira, nove de Julho, depois de ser escoltada uma missão. Na volta de regresso, constatou-se a apreensão de alguns canhângulos.
Para que pudessem efectuar a fuga, os terroristas, foram obrigados a abandoná-los.
A partir desse mesmo mês de Julho, o Esquadrão iniciou grandes obras da sua base do Lifune-Tari, sendo que a referência Lifune se deve ao rio do mesmo nome, que passa junto.
Tari - depois das obras

A metamorfose, que acabou por ser efectivada, ficou a dever-se aos escombros, resultantes da destruição da nova povoação de Quimanoche, onde residiam colonos.
Foi dali que saíram em várias colunas militares, todos os materiais de construção, nomeadamente madeiras, para construir vários edifícios, como mais duas casernas, para que cada pelotão tivesse a sua e com mais algum conforto.
Ficava patente o grande poder organizativo do comandante do Esquadrão, Capitão Alves Ribeiro e também do valor demonstrado, por vários militares oriundos da construção civil, cujo trabalho apresentado mostrou grande perícia.
Das várias idas, um dia em duplicado, do pelotão a que pertencia o Onofre, deu para verificar que se tratava duma povoação fundada recentemente, mesmo completamente destruída, sentia-se a solidez dos materiais utilizados e uma razoável grandeza, que o terrorismo acabara por aniquilar.
Entretanto continuava a registar-se um grande movimento de operações militares, que se denominavam batidas, visto que eram levadas a cabo com incursões no denso capim, a rodear a imensa floresta, servindo de protecção aos grupos de "turras", como eram apelidados em simplificação.
Numa dessas acções, a dois de Julho, depois de uma actuação, a que se poderia chamar de psico-social, foi uma árvore, uma garrafa protegendo uma mensagem.
Convidava todos os que viviam na clandestinidade a entregarem-se.
Resultou a recolha de um elemento, que se viria a tornar precioso como guia, dado ter relevo e conhecimento da zona.
Na mesma operação, foram ainda apanhados documentos que se revelariam importantes.
Dizia-se que a população colonial ao redor não sofrera os conhecidos e horríveis massacres que haviam chegado à Fazenda Maria Fernanda, onde estava instalado outro Esquadrão do Batalhão 350, porque o pai, não concordando com a operação nos moldes apresentados, retardou a respectiva informação.
O homem começou por ter uma guarda de dois militares, passando apenas a um, para depois ser como ser como mais um militar, na posição de guia, com direito a ir integrado nas operações, armado com espingarda Mauser.
Lopes Cabanda

Era o Lopes Cabanda, que realmente se tornou elemento incontestado guiando os militares pela mata, na prevista intenção de pacificar a zona onde fora desencadeada a guerra no Norte de Angola.
A tropa do Tari ia assim desenvolvendo grande actividade operacional, enquanto se iam vivendo tempos de pura abstracção com envolvimento na criação de factos divertidos, como a de "roubar" o maior número de quicos possíveis.
Chegou ao ponto de serem criadas estratégias interessantes, como aquela que o Belo um dia levou à prática.
Uma dessas peças regulamentares foi presa a um alfinete seguro num cordel. O contentamento gerado no suposto achador desvanecia-se abruptamente quando se apercebia ter caído numa armadilha.
Refira-se os designados quicos, eram coberturas de cabeça, que faziam parte do fardamento, a usar em momentos de lazer.
Eram muito leves e caracterizados por possuírem duas bandas, pendentes sobre o pescoço, fazendo lembrar novas orelhas.

Daniel Costa

terça-feira, 6 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

VISTA ALEGRE

Chegados à Fazenda Vista Alegre, a substituir o pelotão ali instalado, local donde partiu a tropa do Tenente-Coronel Maçanita, no ataque final ao bastião dos terroristas da UPA, agrupados na povoação de Nambuangongo, retomada alguns tempos antes.
A troca dera-se de imediato, uma vez que os militares pertencentes ao mesmo Esquadrão, já estavam bastante rodados nos movimentos a efectuar no cenário.
O serviço de escoltas continuou.
A partir daquele destacamento, saia-se muito para o Tari e Muxaluando, os corredores mais vigiados pelos militares daquela posição. Eram visitadas, em reconhecimento as roças vizinhas, onde só se encontrava destruição.
Amoço em Vista Alegre
As muitas visitas que se faziam ao Tari, onde estava instalado o comando do Esquadrão, eram sempre em missão de escolta, a par de trazer a área sempre debaixo de protecção.
Visavam o abastecimento, mas sempre na mente de todos os elementos, o correio e os frescos que a avioneta devia trazer duas vezes por semana, para dar o tão simples como o esperado conforto aos militares.
No entanto, continuava a passagem a ser muitas vezes miragem, tantas quantas as bastantes falhas.
No Domingo 10 de Junho de 1962, numa operação levada a cabo por tropa do Tari, deu-se a primeira baixa do Esquadrão.
A bandeira estava içada a meia haste e reinava a tristeza naquele aquartelamento.
Aconteceu num reconhecimento feito a um local, que a aviação bombardeara na véspera além da baixa, houve ainda quatro feridos, que acabaram por ser evacuados, de avioneta, para o Hospital Militar de Luanda.
O Onofre havia já travado conhecimento com um dos evacuados, numa efémera passagem pelo Hospital Militar de Elvas. A sua baixa à unidade hospitalar, teria o fito de livrar-se da vida militar e consequentemente da ida para o Ultramar, por ser oriundo de família abastada que tudo podia pagar.
Na circunstância pôde ler-se a notícia da sua morte, num jornal luandense. Pensara-se, por via disso, nunca saiu mesmo da cabeça de Onofre que a local poderia objectivamente ser forjada, visto jamais se dar o regresso daquele elemento ao Esquadrão.
A vida nas instalações improvisadas da Fazenda Vista Alegre, com o optimismo do Onofre, era agradável e o jogo de cartas continuava uma constante dos tempos livres.
Tornara-se uma actividade rentável. Pertencendo o Picão também ao pelotão destacado, continuava a ser o providencial parceiro.
Determinado furriel, que também pertencia ao pelotão e era civilmente bastante rico, logo de manhã fazia a sua abordagem para o jogo da sueca.
Como era evidente, perdia todos os dias.
Naquele aquartelamento fora passada a primeira quadra dos Santos Populares em Angola. Foi comemorada ali, com as tradicionais e festivas fogueiras.
No destacamento, além dos serviços de escoltas, inevitavelmente, estava presente a vigilância, dela dependia a relativa tranquilidade que se ia usufruindo.
Grupo descasca batatas a cozinhar para a refeição
Foi mesmo nesse dia, já em nova missão no corredor Tari - Vista Alegre, no célebre "bate e foge" daqueles tempos, que o Onofre e companheiros, sentiram a flagelação de uns tiros sem importância, mais para lembrar o estar-se ali a enfrentar uma guerra.
Estava a entrar-se numa fase de mais maturidade e muita actividade, naquela zona caracterizada por densa vegetação, grandes árvores e muitas plantações de cafeeiros.
Bananeiras, uma planta a poder ser considerada endémica, havia-as de várias qualidades e toda a gente tinha o seu próprio fornecimento dessa fruta, colhida numa das inúmeras sanzalas e roças abandonadas.
Abastecimento de bananas

Ao contrário os ananases, frutos que por vezes se encontravam nas mesmas circunstâncias, tornavam-se mais apetecíveis, mas não se reproduziam espontaneamente, como a bananeira, impossível de aprovisionar assim individualmente.

Daniel Costa

sábado, 3 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

EM NAMBUANGONGO

Até 1961, Portugal era potência administrativa de variados territórios coloniais, um pouco por todo o mundo, fruto das vastas viagens feitas por terras desconhecidas, até então, pela gesta lusitana de 1500.
Nesse ano deu-se o início do desmoronamento do mesmo. Uma escaramuça iniciada nos subúrbios de Luanda, que logo se estendeu ao Norte de Angola, foi a causa próxima.
Onofre, dito comandante de esquadra, mais os dois soldados do mesmo núcleo, Teodoro e Esquim Pinto, integrando o motorista Gastão, num Jeep propositadamente blindado e com metralhadora Breda montada, que lhes havia sido distribuído, pertenciam ao Esquadrão que substituíra no Tari-Lifune, uma das Companhias do célebre Batalhão 96, que havia reconquistado a vila de Nambuangongo.
A missão de Onofre e camaradas, com essa dissuasora arma, era o serviço de escoltas.
Foi assim que, logo nos primeiros meses de 1962, Onofre estava na vila de Nambuangongo, para onde tinha viajado em apoio ao pelotão a que pertencia.
Havia sido formada uma coluna de abastecimento.
Era naquele local, que se centrava o Comando do Sector Militar que actuava na zona.
Nambuangongo era uma das regiões onde, em 1961, havia sido lançada, a rebelião que haveria de se estender ao mundo ultramarino até 25 de Abril de 1974 data em que se deu a célebre Revolução, tornando possível a democracia no País.
A povoação era composta por uma igreja. A ladeá-la um cemitério todo cimentado, onde ficaram a repousar os militares mortos em combate na zona.
Capela da vila de Nambuangongo,reconstruída por militares,
em 1961, após a retoma do bastião da UPA
Cemitério militar de Nambuangongo, onde ficaram
 a repousaar os mortos em combate

Muita tropa passou por ali, desde praças a oficiais superiores, em missões de comando, formavam uma comunidade a tornar aliciante a visita de gente cheia de vida como o observador Onofre.
Para começar, o abastecimento demorava quase todo o dia, preenchido pela classe das praças na procura de conterrâneos, o que proporcionava inesperados encontros.
Nas cantinas militares eram lembrados episódios pitorescos, muito naturais numa mocidade fogosa.
Placa de homenagem aos mortos do Batalhão 96
que retomou Nambuangongo
Ali era uma das sedes do teatro terrorista, em virtude de tais circunstâncias verificara-se um êxodo total de residentes, incluindo já se vê o elemento feminino, a ponto de a a zona ser um exclusivo de homens fardados servindo o exército,
Na verdade, muitas incidências valiam exacerbadas recordações. Normalmente metiam namoradas ou outras aventuras vividas.
As cantinas eram os únicos pontos de encontro dos circunstantes, em serviço, que mais não tinham a fazer senão a escolta de volta. Então era à roda das "Cucas" que se processava todo o tipo de conversas, até que vinham à baila as localizadas naquele espaço e no próprio tempo que ali se vivia.
Onde há muita gente, existe sempre infinita matéria factual a abordar.
Os circunstantes sempre iguais na aparência, porque fardados pertenciam a classes mais baixas. Vários oficiais superiores, até por mais velhos, serviam os muitos motivos de interesse anedótico aos olhos da juventude.
Havia um Tenente-Coronel que já se celebrizara pela denominação de "Totobola".
Em operações militares, comandava os seus efectivos, viajando em avião, proferindo incentivos como o de ter sido grande desportista do volante e entre outros, o de ter conquistado grande número de mulheres.
Outro comandante dum Batalhão estacionado ali, num monte imediatamente a norte, todas as manhãs vinha à localidade às cambalhotas, fazendo uso da pistola, num tipo de preparação física, era o alvo das maiores chacotas.
Depois das obrigações militares tornava-se obrigatório, falar sem qualquer cerimónia de certos oficiais superiores.
Não deixava de ser curial, pois já o próprio Montegomery, figura muito conhecida da Segunda Grande Guerra, como a raposa do deserto, tinha pouco apreço por elevadas patentes, embora pertencendo a essa alta classe militar.
Naquela primeira cavaqueira, entre muitos assuntos, surgiu aquela de os terroristas terem atacado a cozinha. Da escaramuça não resultaram mortos ou feridos, pelo que a boa disposição não arrefeceu. Só os grandes tachos haviam sido furados pelas cargas dos canhângulos dos adversários.
De volta nos cerca de trinta quilómetros, que era necessário percorrer, metidos naquela fortaleza em estradas de terra batida, muitas peripécias havia a comentar, como a do Esquim Pinto que, tendo possuído uma oficina de bicicletas, encontrava amigos como ninguém:
- Dizia ele:
- Em Nanbuangongo há grandes camaradas!
- O Teodoro retoquiu: Pudera!...
Passámos todo o tempo no meio das "Cucas", onde havia sempre alguém a pagar para nós!
Outra do Esquim Pinto, inveterado fumador:
- Agora só fumo C.T. (era considerado o melhor tabaco), mas só se for dado!
Viagens em escolta eram quase diárias. Tudo levado em jeito de divertimento e passatempo lúdico, não excluindo os perigos que podiam vir das matas.
No acampamento do Tari, o Onofre reflectia muito, uma forma de ser e estar, embora em contraste com a situação de guerrilha, dava para se sentir bem, apesar de tudo a sua existência era melhor do que a passada, assim como a futura jamais seria tão sofrida.
O optimismo iria manter-se em alta, durante os vinte e sete meses seguintes, que culminaram com o fim da comissão.

Fotos: arquivo de Daniel Costa
Daniel Costa

quinta-feira, 1 de abril de 2010

AMOR NA GUERRA

LIBERTAÇÕES

Ainda nesse mês de Março, logo no dia doze houve o primeiro ferido, com pouca importância, calhou ao Alferes Faria.
Em quatro de Abril desse ano, de mil novecentos e sessenta e dois, numa das constantes operações (batidas), o Esquadrão fez os primeiros prisioneiros, dois miúdos que não terão tido a ligeireza e a sagacidade suficientes para fugirem com os progenitores.
Pensa-se que, pelo menos, uma morte aconteceu do lado inimigo, que foi assim o primeiro a ser contabilizado.
Primeira morte em combate no Esquadrão 297
Após as escoltas já entradas nos serviços de rotina, fazendo parte da vida do aquartelamento, que terá sido de facto a mais aventurosa do Onofre, este muito dado à nostalgia, que erroneamente poderia parecer tristeza, pois o nosso homem acatara aquela fase da existência, como um pensador.
Sendo um modo de a conduzir, como se descesse a rua assobiando uma ária, a mente conduzia-o, no entanto, a estados de alma, que lhe traziam recentes memórias de juventude presente.
Um dia concluiu que, afinal aquele tipo de ocupação involuntária, estava a tornar-se a aventura, que a ainda curta existência não lhe proporcionara.
Estava sendo também sua actividade militar a tarefa mais bem remunerada até então, jornadeando, aqui e além ainda que tendo em conta épocas, do ano mais promissoras, devido à performance atingida na execução de qualquer tarefa do campo.
Primeiro morto em combate
Aquela era a mais conseguida, monetariamente, sem contar com o sustento e a farda.
Falar do Onofre trabalhador é mencionar, quase de certeza um dos últimos grandes jornaleiros do campo, que o Oeste possuía.
Era assim, que muita tropa sustentava a possessão, após a Segunda Guerra Mundial, em que se estavam a tornar independentes vários territórios ultramarinos.
Escolta a trabalhadores na apanha do café
A Pátria Lusitana, do Minho a Timor, a partir de um pedaço de terra chamado Portugal estava a desmoronar-se.
De qualquer modo, os militares habituavam-se, por influência nativa, sem qualquer sombra de maldade, a apelidar de "Puto" a parte da grande Nação, que se encontrava mais a norte da Europa.
Não havia dúvida, aquela guerra ainda em princípio, seria a grande semente, para tornar Portugal num verdadeiro País europeu, onde ia deixar de haver grandes homens, apenas a servir para alimentar guerras.
Naquele acantonamento, era suposto duas vezes por semana aterrar uma avioneta, transportando produtos comestíveis frescos, para alternar com os abastecimentos chegados em coluna militar, na confecção da alimentos, como também o pacote com o correio, enviado por familiares, amigos ou Madrinhas de Guerra.
Porém chegava a haver falhas de quinze dias e mais, sem dúvida desmoralizante.
Isto revelava-se uma grande lacuna, que se podia apontar, ao que se poderia considerar uma razoável organização estratégica de serviços de retaguarda.
De uma maneira geral, todo o pessoal possuía a modéstia suficiente para sofrer, mas a falta de correio trazia grande desânimo ao grupo.
De notar que a cerca de três quilómetros do aquartelamento, já havia uma pista de terra batida, para pequenos aviões, havendo nos dias convencionados da chegada destes, um pelotão de serviço, com o fim de tomar posição de guerra, para os receber com a devida protecção anti-terrorista.
Por vezes, um sargento piloto, amigo sobretudo do Primeiro-Sargento residente, que respondia pelo Esquadrão, passava por ali e obviava a falha, rasando o aquartelamento, com o lançar do saco de correio para terra, donde era apanhava com sofreguidão.
Chegado o primeiro dia de Páscoa, naquela zona de guerra, houve uma confraternização mais alargada, com militares artistas ali estacionados, onde se contavam dois acordeonistas.
A vinte e três de Abril o pelotão de que fazia parte o pelotão a que Onofre pertencia foi destacado para a Fazenda Vista Alegre, em substituição da guarnição que o Esquadrão ali mantinha destaca e vigilante, como parte integrada.

Daniel


domingo, 28 de março de 2010

AMOR NA GUERRA

LIFUNE - TARI

Depois de se tomar conhecimento da devastadora acção de puro terrorismo, não só de grupos subversivos, como do então famigerado pelotão comandado pelo Alferes Robles, com a primeira resposta militar, dando consistência à máxima: "ao terrorismo só se pode responder com terrorismo", acabou por ser toda a zona vandalizada, começando na vasta Região dos Dembos, a norte de Luanda.
Ainda cá no "Puto", como a tropa por influências locais, se habituara a designar o Portugal da Metrópole, a 10 de Agosto de 1961, o mais forte bastião terrorista da altura, a povoação de Nambuangongo foi retomada pelo Batalhão 96 comandado pelo lendário Tenente-Coronel Armando Maçanita.
Uma verdadeira epopeia, relatada pelo repórter da Emissora Nacional, Ferreira da Costa, deixando a Região temporariamente mais calma.
Era essa zona a destinada ao grande Esquadrão, que veio a substituir na fazenda Lifune - Tari uma das companhias pertencentes ao glorioso 96, que ali se fixara, depois de recuperado Nambuangongo, ao então grupo de guerrilha da UPA, que tornara assim a zona mais pacificada.
Recorde-se que, o pessoal comandado pelo Tenente-Coronel Maçanita, atingiu o grande feito, com a velha espingarda Mauser, visto ser a arma que o exército possuía.
Afinal o opositor, além dos "canhângulos" (espingardas improvisadas com canos rudimentares e munições feitas de vários materiais, até com pregos velhos) e catanas, utensílios cuja utilidade, além de outras tarefas do campo locais, era a de ceifar o capim.
Picada  da entrada na fazenda Tari

Aparecendo só aqui e além, alguma espingarda, naturalmente em mãos de superiores, a dirigir a rebelião.
A Região dos Dembos, durante cerca de um ano ficou mais calma, especialmente na parte onde estava sedeada a tropa sob o comando do Batalhão em Muxaluando.
Dali, como já se viu, partiu a sortida final para a retomada da célebre povoação de Nambuangongo
Na larga extensão que servira de Base ao grande feito guerreiro, talvez um dos maiores travados por portugueses em toda a África no século XX, passaram a dominar os militares pertencentes ao Batalhão 350, comandado pelo Tenente-Coronel Costa Gomes. Irmão do que tendo o mesmo apelido, atingiu a Presidência da República e o alto posto militar de Marechal.
Durante cerca de um ano, salvo algumas escaramuças, conheceu-se aquilo a que poderia chamar-se a segunda fase da guerra de Angola.
Por exemplo, em períodos mensais, havia um ataque de três ou quatro tiros, num verdadeiro "bate e foge", a uma das muitas colunas militares auto-transportadas, por aqueles caminhos, roças e muceques destruídos e desabitados, procurando manter a soberania e a paz.
Como não tinha havido troca de armas, visto todo o Batalhão ir já provido, com espingardas novas modernas, que por deficiente fabrico, em breve foram substituídas por G3, cuja maior eficiência era inegável.
Logo no dia sete iniciou-se o serviço destinado ao Esquadrão, que tinha a comandá-lo o Capitão João Ramiro Alves Ribeiro, um homem que já ia dando provas de talento militar, não só pela dignidade do posto, como pelos inegáveis dotes de comando.
No entanto só no dia oito Onofre e os seus camaradas, mais próximos, Esquim Pinto, Teodoro e o motorista Gastão, no Jeep que lhes estava destinado, iniciaram verdadeiramente os serviços de escoltas auto-transportadas, trabalho que lhes fora atribuído, pela sua própria especialização.

Ponte sobre o rio Lifune, por não haver tempo da sua destruição total, afim de ser cortada a passagem das tropas que avançavam para a fomada de Nambuangogo, foram apenas parte das guadas.

Começou com a amenidade de um pequeno itinerário, cerca de quinze quilómetros, o que dista do Tari a Vista Alegre, numa coluna destinada a transportar pão, para acompanhar as refeições de um pelotão, uma fracção do Esquadrão, que destacada tinha a missão de assegurara presença no local, que serviu de partida na épica tomada de Nambuangongo.
A partir desta data, entre as muitas escoltas, outros serviços no aquartelamento, muitas conversas, a escrita de cartas à família e amigos e às Madrinhas de Guerra, Onofre nunca deixara de estar activo.
Evidentemente, viviam-se a partir daquele local, inúmeros episódios, uns menos alegres e outros de puro divertimento.
Logo a dezasseis de Março, depois de um dia trabalhoso, houve ordem de ir um pelotão a Vista Alegre reforçar o ali residente, pois havia-se sentido algo estranho. Depois de muito se observar, chegou-se á conclusão de ser nula presença de rebeldia.
Como o alarme não passara de rebate falso, já madrugada o reforço voltou à base sem novidade.
Entretanto, começaram as batidas, que eram efectuadas por um pelotão de militares, levando sempre por escolta um ou vários Unimogs, transportando tropas. Acompanhava de um Jeep equipado com metralhadora pesada Breda e o respectivo grupo.
Muitas vezes calhava à esquadra do Onofre, tanto mais, que quase todos os dias havia os mais variados serviços exteriores.
Considera-se importante mencionar o Arsénio, também especializado em armas pesadas, na vertente morteiros, na maior parte das vezes também ao serviço de escoltas.
Portanto só andava em corredores de caminhos compostos pelas chamadas picadas.
Porém, tomou a opção de oferecer-se voluntariamente, para se movimentar na qualidade de atirador.
Não havendo subjacente prejuízo, era muito bem aceite a ideia. Acontecendo algumas vezes, nas acções chamadas batidas, haver apreensão e recolha de diverso material, à mistura com Angolares.
Depois de tudo passar pelo Comandante, o dinheiro voltava sempre a quem o entregara.
O recolhido pelo Arsénio, ia logo direito a umas "Cucas", para os amigos, onde nunca podia faltar o Onofre!

Daniel Costa