quinta-feira, 21 de junho de 2012

PERCEBES DO BALEAL


         

PERCEBES DO BALEAL

Dois dias volvidos e novo encaminhamento para Peniche.
Desta vez calhou, irem para a paradisíaca praia do Baleal.
Passaram antes, pela vila de Atouguia da Baleia, onde em tempos mais antigos, chegava o mar.
Antes do assoreamento da região, era ali que se situava o porto de pesca, que ora floresce em Peniche.
A igreja matriz, a catedral de S. Leonardo, visitada por Olavo e Vera, a sua viga mestra era de osso da baleia, segundo ali souberam.
Este ficara a fazer parte do seu espólio, ficando em local visível, após obras de requalificação.
Logo após foram para a praia do Baleal,
O Baleal, em si, é como um ilhéu, rodeado de água em cerca de três partes, sendo a quarta composta de areal.
Até há poucos anos, só se podia atravessar em carro, todo o terreno, para transportar mantimentos para terra.
Depois foi construída, pela praia uma estrada, em altura que permite a circulação rodoviária
No mar junto ao Baleal, existe um penhasco, muito perigoso de abordar devido ao fluxo das marés.
O facto permite o percerbe, crustácio que nele se cria, ter tempo de se desenvolver bastante, pela difícil acessibilidade humana.
Em tempos de Verão, o mar acalma, com marés mais propícias à sempre difícil abordagem.
Assim bastantes mariscadores, a bordam, a fazer a apanha possível, vendendo o produto d seu trabalho.
Olavo sempre, atento ali estava, acompanhado da sua bela Vera.
Na abordagem a um outro casal próximo, soube que em Ferrel, da mesma freguesia há um restaurante a apresentar, diariamente percebes para petisco, depois das três horas da tarde.
Petiscar é o seu forte, gastronómico, quando se trata de bons sabores, como no caso.
Determinou com Vera saltarem a Ferrel, naquela hora, a almoçarem, deglutindo o petisco, constituído por percebes cozidos.
Antes porém, no Baleal, tomaram um refresco, acompanhado com chocolate.
A chegarem a Ferrel, junto ao restaurante, ainda na rua, já o cheiro exalava convidativo.
Entraram e regalaram o palato, com aquele marisco.
Repetindo a dose, foi almoço e jantar, um grande prazer!
Sempre, como policial, ainda que partícular, estava sempre de serviço.
Em breve trecho, já estava familiarizado com gente local.
Logo soube, ser já da tradição, uma corrida de burros, por ocasião da festa local.
A corrida festiva atrai muitos forasteiros e tem um motivo particular,
Até cerca dos anos setenta de século passado, um ferralejo adolescente, para ser homem, teria de ser possuidor de um burro e porquê?
A certa distância, há a lagoa de Óbidos. Na época do berbigão, ali se produzia a apanhava muito, os burros serviam de transporte.
O seus donos, carregam-nos e faziam a distribuição do mesmo, por inúmeras aldeias.
Também era feita limpeza, no famoso, pinhal de Leiria, de sama (caruma de pinheiro). Esta era constituída, por dois artísticos molhos, carregados em burros, a serem vendidos em aldeias da vizinhança.
Por fim os burros de Ferrel em fila, frequentemente, preenchiam toda berma da estrada, cerca de quatro quilómetros, de Ferrel e o Baleal.
Chegada a hora, estava em Peniche, no bar “Java”.
Já estava Amaral e Rosália, à sua espera.
Aquele acenou, para que se sentasse!
Olavo fê-lo, depois de cumprimentar Abel e lhe pedir permissão, para sentar Vera na sua mesa.
Tomou então lugar na mesa de Amaral.
Este sem cerimónia disse:
Rosália e eu, resolvemos casar, assim que Bernardo lhe conceda o divórcio.
Olavo apenas ouvia:
- De seguida Amaral,contratou-o na sua qualidade de  Inspector para intermediar o processo.
Contactaria o ainda marido, em São Paulo, com despesas por sua conta, viria a Peniche, assinar o divorcio.
Olavo estaria presente e procuraria fazer com que a assinatura fosse amigável.
Depois o Inspector aceitou a proposta e prometeu, na semana seguinte estar, com Bernardo em São Paulo.
No fim, na mesa de Abel reuniu-se à sua Vera e regressou a Lisboa.

Daniel Costa


quinta-feira, 7 de junho de 2012

BERLENGA E FARILHÕES

 

BERLENGA E FARILHÕES


Juntando o útil ao agradável, tendo em atenção Vera, que muito amava, mantendo-se ela de férias, tencionava proporcionar-lhe tempos de lazer e prazer,
Porque Peniche e arredores se lhe apresentavam, como boa opção, enquanto lhe dava o ensejo de prosseguir ali o seu trabalho de investigação.
Entretanto, procurou saber horário dos barcos, Peniche – ilha da Berlenga e vice – versa.
Em face disso, optou pelo barco Cabo Avelar Pessoa, que parte do Cais da cidade, ás 10H00 da manhã, regressando ás 16H00.
Disse à Vera, a opção para o dia.
Ela exultou e numa demonstração de felicidade, a Olavo se abraçou e carinhosamente e o beijou.
Acordaram cedo, para partir para Peniche, tomaram lugar no barco e navegaram para a ilha.
Mesmo com o mar tranquilo, como um rio, entre o Cabo Carvoeiro e a ilha, a navegação  do barco, como que a descer a proa a ré e a subir ao contrário, num lento vai e vem.
Para evitar ali enjoos, muitos passageiros tomam um comprimido contra.
Chegados à ilha, depois de uma volta, a conhecer especialmente, a sua fauna, como o coelho bravo e gaivotas, principalmente.
Há outras aves marinhas, ou não marinhas a nidificar na ilha.
Berlenga Grande, a única do arquipélago habitável, que consta de vários ilhéu, destacando-se Farilhões.
Depois foram almoçar, no Pavilhão restaurante Sol e Mar.
Vista a ementa escolheram, de novo caldeirada, um prato de maravilhoso sabor local.
Chegados ás 16H00, foi a vez de regressarem, no horário escolhido e conforme o vai e vem do Cabo Avelar Pessoa.
De novo em Peniche, era ainda cedo.
Subiram ao grande terreiro do Alto da Vela.
Visitaram a famosa fortaleza da cidade, que servira de quartel, às tropas Inglesas, na época das guerras napoleónicas.
Mais tarde, já no século XX Salazar instituiu ali uma cadeia de alta segurança, para presos políticos.
De entre outros políticos, em 1960, conseguiu evadir-se dali Álvaro Cunhal, o Secretário-Geral, do partido Comunista Português.
Depois da Revolução de Abril de 1974, que pusera fim à Pide, a polícia política do Estado Novo, a fortificação, como todo os outros, do mesmo teor, deixou de ser cárcere,
Em 1984, um dos três pavilhões, passou a ser Museu Municipal.
Foi esse que Vera e Olavo visitaram.
Depois do que jantara no restaurante Gaivota, com uma ementa variada, onde não falta o marisco.
Uma lagosta suada, foi o prato escolhido.
Vinho verde da Quinta da Brejoeira (Monção – Minho), um dos melhores do país, muito fresquinho, acompanhou.
O ambiente era maravilhoso e com vista para o mar.
Com olhares de cumplicidade, tranquilamente, o casal ali conversou, em troca de impressões, sobre a excursão.
A Avenida do Mar começa logo ali.
Perto estava o bar “Java”.
Para lá se dirigiram, conforme Olavo prometera a Abel.
O novo amigo, já estava na mesma mesa!
Olavo solicitou licença para o casal ali se sentar, o que foi aceite com prazer.
Enquanto, iam sendo pedidas as bebidas: dois cafés e um uisque, Abel não tirava o olhar do casal da mesa vizinha.
Foram conversando, Vera ouvia e quando era a vez do marido assentia.
Depois Abel olhou, mais uma vez, para a mesa do lado.
Disse baixinho:
- Naquela mesa, estão Rosália e Amaral, posso apresenta-los.
Olavo foi apanhado de surpresa, mas nem pensou e aquiesceu.
Era de sua conveniência!
Apresentações feitas, Olavo no seu jeito peculiar disse logo:
-  Sou Inspector, estive em São Paulo, com Bernardo e precisava de vos falar.
Amaral, convidou-a sentar-se, enquanto Vera e Abel por descrição se retiram para a sua mesa.
Rosália e Amaral, olhavam-se calados, em jeito de culpados.
De repente:
 - Amaral disse, nos dá dois dias, para ponderar o assunto?
Pois bem!...
Disse Olavo, dentro de dois dias encontramo-nos, de novo aqui, à mesma hora para falarmos.

Daniel Costa